Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
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Servidão sob Jabim, rei de Canaã

41Os filhos de Israel tornaram a fazer o que era mau perante o Senhor, depois de falecer Eúde. 2Entregou-os o Senhor nas mãos de Jabim, rei de Canaã, que reinava em Hazor. Sísera era o comandante do seu exército, o qual, então, habitava em Harosete-Hagoim. 3Clamaram os filhos de Israel ao Senhor, porquanto Jabim tinha novecentos carros de ferro e, por vinte anos, oprimia duramente os filhos de Israel.

Débora e Baraque livram-nos

4Débora, profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo. 5Ela atendia debaixo da palmeira de Débora, entre Ramá e Betel, na região montanhosa de Efraim; e os filhos de Israel subiam a ela a juízo. 6Mandou ela chamar a Baraque, filho de Abinoão, de Quedes de Naftali, e disse-lhe: Porventura, o Senhor, Deus de Israel, não deu ordem, dizendo: Vai, e leva gente ao monte Tabor, e toma contigo dez mil homens dos filhos de Naftali e dos filhos de Zebulom? 7E farei ir a ti para o ribeiro Quisom a Sísera, comandante do exército de Jabim, com os seus carros e as suas tropas; e o darei nas tuas mãos. 8Então, lhe disse Baraque: Se fores comigo, irei; porém, se não fores comigo, não irei. 9Ela respondeu: Certamente, irei contigo, porém não será tua a honra da investida que empreendes; pois às mãos de uma mulher o Senhor entregará a Sísera. E saiu Débora e se foi com Baraque para Quedes. 10Então, Baraque convocou a Zebulom e a Naftali em Quedes, e com ele subiram dez mil homens; e Débora também subiu com ele.

11Ora, Héber, queneu, se tinha apartado dos queneus, dos filhos de Hobabe, sogro de Moisés, e havia armado as suas tendas até ao carvalho de Zaananim, que está junto a Quedes.

12Anunciaram a Sísera que Baraque, filho de Abinoão, tinha subido ao monte Tabor. 13Sísera convocou todos os seus carros, novecentos carros de ferro, e todo o povo que estava com ele, de Harosete-Hagoim para o ribeiro Quisom. 14Então, disse Débora a Baraque: Dispõe-te, porque este é o dia em que o Senhor entregou a Sísera nas tuas mãos; porventura, o Senhor não saiu adiante de ti? Baraque, pois, desceu do monte Tabor, e dez mil homens, após ele. 15E o Senhor derrotou a Sísera, e todos os seus carros, e a todo o seu exército a fio de espada, diante de Baraque; e Sísera saltou do carro e fugiu a pé. 16Mas Baraque perseguiu os carros e os exércitos até Harosete-Hagoim; e todo o exército de Sísera caiu a fio de espada, sem escapar nem sequer um.

Jael mata a Sísera

17Porém Sísera fugiu a pé para a tenda de Jael, mulher de Héber, queneu; porquanto havia paz entre Jabim, rei de Hazor, e a casa de Héber, queneu. 18Saindo Jael ao encontro de Sísera, disse-lhe: Entra, senhor meu, entra na minha tenda, não temas. Retirou-se para a sua tenda, e ela pôs sobre ele uma coberta. 19Então, ele lhe disse: Dá-me, peço-te, de beber um pouco de água, porque tenho sede. Ela abriu um odre de leite, e deu-lhe de beber, e o cobriu. 20E ele lhe disse mais: Põe-te à porta da tenda; e há de ser que, se vier alguém e te perguntar: Há aqui alguém?, responde: Não. 21Então, Jael, mulher de Héber, tomou uma estaca da tenda, e lançou mão de um martelo, e foi-se mansamente a ele, e lhe cravou a estaca na fonte, de sorte que penetrou na terra, estando ele em profundo sono e mui exausto; e, assim, morreu. 22E eis que, perseguindo Baraque a Sísera, Jael lhe saiu ao encontro e lhe disse: Vem, e mostrar-te-ei o homem que procuras. Ele a seguiu; e eis que Sísera jazia morto, e a estaca na fonte. 23Assim, Deus, naquele dia, humilhou a Jabim, rei de Canaã, diante dos filhos de Israel. 24E cada vez mais a mão dos filhos de Israel prevalecia contra Jabim, rei de Canaã, até que o exterminaram.

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O cântico de Débora

51Naquele dia, cantaram Débora e Baraque, filho de Abinoão, dizendo:

2Desde que os chefes se puseram à frente de Israel,

e o povo se ofereceu voluntariamente,

bendizei ao Senhor.

3Ouvi, reis, dai ouvidos, príncipes:

eu, eu mesma cantarei ao Senhor;

salmodiarei ao Senhor, Deus de Israel.

4Saindo tu, ó Senhor, de Seir,

marchando desde o campo de Edom,

a terra estremeceu;

os céus gotejaram,

sim, até as nuvens gotejaram águas.

5Os montes vacilaram diante do Senhor,

e até o Sinai,

5.5
Êx 19.18
diante do Senhor, Deus de Israel.

6Nos dias de Sangar, filho de Anate,

nos dias de Jael, cessaram as caravanas;

e os viajantes tomavam desvios tortuosos.

7Ficaram desertas as aldeias em Israel, repousaram,

até que eu, Débora, me levantei,

levantei-me por mãe em Israel.

8Escolheram-se deuses novos;

então, a guerra estava às portas;

não se via escudo nem lança

entre quarenta mil em Israel.

9Meu coração se inclina para os comandantes de Israel,

que, voluntariamente, se ofereceram entre o povo;

bendizei ao Senhor.

10Vós, os que cavalgais jumentas brancas,

que vos assentais em juízo

e que andais pelo caminho, falai disto.

11À música dos distribuidores de água,

lá entre os canais dos rebanhos,

falai dos atos de justiça do Senhor,

das justiças a prol de suas aldeias em Israel.

Então, o povo do Senhor

pôde descer ao seu lar.

12Desperta, Débora, desperta,

desperta, acorda, entoa um cântico;

levanta-te, Baraque, e leva presos

os que te prenderam, tu, filho de Abinoão.

13Então, desceu o restante dos nobres,

o povo do Senhor em meu auxílio contra os poderosos.

14De Efraim, cujas raízes estão na antiga região de Amaleque,

desceram guerreiros;

depois de ti, ó Débora,

seguiu Benjamim com seus povos;

de Maquir desceram comandantes,

e, de Zebulom, os que levam a vara de comando.

15Também os príncipes de Issacar foram com Débora;

Issacar seguiu a Baraque,

em cujas pegadas foi enviado para o vale.

Entre as facções de Rúben

houve grande discussão.

16Por que ficaste entre os currais

para ouvires a flauta?

Entre as facções de Rúben

houve grande discussão.

17Gileade ficou dalém do Jordão,

e Dã, por que se deteve junto a seus navios?

Aser se assentou nas costas do mar

e repousou nas suas baías.

18Zebulom é povo que expôs a sua vida à morte,

como também Naftali, nas alturas do campo.

19Vieram reis e pelejaram;

pelejaram os reis de Canaã

em Taanaque, junto às águas de Megido;

porém não levaram nenhum despojo de prata.

20Desde os céus pelejaram as estrelas

contra Sísera, desde a sua órbita o fizeram.

21O ribeiro Quisom os arrastou,

Quisom, o ribeiro das batalhas.

Avante, ó minha alma, firme!

22Então, as unhas dos cavalos socavam pelo galopar,

o galopar dos seus guerreiros.

23Amaldiçoai a Meroz, diz o Anjo do Senhor,

amaldiçoai duramente os seus moradores,

porque não vieram em socorro do Senhor,

em socorro do Senhor e seus heróis.

24Bendita seja sobre as mulheres Jael,

mulher de Héber, o queneu;

bendita seja sobre as mulheres que vivem em tendas.

25Água pediu ele, leite lhe deu ela;

em taça de príncipes lhe ofereceu nata.

26À estaca estendeu a mão e, ao maço dos trabalhadores, a direita;

e deu o golpe em Sísera,

rachou-lhe a cabeça,

furou e traspassou-lhe as fontes.

27Aos pés dela se encurvou,

caiu e ficou estirado;

a seus pés se encurvou e caiu;

onde se encurvou, ali caiu morto.

28A mãe de Sísera olhava pela janela

e exclamava pela grade:

Por que tarda em vir o seu carro?

Por que se demoram os passos dos seus cavalos?

29As mais sábias das suas damas respondem,

e até ela a si mesma respondia:

30Porventura, não achariam e repartiriam despojos?

Uma ou duas moças, a cada homem?

Para Sísera, estofos de várias cores,

estofos de várias cores de bordados;

um ou dois estofos bordados, para o pescoço da esposa?

31Assim, ó Senhor, pereçam todos os teus inimigos!

Porém os que te amam brilham como o sol

quando se levanta no seu esplendor.

E a terra ficou em paz quarenta anos.
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A opressão dos midianitas

61Fizeram os filhos de Israel o que era mau perante o Senhor; por isso, o Senhor os entregou nas mãos dos midianitas por sete anos. 2Prevalecendo o domínio dos midianitas sobre Israel, fizeram estes para si, por causa dos midianitas, as covas que estão nos montes, e as cavernas, e as fortificações. 3Porque, cada vez que Israel semeava, os midianitas e os amalequitas, como também os povos do Oriente, subiam contra ele. 4E contra ele se acampavam, destruindo os produtos da terra até à vizinhança de Gaza, e não deixavam em Israel sustento algum, nem ovelhas, nem bois, nem jumentos. 5Pois subiam com os seus gados e tendas e vinham como gafanhotos, em tanta multidão, que não se podiam contar, nem a eles nem aos seus camelos; e entravam na terra para a destruir. 6Assim, Israel ficou muito debilitado com a presença dos midianitas; então, os filhos de Israel clamavam ao Senhor.

7Tendo os filhos de Israel clamado ao Senhor, por causa dos midianitas, 8o Senhor lhes enviou um profeta, que lhes disse: Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Eu é que vos fiz subir do Egito e vos tirei da casa da servidão; 9e vos livrei da mão dos egípcios e da mão de todos quantos vos oprimiam; e os expulsei de diante de vós e vos dei a sua terra; 10e disse: Eu sou o Senhor, vosso Deus; não temais os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; contudo, não destes ouvidos à minha voz.

O chamamento de Gideão

11Então, veio o Anjo do Senhor, e assentou-se debaixo do carvalho que está em Ofra, que pertencia a Joás, abiezrita; e Gideão, seu filho, estava malhando o trigo no lagar, para o pôr a salvo dos midianitas. 12Então, o Anjo do Senhor lhe apareceu e lhe disse: O Senhor é contigo, homem valente. 13Respondeu-lhe Gideão: Ai, senhor meu! Se o Senhor é conosco, por que nos sobreveio tudo isto? E que é feito de todas as suas maravilhas que nossos pais nos contaram, dizendo: Não nos fez o Senhor subir do Egito? Porém, agora, o Senhor nos desamparou e nos entregou nas mãos dos midianitas. 14Então, se virou o Senhor para ele e disse: Vai nessa tua força e livra Israel da mão dos midianitas; porventura, não te enviei eu? 15E ele lhe disse: Ai, Senhor meu! Com que livrarei Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu, o menor na casa de meu pai. 16Tornou-lhe o Senhor: Já que eu estou contigo, ferirás os midianitas como se fossem um só homem. 17Ele respondeu: Se, agora, achei mercê diante dos teus olhos, dá-me um sinal de que és tu, Senhor, que me falas. 18Rogo-te que daqui não te apartes até que eu volte, e traga a minha oferta, e a deponha perante ti. Respondeu ele: Esperarei até que voltes.

19Entrou Gideão e preparou um cabrito e bolos asmos de um efa de farinha; a carne pôs num cesto, e o caldo, numa panela; e trouxe-lho até debaixo do carvalho e lho apresentou. 20Porém o Anjo de Deus lhe disse: Toma a carne e os bolos asmos, põe-nos sobre esta penha e derrama-lhes por cima o caldo. E assim o fez. 21Estendeu o Anjo do Senhor a ponta do cajado que trazia na mão e tocou a carne e os bolos asmos; então, subiu fogo da penha e consumiu a carne e os bolos; e o Anjo do Senhor desapareceu de sua presença. 22Viu Gideão que era o Anjo do Senhor e disse: Ai de mim, Senhor Deus! Pois vi o Anjo do Senhor face a face. 23Porém o Senhor lhe disse: Paz seja contigo! Não temas! Não morrerás! 24Então, Gideão edificou ali um altar ao Senhor e lhe chamou de O Senhor É Paz. Ainda até ao dia de hoje está o altar em Ofra, que pertence aos abiezritas.

Gideão destrói o altar de Baal

25Naquela mesma noite, lhe disse o Senhor: Toma um boi que pertence a teu pai, a saber, o segundo boi de sete anos, e derriba o altar de Baal que é de teu pai, e corta o poste-ídolo que está junto ao altar. 26Edifica ao Senhor, teu Deus, um altar no cimo deste baluarte, em camadas de pedra, e toma o segundo boi, e o oferecerás em holocausto com a lenha do poste-ídolo que vieres a cortar. 27Então, Gideão tomou dez homens dentre os seus servos e fez como o Senhor lhe dissera; temendo ele, porém, a casa de seu pai e os homens daquela cidade, não o fez de dia, mas de noite.

28Levantando-se, pois, de madrugada, os homens daquela cidade, eis que estava o altar de Baal derribado, e o poste-ídolo que estava junto dele, cortado; e o referido segundo boi fora oferecido no altar edificado. 29E uns aos outros diziam: Quem fez isto? E, perguntando e inquirindo, disseram: Gideão, o filho de Joás, fez esta coisa. 30Então, os homens daquela cidade disseram a Joás: Leva para fora o teu filho, para que morra; pois derribou o altar de Baal e cortou o poste-ídolo que estava junto dele. 31Porém Joás disse a todos os que se puseram contra ele: Contendereis vós por Baal? Livrá-lo-eis vós? Qualquer que por ele contender, ainda esta manhã, será morto. Se é deus, que por si mesmo contenda; pois derribaram o seu altar. 32Naquele dia, Gideão passou a ser chamado Jerubaal, porque foi dito: Baal contenda contra ele, pois ele derribou o seu altar.

33E todos os midianitas, e amalequitas, e povos do Oriente se ajuntaram, e passaram, e se acamparam no vale de Jezreel. 34Então, o Espírito do Senhor revestiu a Gideão, o qual tocou a rebate, e os abiezritas se ajuntaram após dele. 35Enviou mensageiros por toda a tribo de Manassés, que também foi convocada para o seguir; enviou ainda mensageiros a Aser, e a Zebulom, e a Naftali, e saíram para encontrar-se com ele.

36Disse Gideão a Deus: Se hás de livrar a Israel por meu intermédio, como disseste, 37eis que eu porei uma porção de lã na eira; se o orvalho estiver somente nela, e seca a terra ao redor, então, conhecerei que hás de livrar Israel por meu intermédio, como disseste. 38E assim sucedeu, porque, ao outro dia, se levantou de madrugada e, apertando a lã, do orvalho dela espremeu uma taça cheia de água. 39Disse mais Gideão: Não se acenda contra mim a tua ira, se ainda falar só esta vez; rogo-te que mais esta vez faça eu a prova com a lã; que só a lã esteja seca, e na terra ao redor haja orvalho. 40E Deus assim o fez naquela noite, pois só a lã estava seca, e sobre a terra ao redor havia orvalho.