Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
2

Não se deve fazer acepção de pessoas

21Meus irmãos, não tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas. 2Se, portanto, entrar na vossa sinagoga algum homem com anéis de ouro nos dedos, em trajos de luxo, e entrar também algum pobre andrajoso, 3e tratardes com deferência o que tem os trajos de luxo e lhe disserdes: Tu, assenta-te aqui em lugar de honra; e disserdes ao pobre: Tu, fica ali em pé ou assenta-te aqui abaixo do estrado dos meus pés, 4não fizestes distinção entre vós mesmos e não vos tornastes juízes tomados de perversos pensamentos? 5Ouvi, meus amados irmãos. Não escolheu Deus os que para o mundo são pobres, para serem ricos em fé e herdeiros do reino que ele prometeu aos que o amam? 6Entretanto, vós outros menosprezastes o pobre. Não são os ricos que vos oprimem e não são eles que vos arrastam para tribunais? 7Não são eles os que blasfemam o bom nome que sobre vós foi invocado? 8Se vós, contudo, observais a lei régia segundo a Escritura:

Amarás o teu próximo como a ti mesmo,

2.8
Lv 19.18

fazeis bem; 9se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo arguidos pela lei como transgressores. 10Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos. 11Porquanto, aquele que disse:

Não adulterarás

2.11
Êx 20.13
Dt 5.17

também ordenou:

Não matarás.

2.11
Êx 20.14
Dt 5.18

Ora, se não adulteras, porém matas, vens a ser transgressor da lei. 12Falai de tal maneira e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados pela lei da liberdade. 13Porque o juízo é sem misericórdia para com aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo.

A fé sem obras é morta

14Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? 15Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, 16e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? 17Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.

18Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé. 19Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios creem e tremem. 20Queres, pois, ficar certo, ó homem insensato, de que a fé sem as obras é inoperante? 21Não foi por obras que Abraão, o nosso pai, foi justificado, quando ofereceu sobre o altar o próprio filho, Isaque?

2.21
Gn 22.1-14
22Vês como a fé operava juntamente com as suas obras; com efeito, foi pelas obras que a fé se consumou, 23e se cumpriu a Escritura, a qual diz:

Ora, Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça;

2.23
Gn 15.6

e:

Foi chamado amigo de Deus.

2.23
2Cr 20.7
Is 41.8

24Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente. 25De igual modo, não foi também justificada por obras a meretriz Raabe,
2.25
Js 2.1-21
quando acolheu os emissários e os fez partir por outro caminho? 26Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta.
3

Os pecados da língua e o dever de refreá-la

31Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo. 2Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo. 3Ora, se pomos freio na boca dos cavalos, para nos obedecerem, também lhes dirigimos o corpo inteiro. 4Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes e batidos de rijos ventos, por um pequeníssimo leme são dirigidos para onde queira o impulso do timoneiro. 5Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva! 6Ora, a língua é fogo; é mundo de iniquidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno. 7Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano; 8a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero. 9Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.

3.9
Gn 1.26
10De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim. 11Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso? 12Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Tampouco fonte de água salgada pode dar água doce.

A sabedoria lá do alto

13Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. 14Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade. 15Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca. 16Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. 17A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento. 18Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz.

4

A origem das contendas

41De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne? 2Cobiçais e nada tendes; matais, e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e a fazer guerras. Nada tendes, porque não pedis; 3pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres. 4Infiéis,4.4 Infiéis; no original, adúlteras, isto é, os que são desleais para com Deus não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. 5Ou supondes que em vão afirma a Escritura:

É com ciúme que por nós anseia o Espírito, que ele fez habitar em nós?

6Antes, ele dá maior graça; pelo que diz:

Deus resiste aos soberbos,

4.6
Pv 3.34
mas dá graça aos humildes.

7Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. 8Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração. 9Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. 10Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará.

A maledicência é condenada

11Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão ou julga a seu irmão fala mal da lei e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz. 12Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer; tu, porém, quem és, que julgas o próximo?

A falibilidade dos projetos humanos

13Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. 14Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. 15Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo. 16Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna.

4.13-16
Pv 27.1
17Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando.