Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
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Povos pagãos no meio de Israel

31São estas as nações que o Senhor deixou para, por elas, provar a Israel, isto é, provar quantos em Israel não sabiam de todas as guerras de Canaã. 2Isso tão somente para que as gerações dos filhos de Israel delas soubessem (para lhes ensinar a guerra), pelo menos as gerações que, dantes, não sabiam disso: 3cinco príncipes dos filisteus, e todos os cananeus, e sidônios, e heveus que habitavam as montanhas do Líbano, desde o monte de Baal-Hermom até à entrada de Hamate. 4Estes ficaram para, por eles, o Senhor pôr Israel à prova, para saber se dariam ouvidos aos mandamentos que havia ordenado a seus pais por intermédio de Moisés. 5Habitando, pois, os filhos de Israel no meio dos cananeus, dos heteus, e amorreus, e ferezeus, e heveus, e jebuseus, 6tomaram de suas filhas para si por mulheres e deram as suas próprias aos filhos deles; e rendiam culto a seus deuses.

Otniel livra os israelitas do poder de Cusã-Risataim

7Os filhos de Israel fizeram o que era mau perante o Senhor e se esqueceram do Senhor, seu Deus; e renderam culto aos baalins e ao poste-ídolo. 8Então, a ira do Senhor se acendeu contra Israel, e ele os entregou nas mãos de Cusã-Risataim, rei da Mesopotâmia; e os filhos de Israel serviram a Cusã-Risataim oito anos. 9Clamaram ao Senhor os filhos de Israel, e o Senhor lhes suscitou libertador, que os libertou: Otniel, filho de Quenaz, que era irmão de Calebe e mais novo do que ele. 10Veio sobre ele o Espírito do Senhor, e ele julgou a Israel; saiu à peleja, e o Senhor lhe entregou nas mãos a Cusã-Risataim, rei da Mesopotâmia, contra o qual ele prevaleceu. 11Então, a terra ficou em paz durante quarenta anos. Otniel, filho de Quenaz, faleceu.

Servidão sob Eglom

12Tornaram, então, os filhos de Israel a fazer o que era mau perante o Senhor; mas o Senhor deu poder a Eglom, rei dos moabitas, contra Israel, porquanto fizeram o que era mau perante o Senhor. 13E ajuntou consigo os filhos de Amom e os amalequitas, e foi, e feriu a Israel; e apoderaram-se da cidade das Palmeiras. 14E os filhos de Israel serviram a Eglom, rei dos moabitas, dezoito anos.

Eúde livra-os

15Então, os filhos de Israel clamaram ao Senhor, e o Senhor lhes suscitou libertador: Eúde, homem canhoto, filho de Gera, benjamita. Por intermédio dele, enviaram os filhos de Israel tributo a Eglom, rei dos moabitas. 16Eúde fez para si um punhal de dois gumes, do comprimento de um côvado; e cingiu-o debaixo das suas vestes, do lado direito. 17Levou o tributo a Eglom, rei dos moabitas; era Eglom homem gordo. 18Tendo entregado o tributo, despediu a gente que o trouxera e saiu com ela. 19Porém voltou do ponto em que estavam as imagens de escultura ao pé de Gilgal e disse ao rei: Tenho uma palavra secreta a dizer-te, ó rei. O rei disse: Cala-te. Então, todos os que lhe assistiam saíram de sua presença. 20Eúde entrou numa sala de verão, que o rei tinha só para si, onde estava assentado, e disse: Tenho a dizer-te uma palavra de Deus. E Eglom se levantou da cadeira. 21Então, Eúde, estendendo a mão esquerda, puxou o seu punhal do lado direito e lho cravou no ventre, 22de tal maneira que entrou também o cabo com a lâmina, e, porque não o retirou do ventre, a gordura se fechou sobre ele; e Eúde, saindo por um postigo, 23passou para o vestíbulo, depois de cerrar sobre ele as portas, trancando-as. 24Tendo saído, vieram os servos do rei e viram, e eis que as portas da sala de verão estavam trancadas; e disseram: Sem dúvida está ele aliviando o ventre na privada da sala de verão. 25Aborreceram-se de esperar; e, como não abria a porta da sala, tomaram da chave e a abriram; e eis seu senhor estendido morto em terra. 26Eúde escapou enquanto eles se demoravam e, tendo passado pelas imagens de escultura, foi para Seirá. 27Tendo ele chegado, tocou a trombeta nas montanhas de Efraim; e os filhos de Israel desceram com ele das montanhas, indo ele à frente. 28E lhes disse: Segui-me, porque o Senhor entregou nas vossas mãos os vossos inimigos, os moabitas; e desceram após ele, e tomaram os vaus do Jordão contra os moabitas, e a nenhum deles deixaram passar. 29Naquele tempo, feriram dos moabitas uns dez mil homens, todos robustos e valentes; e não escapou nem sequer um. 30Assim, foi Moabe subjugado, naquele dia, sob o poder de Israel; e a terra ficou em paz oitenta anos.

31Depois dele, foi Sangar, filho de Anate, que feriu seiscentos homens dos filisteus com uma aguilhada de bois; e também ele libertou a Israel.

4

Servidão sob Jabim, rei de Canaã

41Os filhos de Israel tornaram a fazer o que era mau perante o Senhor, depois de falecer Eúde. 2Entregou-os o Senhor nas mãos de Jabim, rei de Canaã, que reinava em Hazor. Sísera era o comandante do seu exército, o qual, então, habitava em Harosete-Hagoim. 3Clamaram os filhos de Israel ao Senhor, porquanto Jabim tinha novecentos carros de ferro e, por vinte anos, oprimia duramente os filhos de Israel.

Débora e Baraque livram-nos

4Débora, profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo. 5Ela atendia debaixo da palmeira de Débora, entre Ramá e Betel, na região montanhosa de Efraim; e os filhos de Israel subiam a ela a juízo. 6Mandou ela chamar a Baraque, filho de Abinoão, de Quedes de Naftali, e disse-lhe: Porventura, o Senhor, Deus de Israel, não deu ordem, dizendo: Vai, e leva gente ao monte Tabor, e toma contigo dez mil homens dos filhos de Naftali e dos filhos de Zebulom? 7E farei ir a ti para o ribeiro Quisom a Sísera, comandante do exército de Jabim, com os seus carros e as suas tropas; e o darei nas tuas mãos. 8Então, lhe disse Baraque: Se fores comigo, irei; porém, se não fores comigo, não irei. 9Ela respondeu: Certamente, irei contigo, porém não será tua a honra da investida que empreendes; pois às mãos de uma mulher o Senhor entregará a Sísera. E saiu Débora e se foi com Baraque para Quedes. 10Então, Baraque convocou a Zebulom e a Naftali em Quedes, e com ele subiram dez mil homens; e Débora também subiu com ele.

11Ora, Héber, queneu, se tinha apartado dos queneus, dos filhos de Hobabe, sogro de Moisés, e havia armado as suas tendas até ao carvalho de Zaananim, que está junto a Quedes.

12Anunciaram a Sísera que Baraque, filho de Abinoão, tinha subido ao monte Tabor. 13Sísera convocou todos os seus carros, novecentos carros de ferro, e todo o povo que estava com ele, de Harosete-Hagoim para o ribeiro Quisom. 14Então, disse Débora a Baraque: Dispõe-te, porque este é o dia em que o Senhor entregou a Sísera nas tuas mãos; porventura, o Senhor não saiu adiante de ti? Baraque, pois, desceu do monte Tabor, e dez mil homens, após ele. 15E o Senhor derrotou a Sísera, e todos os seus carros, e a todo o seu exército a fio de espada, diante de Baraque; e Sísera saltou do carro e fugiu a pé. 16Mas Baraque perseguiu os carros e os exércitos até Harosete-Hagoim; e todo o exército de Sísera caiu a fio de espada, sem escapar nem sequer um.

Jael mata a Sísera

17Porém Sísera fugiu a pé para a tenda de Jael, mulher de Héber, queneu; porquanto havia paz entre Jabim, rei de Hazor, e a casa de Héber, queneu. 18Saindo Jael ao encontro de Sísera, disse-lhe: Entra, senhor meu, entra na minha tenda, não temas. Retirou-se para a sua tenda, e ela pôs sobre ele uma coberta. 19Então, ele lhe disse: Dá-me, peço-te, de beber um pouco de água, porque tenho sede. Ela abriu um odre de leite, e deu-lhe de beber, e o cobriu. 20E ele lhe disse mais: Põe-te à porta da tenda; e há de ser que, se vier alguém e te perguntar: Há aqui alguém?, responde: Não. 21Então, Jael, mulher de Héber, tomou uma estaca da tenda, e lançou mão de um martelo, e foi-se mansamente a ele, e lhe cravou a estaca na fonte, de sorte que penetrou na terra, estando ele em profundo sono e mui exausto; e, assim, morreu. 22E eis que, perseguindo Baraque a Sísera, Jael lhe saiu ao encontro e lhe disse: Vem, e mostrar-te-ei o homem que procuras. Ele a seguiu; e eis que Sísera jazia morto, e a estaca na fonte. 23Assim, Deus, naquele dia, humilhou a Jabim, rei de Canaã, diante dos filhos de Israel. 24E cada vez mais a mão dos filhos de Israel prevalecia contra Jabim, rei de Canaã, até que o exterminaram.

5

O cântico de Débora

51Naquele dia, cantaram Débora e Baraque, filho de Abinoão, dizendo:

2Desde que os chefes se puseram à frente de Israel,

e o povo se ofereceu voluntariamente,

bendizei ao Senhor.

3Ouvi, reis, dai ouvidos, príncipes:

eu, eu mesma cantarei ao Senhor;

salmodiarei ao Senhor, Deus de Israel.

4Saindo tu, ó Senhor, de Seir,

marchando desde o campo de Edom,

a terra estremeceu;

os céus gotejaram,

sim, até as nuvens gotejaram águas.

5Os montes vacilaram diante do Senhor,

e até o Sinai,

5.5
Êx 19.18
diante do Senhor, Deus de Israel.

6Nos dias de Sangar, filho de Anate,

nos dias de Jael, cessaram as caravanas;

e os viajantes tomavam desvios tortuosos.

7Ficaram desertas as aldeias em Israel, repousaram,

até que eu, Débora, me levantei,

levantei-me por mãe em Israel.

8Escolheram-se deuses novos;

então, a guerra estava às portas;

não se via escudo nem lança

entre quarenta mil em Israel.

9Meu coração se inclina para os comandantes de Israel,

que, voluntariamente, se ofereceram entre o povo;

bendizei ao Senhor.

10Vós, os que cavalgais jumentas brancas,

que vos assentais em juízo

e que andais pelo caminho, falai disto.

11À música dos distribuidores de água,

lá entre os canais dos rebanhos,

falai dos atos de justiça do Senhor,

das justiças a prol de suas aldeias em Israel.

Então, o povo do Senhor

pôde descer ao seu lar.

12Desperta, Débora, desperta,

desperta, acorda, entoa um cântico;

levanta-te, Baraque, e leva presos

os que te prenderam, tu, filho de Abinoão.

13Então, desceu o restante dos nobres,

o povo do Senhor em meu auxílio contra os poderosos.

14De Efraim, cujas raízes estão na antiga região de Amaleque,

desceram guerreiros;

depois de ti, ó Débora,

seguiu Benjamim com seus povos;

de Maquir desceram comandantes,

e, de Zebulom, os que levam a vara de comando.

15Também os príncipes de Issacar foram com Débora;

Issacar seguiu a Baraque,

em cujas pegadas foi enviado para o vale.

Entre as facções de Rúben

houve grande discussão.

16Por que ficaste entre os currais

para ouvires a flauta?

Entre as facções de Rúben

houve grande discussão.

17Gileade ficou dalém do Jordão,

e Dã, por que se deteve junto a seus navios?

Aser se assentou nas costas do mar

e repousou nas suas baías.

18Zebulom é povo que expôs a sua vida à morte,

como também Naftali, nas alturas do campo.

19Vieram reis e pelejaram;

pelejaram os reis de Canaã

em Taanaque, junto às águas de Megido;

porém não levaram nenhum despojo de prata.

20Desde os céus pelejaram as estrelas

contra Sísera, desde a sua órbita o fizeram.

21O ribeiro Quisom os arrastou,

Quisom, o ribeiro das batalhas.

Avante, ó minha alma, firme!

22Então, as unhas dos cavalos socavam pelo galopar,

o galopar dos seus guerreiros.

23Amaldiçoai a Meroz, diz o Anjo do Senhor,

amaldiçoai duramente os seus moradores,

porque não vieram em socorro do Senhor,

em socorro do Senhor e seus heróis.

24Bendita seja sobre as mulheres Jael,

mulher de Héber, o queneu;

bendita seja sobre as mulheres que vivem em tendas.

25Água pediu ele, leite lhe deu ela;

em taça de príncipes lhe ofereceu nata.

26À estaca estendeu a mão e, ao maço dos trabalhadores, a direita;

e deu o golpe em Sísera,

rachou-lhe a cabeça,

furou e traspassou-lhe as fontes.

27Aos pés dela se encurvou,

caiu e ficou estirado;

a seus pés se encurvou e caiu;

onde se encurvou, ali caiu morto.

28A mãe de Sísera olhava pela janela

e exclamava pela grade:

Por que tarda em vir o seu carro?

Por que se demoram os passos dos seus cavalos?

29As mais sábias das suas damas respondem,

e até ela a si mesma respondia:

30Porventura, não achariam e repartiriam despojos?

Uma ou duas moças, a cada homem?

Para Sísera, estofos de várias cores,

estofos de várias cores de bordados;

um ou dois estofos bordados, para o pescoço da esposa?

31Assim, ó Senhor, pereçam todos os teus inimigos!

Porém os que te amam brilham como o sol

quando se levanta no seu esplendor.

E a terra ficou em paz quarenta anos.
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