Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
19

A botija quebrada

191Assim diz o Senhor: Vai, compra uma botija de oleiro e leva contigo alguns dos anciãos do povo e dos anciãos dos sacerdotes; 2sai ao vale do filho de Hinom,

19.2
2Rs 23.10
Jr 7.30-32
32.34-35
que está à entrada da Porta do Oleiro, e apregoa ali as palavras que eu te disser; 3e dize: Ouvi a palavra do Senhor, ó reis de Judá e moradores de Jerusalém. Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Eis que trarei mal sobre este lugar, e quem quer que dele ouvir retinir-lhe-ão os ouvidos. 4Porquanto me deixaram e profanaram este lugar, queimando nele incenso a outros deuses, que nunca conheceram, nem eles, nem seus pais, nem os reis de Judá; e encheram este lugar de sangue de inocentes; 5e edificaram os altos de Baal, para queimarem os seus filhos
19.5
Lv 18.21
no fogo em holocaustos a Baal, o que nunca lhes ordenei, nem falei, nem me passou pela mente. 6Por isso, eis que vêm dias, diz o Senhor, em que este lugar já não se chamará Tofete, nem vale do filho de Hinom, mas o vale da Matança. 7Porque dissiparei o conselho de Judá e de Jerusalém neste lugar e os farei cair à espada diante de seus inimigos e pela mão dos que procuram tirar-lhes a vida; e darei o seu cadáver por pasto às aves dos céus e aos animais da terra. 8Porei esta cidade por espanto e objeto de assobios; todo aquele que passar por ela se espantará e assobiará, por causa de todas as suas pragas. 9Fá-los-ei comer as carnes de seus filhos e as carnes de suas filhas, e cada um comerá a carne do seu próximo, no cerco e na angústia em que os apertarão os seus inimigos e os que buscam tirar-lhes a vida.

10Então, quebrarás a botija à vista dos homens que foram contigo 11e lhes dirás: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Deste modo quebrarei eu este povo e esta cidade, como se quebra o vaso do oleiro, que não pode mais refazer-se, e os enterrarão em Tofete, porque não haverá outro lugar para os enterrar. 12Assim farei a este lugar, diz o Senhor, e aos seus moradores; e farei desta cidade um Tofete. 13As casas de Jerusalém e as casas dos reis de Judá serão imundas como o lugar de Tofete; também todas as casas sobre cujos terraços queimaram incenso a todo o exército dos céus e ofereceram libações a outros deuses.

14Voltando, pois, Jeremias de Tofete, lugar para onde o enviara o Senhor a profetizar, se pôs em pé no átrio da Casa do Senhor e disse a todo o povo: 15Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Eis que trarei sobre esta cidade e sobre todas as suas vilas todo o mal que pronunciei contra ela, porque endureceram a cerviz, para não ouvirem as minhas palavras.

20

Amaldiçoado Pasur, que meteu o profeta no tronco

201Pasur, filho do sacerdote Imer, que era presidente na Casa do Senhor, ouviu a Jeremias profetizando estas coisas. 2Então, feriu Pasur ao profeta Jeremias e o meteu no tronco que estava na porta superior de Benjamim, na Casa do Senhor. No dia seguinte, Pasur tirou a Jeremias do tronco. 3Então, lhe disse Jeremias: O Senhor já não te chama Pasur, e sim Terror-Por-Todos-Os-Lados. 4Pois assim diz o Senhor: Eis que te farei ser terror para ti mesmo e para todos os teus amigos; estes cairão à espada de seus inimigos, e teus olhos o verão; todo o Judá entregarei nas mãos do rei da Babilônia; este os levará presos à Babilônia e feri-los-á à espada. 5Também entregarei toda a riqueza desta cidade, todo o fruto do seu trabalho e todas as suas coisas preciosas; sim, todos os tesouros dos reis de Judá entregarei nas mãos de seus inimigos, os quais hão de saqueá-los, tomá-los e levá-los à Babilônia. 6E tu, Pasur, e todos os moradores da tua casa ireis para o cativeiro; irás à Babilônia, onde morrerás e serás sepultado, tu e todos os teus amigos, aos quais profetizaste falsamente.

O lamento do profeta

7Persuadiste-me, ó Senhor, e persuadido fiquei; mais forte foste do que eu e prevaleceste; sirvo de escárnio todo o dia; cada um deles zomba de mim. 8Porque, sempre que falo, tenho de gritar e clamar: Violência e destruição! Porque a palavra do Senhor se me tornou um opróbrio e ludíbrio todo o dia. 9Quando pensei: não me lembrarei dele e já não falarei no seu nome, então, isso me foi no coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; já desfaleço de sofrer e não posso mais. 10Porque ouvi a murmuração de muitos: Há terror por todos os lados! Denunciai, e o denunciaremos! Todos os meus íntimos amigos que aguardam de mim que eu tropece dizem: Bem pode ser que se deixe persuadir; então, prevaleceremos contra ele e dele nos vingaremos. 11Mas o Senhor está comigo como um poderoso guerreiro; por isso, tropeçarão os meus perseguidores e não prevalecerão; serão sobremodo envergonhados; e, porque não se houveram sabiamente, sofrerão afronta perpétua, que jamais se esquecerá. 12Tu, pois, ó Senhor dos Exércitos, que provas o justo e esquadrinhas os afetos e o coração, permite veja eu a tua vingança contra eles, pois te confiei a minha causa. 13Cantai ao Senhor, louvai ao Senhor; pois livrou a alma do necessitado das mãos dos malfeitores.

Jeremias amaldiçoa o dia de seu nascimento

14Maldito o dia em que nasci! Não seja bendito o dia em que me deu à luz minha mãe! 15Maldito o homem que deu as novas a meu pai, dizendo: Nasceu-te um filho!, alegrando-o com isso grandemente. 16Seja esse homem como as cidades que o Senhor, sem ter compaixão, destruiu; ouça ele clamor pela manhã e ao meio-dia, alarido. 17Por que não me matou Deus no ventre materno? Por que minha mãe não foi minha sepultura? Ou não permaneceu grávida perpetuamente? 18Por que saí do ventre materno tão somente para ver trabalho e tristeza e para que se consumam de vergonha os meus dias?

20.14-18
Jó 3.1-19

21

Predita a destruição de Jerusalém por Nabucodonosor

211Palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor, quando o rei Zedequias lhe enviou Pasur, filho de Malquias, e o sacerdote Sofonias, filho de Maaseias, dizendo: 2Pergunta agora por nós ao Senhor, por que Nabucodonosor,

21.2
2Rs 25.1-11
2Cr 36.17-21
rei da Babilônia, guerreia contra nós; bem pode ser que o Senhor nos trate segundo todas as suas maravilhas e o faça retirar-se de nós.

3Então, Jeremias lhes disse: Assim direis a Zedequias: 4Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Eis que farei retroceder as armas de guerra que estão nas vossas mãos, com que vós pelejais fora dos muros contra o rei da Babilônia e contra os caldeus, que vos oprimem; tais armas, eu as ajuntarei no meio desta cidade. 5Pelejarei eu mesmo contra vós outros com braço estendido e mão poderosa, com ira, com indignação e grande furor. 6Ferirei os habitantes desta cidade, tanto os homens como os animais; de grande pestilência morrerão. 7Depois disto, diz o Senhor, entregarei Zedequias, rei de Judá, e seus servos, e o povo, e quantos desta cidade restarem da pestilência, da espada e da fome na mão de Nabucodonosor, rei da Babilônia, na de seus inimigos e na dos que procuram tirar-lhes a vida; feri-los-á a fio de espada; não os poupará, não se compadecerá, nem terá misericórdia.

8A este povo dirás: Assim diz o Senhor: Eis que ponho diante de vós o caminho da vida e o caminho da morte. 9O que ficar nesta cidade há de morrer à espada, ou à fome, ou de peste; mas o que sair e render-se aos caldeus, que vos cercam, viverá, e a vida lhe será como despojo. 10Pois voltei o rosto contra esta cidade, para mal e não para bem, diz o Senhor; ela será entregue nas mãos do rei da Babilônia, e este a queimará.

11À casa do rei de Judá dirás: Ouvi a palavra do Senhor! 12Ó casa de Davi, assim diz o Senhor: Julgai pela manhã justamente e livrai o oprimido das mãos do opressor; para que não seja o meu furor como fogo e se acenda, sem que haja quem o apague, por causa da maldade das vossas ações.

13Eis que eu sou contra ti, ó Moradora do vale, ó Rocha da campina, diz o Senhor; contra vós outros que dizeis: Quem descerá contra nós? Ou: Quem entrará nas nossas moradas? 14Castigar-vos-ei segundo o fruto das vossas ações, diz o Senhor; acenderei fogo na cidade, qual bosque, o qual devorará todos os seus arredores.