Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
16

A vida solitária do profeta, figura do povo

161Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 2Não tomarás mulher, não terás filhos nem filhas neste lugar. 3Porque assim diz o Senhor acerca dos filhos e das filhas que nascerem neste lugar, acerca das mães que os tiverem e dos pais que os gerarem nesta terra: 4Morrerão vitimados de enfermidades e não serão pranteados, nem sepultados; servirão de esterco para a terra. A espada e a fome os consumirão, e o seu cadáver servirá de pasto às aves do céu e aos animais da terra.

5Porque assim diz o Senhor: Não entres na casa do luto, não vás a lamentá-los, nem te compadeças deles; porque deste povo retirei a minha paz, diz o Senhor, a benignidade e a misericórdia. 6Nesta terra, morrerão grandes e pequenos e não serão sepultados; não os prantearão, nem se farão por eles incisões, nem por eles se raparão as cabeças. 7Não se dará pão a quem estiver de luto, para consolá-lo por causa de morte; nem lhe darão a beber do copo de consolação, pelo pai ou pela mãe. 8Nem entres na casa do banquete, para te assentares com eles a comer e a beber. 9Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Eis que farei cessar

16.9
Jr 7.34
25.10
Ap 18.23
neste lugar, perante vós e em vossos dias, a voz de regozijo e a voz de alegria, o canto do noivo e o da noiva.

10Quando anunciares a este povo todas estas palavras e eles te disserem: Por que nos ameaça o Senhor com todo este grande mal? Qual é a nossa iniquidade, qual é o nosso pecado, que cometemos contra o Senhor, nosso Deus? 11Então, lhes responderás: Porque vossos pais me deixaram, diz o Senhor, e se foram após outros deuses, e os serviram, e os adoraram, mas a mim me deixaram e a minha lei não guardaram. 12Vós fizestes pior do que vossos pais; pois eis que cada um de vós anda segundo a dureza do seu coração maligno, para não me dar ouvidos a mim. 13Portanto, lançar-vos-ei fora desta terra, para uma terra que não conhecestes, nem vós nem vossos pais, onde servireis a outros deuses, de dia e de noite, porque não usarei de misericórdia para convosco.

14Portanto, eis que vêm dias, diz o Senhor, em que nunca mais se dirá: Tão certo como vive o Senhor, que fez subir os filhos de Israel do Egito; 15mas: Tão certo como vive o Senhor, que fez subir os filhos de Israel da terra do Norte e de todas as terras para onde os tinha lançado. Pois eu os farei voltar para a sua terra, que dei a seus pais.

16Eis que mandarei muitos pescadores, diz o Senhor, os quais os pescarão; depois, enviarei muitos caçadores, os quais os caçarão de sobre todos os montes, de sobre todos os outeiros e até nas fendas das rochas. 17Porque os meus olhos estão sobre todos os seus caminhos; ninguém se esconde diante de mim, nem se encobre a sua iniquidade aos meus olhos. 18Primeiramente, pagarei em dobro a sua iniquidade e o seu pecado, porque profanaram a minha terra com os cadáveres dos seus ídolos detestáveis e encheram a minha herança com as suas abominações.

19Ó Senhor, força minha, e fortaleza minha, e refúgio meu no dia da angústia, a ti virão as nações desde os fins da terra e dirão: Nossos pais herdaram só mentiras e coisas vãs, em que não há proveito. 20Acaso, fará o homem para si deuses que, de fato, não são deuses? 21Portanto, eis que lhes farei conhecer, desta vez lhes farei conhecer a minha força e o meu poder; e saberão que o meu nome é Senhor.

17

O pecado engana e destrói

171O pecado de Judá está escrito com um ponteiro de ferro e com diamante pontiagudo, gravado na tábua do seu coração e nas pontas dos seus altares. 2Seus filhos se lembram dos seus altares e dos seus postes-ídolos junto às árvores frondosas, sobre os altos outeiros. 3Ó monte do campo, os teus bens e todos os teus tesouros darei por presa, como também os teus altos por causa do pecado, em todos os teus territórios! 4Assim, por ti mesmo te privarás da tua herança que te dei, e far-te-ei servir os teus inimigos, na terra que não conheces; porque o fogo que acendeste na minha ira arderá para sempre.

5Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do Senhor! 6Porque será como o arbusto solitário no deserto e não verá quando vier o bem; antes, morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável.

7Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor. 8Porque ele é como a árvore

17.8
Sl 1.3
plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano de sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto.

9Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? 10Eu, o Senhor, esquadrinho

17.10
Ap 2.23
o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar
17.10
Sl 62.12
a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações. 11Como a perdiz que choca ovos que não pôs, assim é aquele que ajunta riquezas, mas não retamente; no meio de seus dias, as deixará e no seu fim será insensato.

Jeremias clama a Deus que o socorra dos seus inimigos

12Trono de glória enaltecido desde o princípio é o lugar do nosso santuário. 13Ó Senhor, Esperança de Israel! Todos aqueles que te deixam serão envergonhados; o nome dos que se apartam de mim será escrito no chão; porque abandonam o Senhor, a fonte das águas vivas. 14Cura-me, Senhor, e serei curado, salva-me, e serei salvo; porque tu és o meu louvor. 15Eis que eles me dizem: Onde está a palavra do Senhor? Que se cumpra! 16Mas eu não me recusei a ser pastor, seguindo-te; nem tampouco desejei o dia da aflição, tu o sabes; o que saiu dos meus lábios está no teu conhecimento. 17Não me sejas motivo de terror; meu refúgio és tu no dia do mal. 18Sejam envergonhados os que me perseguem, e não seja eu envergonhado; assombrem-se eles, e não me assombre eu; traze sobre eles o dia do mal e destrói-os com dobrada destruição.

A santificação do sábado

19Assim me disse o Senhor: Vai, põe-te à porta dos filhos do povo, pela qual entram e saem os reis de Judá, como também a todas as portas de Jerusalém, 20e dize-lhes: Ouvi a palavra do Senhor, vós, reis de Judá, e todo o Judá, e todos os moradores de Jerusalém que entrais por estas portas. 21Assim diz o Senhor: Guardai-vos por amor da vossa alma, não carregueis cargas

17.21
Ne 13.15-22
no dia de sábado, nem as introduzais pelas portas de Jerusalém; 22não tireis cargas de vossa casa no dia de sábado, nem façais obra alguma; antes, santificai o dia de sábado,
17.22
Êx 20.8-10
Dt 5.12-14
como ordenei a vossos pais. 23Mas não atenderam, não inclinaram os ouvidos; antes, endureceram a cerviz, para não me ouvirem, para não receberem disciplina. 24Se, deveras, me ouvirdes, diz o Senhor, não introduzindo cargas pelas portas desta cidade no dia de sábado, e santificardes o dia de sábado, não fazendo nele obra alguma, 25então, pelas portas desta cidade entrarão reis e príncipes, que se assentarão no trono de Davi, andando em carros e montados em cavalos, eles e seus príncipes, os homens de Judá e os moradores de Jerusalém; e esta cidade será para sempre habitada. 26Virão das cidades de Judá e dos contornos de Jerusalém, da terra de Benjamim, das planícies, das montanhas e do Sul, trazendo holocaustos, sacrifícios, ofertas de manjares e incenso, oferecendo igualmente sacrifícios de ações de graças na Casa do Senhor. 27Mas, se não me ouvirdes, e, por isso, não santificardes o dia de sábado, e carregardes alguma carga, quando entrardes pelas portas de Jerusalém no dia de sábado, então, acenderei fogo nas suas portas, o qual consumirá os palácios de Jerusalém e não se apagará.

18

O vaso do oleiro

181Palavra do Senhor que veio a Jeremias, dizendo: 2Dispõe-te, e desce à casa do oleiro, e lá ouvirás as minhas palavras. 3Desci à casa do oleiro, e eis que ele estava entregue à sua obra sobre as rodas. 4Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu.

5Então, veio a mim a palavra do Senhor: 6Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? — diz o Senhor; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel. 7No momento em que eu falar acerca de uma nação ou de um reino para o arrancar, derribar e destruir, 8se a tal nação se converter da maldade contra a qual eu falei, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe. 9E, no momento em que eu falar acerca de uma nação ou de um reino, para o edificar e plantar, 10se ele fizer o que é mau perante mim e não der ouvidos à minha voz, então, me arrependerei do bem que houvera dito lhe faria. 11Ora, pois, fala agora aos homens de Judá e aos moradores de Jerusalém, dizendo: Assim diz o Senhor: Eis que estou forjando mal e formo um plano contra vós outros; convertei-vos, pois, agora, cada um do seu mau proceder e emendai os vossos caminhos e as vossas ações. 12Mas eles dizem: Não há esperança, porque andaremos consoante os nossos projetos, e cada um fará segundo a dureza do seu coração maligno.

13Portanto, assim diz o Senhor: Perguntai agora entre os gentios sobre quem ouviu tal coisa. Coisa sobremaneira horrenda cometeu a virgem de Israel! 14Acaso, a neve deixará o Líbano, a rocha que se ergue na planície? Ou faltarão as águas que vêm de longe, frias e correntes? 15Contudo, todos os do meu povo se têm esquecido de mim, queimando incenso aos ídolos, que os fizeram tropeçar nos seus caminhos e nas veredas antigas, para que andassem por veredas não aterradas; 16para fazerem da sua terra um espanto e objeto de perpétuo assobio; todo aquele que passar por ela se espantará e meneará a cabeça. 17Com vento oriental os espalharei diante do inimigo; mostrar-lhes-ei as costas e não o rosto, no dia da sua calamidade.

O profeta ora contra seus inimigos

18Então, disseram: Vinde, e forjemos projetos contra Jeremias; porquanto não há de faltar a lei ao sacerdote, nem o conselho ao sábio, nem a palavra ao profeta; vinde, firamo-lo com a língua e não atendamos a nenhuma das suas palavras. 19Olha para mim, Senhor, e ouve a voz dos que contendem comigo. 20Acaso, pagar-se-á mal por bem? Pois abriram uma cova para a minha alma. Lembra-te de que eu compareci à tua presença, para interceder pelo seu bem-estar, para desviar deles a tua indignação. 21Portanto, entrega seus filhos à fome e ao poder da espada; sejam suas mulheres roubadas dos filhos e fiquem viúvas; seus maridos sejam mortos de peste, e os seus jovens, feridos à espada na peleja. 22Ouça-se o clamor de suas casas, quando trouxeres bandos sobre eles de repente. Porquanto abriram cova para prender-me e puseram armadilha aos meus pés. 23Mas tu, ó Senhor, sabes todo o seu conselho contra mim para matar-me; não lhes perdoes a iniquidade, nem lhes apagues o pecado de diante da tua face; mas sejam derribados diante de ti; age contra eles no tempo da tua ira.