Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
13

O cinto de linho

131Assim me disse o Senhor: Vai, compra um cinto de linho e põe-no sobre os lombos, mas não o metas na água. 2Comprei o cinto, segundo a palavra do Senhor, e o pus sobre os lombos. 3Então, pela segunda vez me veio a palavra do Senhor, dizendo: 4Toma o cinto que compraste e que tens sobre os lombos; dispõe-te, vai ao Eufrates e esconde-o ali na fenda de uma rocha. 5Fui e escondi-o junto ao Eufrates, como o Senhor me havia ordenado. 6Passados muitos dias, disse-me o Senhor: Dispõe-te, vai ao Eufrates e toma o cinto que te ordenei escondesses ali. 7Fui ao Eufrates, cavei e tomei o cinto do lugar onde o escondera; eis que o cinto se tinha apodrecido e para nada prestava.

8Então, me veio a palavra do Senhor, dizendo: 9Assim diz o Senhor: Deste modo farei também apodrecer a soberba de Judá e a muita soberba de Jerusalém. 10Este povo maligno, que se recusa a ouvir as minhas palavras, que caminha segundo a dureza do seu coração e anda após outros deuses para os servir e adorar, será tal como este cinto, que para nada presta. 11Porque, como o cinto se apega aos lombos do homem, assim eu fiz apegar-se a mim toda a casa de Israel e toda a casa de Judá, diz o Senhor, para me serem por povo, e nome, e louvor, e glória; mas não deram ouvidos.

O jarro quebrado

12Pelo que dize-lhes esta palavra: Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Todo jarro se encherá de vinho; e dir-te-ão: Não sabemos nós muito bem que todo jarro se encherá de vinho? 13Mas tu dize-lhes: Assim diz o Senhor: Eis que eu encherei de embriaguez a todos os habitantes desta terra, e aos reis que se assentam no trono de Davi, e aos sacerdotes, e aos profetas, e a todos os habitantes de Jerusalém. 14Fá-los-ei em pedaços, atirando uns contra os outros, tanto os pais como os filhos, diz o Senhor; não pouparei, não terei pena, nem terei deles compaixão, para que os não destrua.

Apelo e ameaças finais

15Ouvi e atentai: não vos ensoberbeçais; porque o Senhor falou. 16Dai glória ao Senhor, vosso Deus, antes que ele faça vir as trevas, e antes que tropecem vossos pés nos montes tenebrosos; antes que, esperando vós luz, ele a mude em sombra de morte e a reduza à escuridão. 17Mas, se isto não ouvirdes, a minha alma chorará em segredo por causa da vossa soberba; chorarão os meus olhos amargamente e se desfarão em lágrimas, porquanto o rebanho do Senhor foi levado cativo.

18Dize ao rei e à rainha-mãe: Humilhai-vos, assentai-vos no chão; porque caiu da vossa cabeça a coroa da vossa glória. 19As cidades do Sul estão fechadas, e ninguém há que as abra; todo o Judá foi levado para o exílio, todos cativos. 20Levantai os olhos e vede os que vêm do Norte; onde está o rebanho que te foi confiado, o teu lindo rebanho? 21Que dirás, quando ele puser por cabeça contra ti aqueles a quem ensinaste a ser amigos? Acaso, não se apoderarão de ti as dores, como à mulher que está de parto? 22Quando disseres contigo mesmo: Por que me sobrevieram estas coisas? Então, sabe que pela multidão das tuas maldades se levantaram as tuas fraldas, e os teus calcanhares sofrem violência.

23Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as suas manchas? Então, poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal. 24Pelo que os espalharei como o restolho, restolho que é arrebatado pelo vento do deserto. 25Esta será a tua sorte, a porção que te será medida por mim, diz o Senhor; pois te esqueceste de mim e confiaste em mentiras. 26Assim, também levantarei as tuas fraldas sobre o teu rosto; e aparecerão as tuas vergonhas. 27Tenho visto as tuas abominações sobre os outeiros e no campo, a saber, os teus adultérios, os teus rinchos e a luxúria da tua prostituição. Ai de ti, Jerusalém! Até quando ainda não te purificarás?

14

Grande seca em Judá

141Palavra do Senhor que veio a Jeremias a respeito da grande seca. 2Anda chorando Judá, as suas portas estão abandonadas e, de luto, se curvam até ao chão; e o clamor de Jerusalém vai subindo. 3Os seus poderosos enviam os criados a buscar água; estes vão às cisternas e não acham água; voltam com seus cântaros vazios e, decepcionados e confusos, cobrem a cabeça. 4Por não ter havido chuva sobre a terra, esta se acha deprimida; e, por isso, os lavradores, decepcionados, cobrem a cabeça. 5Até as cervas no campo têm as suas crias e as abandonam, porquanto não há erva. 6Os jumentos selvagens se põem nos desnudos altos e, ofegantes, sorvem o ar como chacais; os seus olhos desfalecem, porque não há erva.

Rejeitada a primeira intercessão de Jeremias

7Posto que as nossas maldades testificam contra nós, ó Senhor, age por amor do teu nome; porque as nossas rebeldias se multiplicaram; contra ti pecamos. 8Ó Esperança de Israel e Redentor seu no tempo da angústia, por que serias como estrangeiro na terra e como viandante que se desvia para passar a noite? 9Por que serias como homem surpreendido, como valente que não pode salvar? Mas tu, ó Senhor, estás em nosso meio, e somos chamados pelo teu nome; não nos desampares.

10Assim diz o Senhor sobre este povo: Gostam de andar errantes e não detêm os pés; por isso, o Senhor não se agrada deles, mas se lembrará da maldade deles e lhes punirá o pecado. 11Disse-me ainda o Senhor: Não rogues por este povo para o bem dele. 12Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor e, quando trouxerem holocaustos e ofertas de manjares, não me agradarei deles; antes, eu os consumirei pela espada, pela fome e pela peste.

Rejeitada a segunda intercessão de Jeremias

13Então, disse eu: Ah! Senhor Deus, eis que os profetas lhes dizem: Não vereis espada, nem tereis fome; mas vos darei verdadeira paz neste lugar. 14Disse-me o Senhor: Os profetas profetizam mentiras em meu nome, nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; visão falsa, adivinhação, vaidade e o engano do seu íntimo são o que eles vos profetizam. 15Portanto, assim diz o Senhor acerca dos profetas que, profetizando em meu nome, sem que eu os tenha mandado, dizem que nem espada, nem fome haverá nesta terra: À espada e à fome serão consumidos esses profetas. 16O povo a quem eles profetizam será lançado nas ruas de Jerusalém, por causa da fome e da espada; não haverá quem os sepulte, a ele, a suas mulheres, a seus filhos e a suas filhas; porque derramarei sobre eles a sua maldade. 17Portanto, lhes dirás esta palavra: Os meus olhos derramem lágrimas, de noite e de dia, e não cessem; porque a virgem, filha do meu povo, está profundamente golpeada, de ferida mui dolorosa. 18Se eu saio ao campo, eis aí os mortos à espada; se entro na cidade, estão ali os debilitados pela fome; até os profetas e os sacerdotes vagueiam pela terra e não sabem para onde vão.

Rejeitada, em absoluto, a terceira intercessão de Jeremias

19Acaso, já de todo rejeitaste a Judá? Ou aborrece a tua alma a Sião? Por que nos feriste, e não há cura para nós? Aguardamos a paz, e nada há de bom; o tempo da cura, e eis o terror. 20Conhecemos, ó Senhor, a nossa maldade e a iniquidade de nossos pais; porque temos pecado contra ti. 21Não nos rejeites, por amor do teu nome; não cubras de opróbrio o trono da tua glória; lembra-te e não anules a tua aliança conosco. 22Acaso, haverá entre os ídolos dos gentios algum que faça chover? Ou podem os céus de si mesmos dar chuvas? Não és tu somente, ó Senhor, nosso Deus, o que fazes isto? Portanto, em ti esperamos, pois tu fazes todas estas coisas.

15

151Disse-me, porém, o Senhor: Ainda que Moisés

15.1
Êx 32.11-14
Nm 14.13-19
e Samuel
15.1
1Sm 7.5-9
se pusessem diante de mim, meu coração não se inclinaria para este povo; lança-os de diante de mim, e saiam. 2Quando te perguntarem: Para onde iremos? Dir-lhes-ás: Assim diz o Senhor: O que é para a morte, para a morte; o que é para a espada,
15.2
Ap 13.10
para a espada; o que é para a fome, para a fome; e o que é para o cativeiro, para o cativeiro. 3Porque os punirei
15.3
Ap 6.8
com quatro sortes de castigos, diz o Senhor: com espada para matar, com cães para os arrastarem e com as aves dos céus e as feras do campo para os devorarem e destruírem. 4Entregá-los-ei para que sejam um espetáculo horrendo para todos os reinos da terra; por causa de Manassés,
15.4
2Rs 21.1-16
2Cr 33.1-9
filho de Ezequias, rei de Judá, por tudo quanto fez em Jerusalém.

5Pois quem se compadeceria de ti, ó Jerusalém? Ou quem se entristeceria por ti? Ou quem se desviaria a perguntar pelo teu bem-estar? 6Tu me rejeitaste, diz o Senhor, voltaste para trás; por isso, levantarei a mão contra ti e te destruirei; estou cansado de ter compaixão. 7Cirandei-os com a pá nas portas da terra; desfilhei e destruí o meu povo, mas não deixaram os seus caminhos. 8As suas viúvas se multiplicaram mais do que as areias dos mares; eu trouxe ao meio-dia um destruidor sobre a mãe de jovens; fiz cair de repente sobre ela angústia e pavor. 9Aquela que tinha sete filhos desmaiou como para expirar a alma; pôs-se-lhe o sol quando ainda era dia; ela ficou envergonhada e confundida, e os que ficaram dela, eu os entregarei à espada, diante dos seus inimigos, diz o Senhor.

O Senhor conforta ao seu profeta

10Ai de mim, minha mãe! Pois me deste à luz homem de rixa e homem de contendas para toda a terra! Nunca lhes emprestei com usura, nem eles me emprestaram a mim com usura; todavia, cada um deles me amaldiçoa.

11Disse o Senhor: Na verdade, eu te fortalecerei para o bem e farei que o inimigo te dirija súplicas no tempo da calamidade e no tempo da aflição. 12Pode alguém quebrar o ferro, o ferro do Norte, ou o bronze? 13Os teus bens e os teus tesouros entregarei gratuitamente ao saque, por todos os teus pecados e em todos os teus territórios. 14Levar-te-ei com os teus inimigos para a terra que não conheces; porque o fogo se acendeu em minha ira e sobre vós arderá.

15Tu, ó Senhor, o sabes; lembra-te de mim, ampara-me e vinga-me dos meus perseguidores; não me deixes ser arrebatado, por causa da tua longanimidade; sabe que por amor de ti tenho sofrido afrontas. 16Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó Senhor, Deus dos Exércitos. 17Nunca me assentei na roda dos que se alegram, nem me regozijei; oprimido por tua mão, eu me assentei solitário, pois já estou de posse das tuas ameaças. 18Por que dura a minha dor continuamente, e a minha ferida me dói e não admite cura? Serias tu para mim como ilusório ribeiro, como águas que enganam?

19Portanto, assim diz o Senhor: Se tu te arrependeres, eu te farei voltar e estarás diante de mim; se apartares o precioso do vil, serás a minha boca; e eles se tornarão a ti, mas tu não passarás para o lado deles. 20Eu te porei contra este povo como forte muro de bronze; eles pelejarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti; porque eu sou contigo para te salvar, para te livrar deles, diz o Senhor; 21arrebatar-te-ei das mãos dos iníquos, livrar-te-ei das garras dos violentos.