Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
37

Jeremias na prisão

371Zedequias, filho de Josias e a quem Nabucodonosor, rei da Babilônia, constituíra rei

37.1
2Rs 24.17
2Cr 36.10
na terra de Judá, reinou em lugar de Conias, filho de Jeoaquim. 2Mas nem ele, nem os seus servos, nem o povo da terra deram ouvidos às palavras do Senhor que falou por intermédio de Jeremias, o profeta.

3Contudo, mandou o rei Zedequias a Jucal, filho de Selemias, e ao sacerdote Sofonias, filho de Maaseias, ao profeta Jeremias, para lhe dizerem: Roga por nós ao Senhor, nosso Deus. 4Jeremias andava livremente entre o povo, porque ainda o não haviam encarcerado. 5O exército de Faraó saíra do Egito; e, quando os caldeus, que sitiavam Jerusalém, ouviram esta notícia, retiraram-se dela.

6Então, veio a Jeremias, o profeta, a palavra do Senhor: 7Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Assim direis ao rei de Judá, que vos enviou a mim, para me consultar: Eis que o exército de Faraó, que saiu em vosso socorro, voltará para a sua terra, no Egito. 8Retornarão os caldeus, pelejarão contra esta cidade, tomá-la-ão e a queimarão. 9Assim diz o Senhor: Não vos enganeis a vós mesmos, dizendo: Sem dúvida, se irão os caldeus de nós; pois, de fato, não se retirarão. 10Porque, ainda que derrotásseis a todo o exército dos caldeus, que pelejam contra vós outros, e ficassem deles apenas homens mortalmente feridos, cada um se levantaria na sua tenda e queimaria esta cidade.

11Tendo-se retirado o exército dos caldeus de Jerusalém, por causa do exército de Faraó, 12saiu Jeremias de Jerusalém, a fim de ir à terra de Benjamim, para receber o quinhão de uma herança que tinha no meio do povo. 13Estando ele à Porta de Benjamim, achava-se ali um capitão da guarda, cujo nome era Jerias, filho de Selemias, filho de Hananias, capitão que prendeu a Jeremias, o profeta, dizendo: Tu foges para os caldeus. 14Disse Jeremias: É mentira, não fujo para os caldeus. Mas Jerias não lhe deu ouvidos; prendeu a Jeremias e o levou aos príncipes. 15Os príncipes, irados contra Jeremias, açoitaram-no e o meteram no cárcere, na casa de Jônatas, o escrivão, porque a tinham transformado em cárcere.

16Tendo Jeremias entrado nas celas do calabouço, ali ficou muitos dias. 17Mandou o rei Zedequias trazê-lo para sua casa e, em secreto, lhe perguntou: Há alguma palavra do Senhor? Respondeu Jeremias: Há. Disse ainda: Nas mãos do rei da Babilônia serás entregue. 18Disse mais Jeremias ao rei Zedequias: Em que pequei contra ti, ou contra os teus servos, ou contra este povo, para que me pusesses na prisão? 19Onde estão agora os vossos profetas, que vos profetizavam, dizendo: O rei da Babilônia não virá contra vós outros, nem contra esta terra? 20Agora, pois, ouve, ó rei, meu senhor: Que a minha humilde súplica seja bem-acolhida por ti, e não me deixes tornar à casa de Jônatas, o escrivão, para que eu não venha a morrer ali. 21Então, ordenou o rei Zedequias que pusessem a Jeremias no átrio da guarda; e, cada dia, deram-lhe um pão da Rua dos Padeiros, até acabar-se todo pão da cidade. Assim ficou Jeremias no átrio da guarda.

38

O etíope Ebede-Meleque salva Jeremias da cisterna

381Ouviu, pois, Sefatias, filho de Matã, e Gedalias, filho de Pasur, e Jucal, filho de Selemias, e Pasur, filho de Malquias, as palavras que Jeremias anunciava a todo o povo, dizendo: 2Assim diz o Senhor: O que ficar nesta cidade morrerá à espada, à fome e de peste; mas o que passar para os caldeus viverá; porque a vida lhe será como despojo, e viverá. 3Assim diz o Senhor: Esta cidade infalivelmente será entregue nas mãos do exército do rei da Babilônia, e este a tomará. 4Disseram os príncipes ao rei: Morra este homem, visto que ele, dizendo assim estas palavras, afrouxa as mãos dos homens de guerra que restam nesta cidade e as mãos de todo o povo; porque este homem não procura o bem-estar para o povo, e sim o mal. 5Disse o rei Zedequias: Eis que ele está nas vossas mãos; pois o rei nada pode contra vós outros. 6Tomaram, então, a Jeremias e o lançaram na cisterna de Malquias, filho do rei, que estava no átrio da guarda; desceram a Jeremias com cordas. Na cisterna não havia água, senão lama; e Jeremias se atolou na lama.

7Ouviu Ebede-Meleque, o etíope, eunuco que estava na casa do rei, que tinham metido a Jeremias na cisterna; ora, estando o rei assentado à Porta de Benjamim, 8saiu Ebede-Meleque da casa do rei e lhe falou: 9Ó rei, senhor meu, agiram mal estes homens em tudo quanto fizeram a Jeremias, o profeta, que lançaram na cisterna; no lugar onde se acha, morrerá de fome, pois já não há pão na cidade. 10Então, deu ordem o rei a Ebede-Meleque, o etíope, dizendo: Toma contigo daqui trinta homens e tira da cisterna o profeta Jeremias, antes que morra. 11Tomou Ebede-Meleque os homens consigo, e foi à casa do rei, por debaixo da tesouraria, e tomou dali umas roupas usadas e trapos, e os desceu a Jeremias na cisterna, por meio de cordas. 12Disse Ebede-Meleque, o etíope, a Jeremias: Põe agora estas roupas usadas e estes trapos nas axilas, calçando as cordas; Jeremias o fez. 13Puxaram a Jeremias com as cordas e o tiraram da cisterna; e Jeremias ficou no átrio da guarda.

Zedequias consulta o profeta

14Então, o rei Zedequias mandou trazer o profeta Jeremias à sua presença, à terceira entrada na Casa do Senhor, e lhe disse: Quero perguntar-te uma coisa, nada me encubras. 15Disse Jeremias a Zedequias: Se eu ta disser, porventura, não me matarás? Se eu te aconselhar, não me atenderás. 16Então, Zedequias jurou secretamente a Jeremias, dizendo: Tão certo como vive o Senhor, que nos deu a vida, não te matarei, nem te entregarei nas mãos desses homens que procuram tirar-te a vida.

17Então, Jeremias disse a Zedequias: Assim diz o Senhor, o Deus dos Exércitos, Deus de Israel: Se te renderes voluntariamente aos príncipes do rei da Babilônia, então, viverá tua alma, e esta cidade não se queimará, e viverás tu e a tua casa. 18Mas, se não te renderes aos príncipes do rei da Babilônia, então, será entregue esta cidade nas mãos dos caldeus, e eles a queimarão, e tu não escaparás das suas mãos. 19Disse o rei Zedequias a Jeremias: Receio-me dos judeus que se passaram para os caldeus; não suceda que estes me entreguem nas mãos deles, e eles escarneçam de mim. 20Disse Jeremias: Não te entregarão; ouve, te peço, a palavra do Senhor, segundo a qual eu te falo; e bem te irá, e será poupada a tua vida. 21Mas, se não quiseres sair, esta é a palavra que me revelou o Senhor: 22Eis que todas as mulheres que ficaram na casa do rei de Judá serão levadas aos príncipes do rei da Babilônia, e elas mesmas dirão: Os teus bons amigos te enganaram e prevaleceram contra ti; mas, agora que se atolaram os teus pés na lama, voltaram atrás. 23Assim, a todas as tuas mulheres e a teus filhos levarão aos caldeus, e tu não escaparás das suas mãos; antes, pela mão do rei da Babilônia serás preso; e por tua culpa esta cidade será queimada.

24Então, disse Zedequias a Jeremias: Ninguém saiba estas palavras, e não morrerás. 25Quando, ouvindo os príncipes que falei contigo, vierem a ti e te disserem: Declara-nos agora o que disseste ao rei e o que ele te disse a ti, nada nos encubras, e não te mataremos, 26então, lhes dirás: Apresentei a minha humilde súplica diante do rei para que não me fizesse tornar à casa de Jônatas, para morrer ali. 27Vindo, pois, todos os príncipes a Jeremias, e, interrogando-o, declarou-lhes segundo todas as palavras que o rei lhe havia ordenado; e o deixaram em paz, porque da conversação nada transpirara. 28Ficou Jeremias no átrio da guarda, até ao dia em que foi tomada Jerusalém.

38.28
Ez 33.21

39

Nabucodonosor toma Jerusalém

2Rs 24.20—25.12; 2Cr 36.17-21; Jr 52.1-16

391Foi tomada Jerusalém. Era o ano nono de Zedequias, rei de Judá, no mês décimo, quando veio Nabucodonosor, rei da Babilônia, e todo o seu exército, contra Jerusalém, e a cercaram; 2era o undécimo ano de Zedequias, no quarto mês, aos nove do mês, quando se fez uma brecha na cidade. 3Então, entraram todos os príncipes do rei da Babilônia e se assentaram na Porta do Meio: Nergal-Sarezer, Sangar-Nebo, Sarsequim, Rabe-Saris, Nergal-Sarezer, Rabe-Mague e todos os outros príncipes do rei da Babilônia. 4Tendo-os visto Zedequias, rei de Judá, e todos os homens de guerra, fugiram e, de noite, saíram da cidade, pelo caminho do jardim do rei, pela porta que está entre os dois muros; Zedequias saiu pelo caminho da campina. 5Mas o exército dos caldeus os perseguiu e alcançou a Zedequias nas campinas de Jericó; eles o prenderam e o fizeram subir a Ribla, na terra de Hamate, a Nabucodonosor, rei da Babilônia, que lhe pronunciou a sentença. 6O rei da Babilônia mandou matar, em Ribla, os filhos de Zedequias à vista deste; também matou a todos os príncipes de Judá. 7Vazou os olhos a Zedequias e o atou com duas cadeias de bronze, para o levar à Babilônia.

8Os caldeus queimaram a casa do rei e as casas do povo e derribaram os muros de Jerusalém. 9O mais do povo que havia ficado na cidade, os desertores que se entregaram a ele e o sobrevivente do povo, Nebuzaradã, o chefe da guarda, levou-os cativos para a Babilônia. 10Porém dos mais pobres da terra, que nada tinham, deixou Nebuzaradã, o chefe da guarda, na terra de Judá; e lhes deu vinhas e campos naquele dia.

Nabucodonosor cuida de Jeremias

11Mas Nabucodonosor, rei da Babilônia, havia ordenado acerca de Jeremias, a Nebuzaradã, o chefe da guarda, dizendo: 12Toma-o, cuida dele e não lhe faças nenhum mal; mas faze-lhe como ele te disser. 13Deste modo, Nebuzaradã, o chefe da guarda, ordenou a Nebusazbã, Rabe-Saris, Nergal-Sarezer, Rabe-Mague, e todos os príncipes do rei da Babilônia 14mandaram retirar Jeremias do átrio da guarda e o entregaram a Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã, para que o levasse para o seu palácio; assim, habitou entre o povo.

15Ora, tinha vindo a Jeremias a palavra do Senhor, estando ele ainda detido no átrio da guarda, dizendo: 16Vai e fala a Ebede-Meleque, o etíope, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Eis que eu trarei as minhas palavras sobre esta cidade para mal e não para bem; e se cumprirão diante de ti naquele dia. 17A ti, porém, eu livrarei naquele dia, diz o Senhor, e não serás entregue nas mãos dos homens a quem temes. 18Pois certamente te salvarei, e não cairás à espada, porque a tua vida te será como despojo, porquanto confiaste em mim.