Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
3

Os pecados da língua e o dever de refreá-la

31Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo. 2Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo. 3Ora, se pomos freio na boca dos cavalos, para nos obedecerem, também lhes dirigimos o corpo inteiro. 4Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes e batidos de rijos ventos, por um pequeníssimo leme são dirigidos para onde queira o impulso do timoneiro. 5Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva! 6Ora, a língua é fogo; é mundo de iniquidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno. 7Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano; 8a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero. 9Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.

3.9
Gn 1.26
10De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim. 11Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso? 12Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Tampouco fonte de água salgada pode dar água doce.

A sabedoria lá do alto

13Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. 14Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade. 15Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca. 16Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. 17A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento. 18Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz.

4

A origem das contendas

41De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne? 2Cobiçais e nada tendes; matais, e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e a fazer guerras. Nada tendes, porque não pedis; 3pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres. 4Infiéis,4.4 Infiéis; no original, adúlteras, isto é, os que são desleais para com Deus não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. 5Ou supondes que em vão afirma a Escritura:

É com ciúme que por nós anseia o Espírito, que ele fez habitar em nós?

6Antes, ele dá maior graça; pelo que diz:

Deus resiste aos soberbos,

4.6
Pv 3.34
mas dá graça aos humildes.

7Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. 8Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração. 9Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. 10Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará.

A maledicência é condenada

11Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão ou julga a seu irmão fala mal da lei e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz. 12Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer; tu, porém, quem és, que julgas o próximo?

A falibilidade dos projetos humanos

13Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. 14Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. 15Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo. 16Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna.

4.13-16
Pv 27.1
17Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando.

5

Deus condena as riquezas mal adquiridas e mal empregadas

51Atendei, agora, ricos, chorai lamentando, por causa das vossas desventuras, que vos sobrevirão. 2As vossas riquezas estão corruptas, e as vossas roupagens, comidas de traça; 3o vosso ouro e a vossa prata foram gastos de ferrugens, e a sua ferrugem há de ser por testemunho contra vós mesmos e há de devorar, como fogo, as vossas carnes. Tesouros acumulastes nos últimos dias.

5.2-3
Mt 6.19
4Eis que o salário dos trabalhadores
5.4
Dt 24.14-15
que ceifaram os vossos campos e que por vós foi retido com fraude está clamando; e os clamores dos ceifeiros penetraram até aos ouvidos do Senhor dos Exércitos. 5Tendes vivido regaladamente sobre a terra; tendes vivido nos prazeres; tendes engordado o vosso coração, em dia de matança; 6tendes condenado e matado o justo, sem que ele vos faça resistência.

A necessidade, bênçãos e exemplo da paciência

7Sede, pois, irmãos, pacientes, até à vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e as últimas chuvas. 8Sede vós também pacientes e fortalecei o vosso coração, pois a vinda do Senhor está próxima. 9Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não serdes julgados. Eis que o juiz está às portas. 10Irmãos, tomai por modelo no sofrimento e na paciência os profetas, os quais falaram em nome do Senhor. 11Eis que temos por felizes os que perseveraram firmes. Tendes ouvido da paciência de Jó

5.11
Jó 1.21-22
2.10
e vistes que fim o Senhor lhe deu; porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo.
5.11
Sl 103.8

O juramento proibido e o proceder cristão em várias experiências da vida

12Acima de tudo, porém, meus irmãos, não jureis

5.12
Mt 5.34-37
nem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outro voto; antes, seja o vosso sim sim, e o vosso não não, para não cairdes em juízo.

13Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores. 14Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo,

5.14
Mc 6.13
em nome do Senhor. 15E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. 16Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo. 17Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu. 18E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar seus frutos.
5.17-18
1Rs 17.1
18.1,42

19Meus irmãos, se algum entre vós se desviar da verdade, e alguém o converter, 20sabei que aquele que converte o pecador do seu caminho errado salvará da morte a alma dele e cobrirá multidão de pecados.

5.20
Pv 10.12