Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
5

A parábola da vinha má

51Agora, cantarei ao meu amado o cântico do meu amado a respeito da sua vinha. O meu amado teve uma vinha num outeiro fertilíssimo. 2Sachou-a, limpou-a das pedras e a plantou de vides escolhidas; edificou no meio dela uma torre e também abriu um lagar. Ele esperava que desse uvas boas, mas deu uvas bravas.

5.1-2
Mt 21.33
Mc 12.1
Lc 20.9
3Agora, pois, ó moradores de Jerusalém e homens de Judá, julgai, vos peço, entre mim e a minha vinha. 4Que mais se podia fazer ainda à minha vinha, que eu lhe não tenha feito? E como, esperando eu que desse uvas boas, veio a produzir uvas bravas? 5Agora, pois, vos farei saber o que pretendo fazer à minha vinha: tirarei a sua sebe, para que a vinha sirva de pasto; derribarei o seu muro, para que seja pisada; 6torná-la-ei em deserto. Não será podada, nem sachada, mas crescerão nela espinheiros e abrolhos; às nuvens darei ordem que não derramem chuva sobre ela. 7Porque a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta dileta do Senhor; este desejou que exercessem juízo, e eis aí quebrantamento da lei; justiça, e eis aí clamor.

Ais contra os perversos

8Ai dos que ajuntam casa a casa, reúnem campo a campo, até que não haja mais lugar, e ficam como únicos moradores no meio da terra! 9A meus ouvidos disse o Senhor dos Exércitos: Em verdade, muitas casas ficarão desertas, até as grandes e belas, sem moradores. 10E dez jeiras de vinha não darão mais do que um bato, e um ômer cheio de semente não dará mais do que um efa.

11Ai dos que se levantam pela manhã e seguem a bebedice e continuam até alta noite, até que o vinho os esquenta! 12Liras e harpas, tamboris e flautas e vinho há nos seus banquetes; porém não consideram os feitos do Senhor, nem olham para as obras das suas mãos. 13Portanto, o meu povo será levado cativo, por falta de entendimento; os seus nobres terão fome, e a sua multidão se secará de sede. 14Por isso, a cova aumentou o seu apetite, abriu a sua boca desmesuradamente; para lá desce a glória de Jerusalém, e o seu tumulto, e o seu ruído, e quem nesse meio folgava. 15Então, a gente se abate, e o homem se avilta; e os olhos dos altivos são humilhados. 16Mas o Senhor dos Exércitos é exaltado em juízo; e Deus, o Santo, é santificado em justiça. 17Então, os cordeiros pastarão lá como se no seu pasto; e os nômades se nutrirão dos campos dos ricos lá abandonados.

18Ai dos que puxam para si a iniquidade com cordas de injustiça e o pecado, como com tirantes de carro! 19E dizem: Apresse-se Deus, leve a cabo a sua obra, para que a vejamos; aproxime-se, manifeste-se o conselho do Santo de Israel, para que o conheçamos.

20Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!

21Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e prudentes em seu próprio conceito!

22Ai dos que são heróis para beber vinho e valentes para misturar bebida forte, 23os quais por suborno justificam o perverso e ao justo negam justiça!

24Pelo que, como a língua de fogo consome o restolho, e a erva seca se desfaz pela chama, assim será a sua raiz como podridão, e a sua flor se esvaecerá como pó; porquanto rejeitaram a lei do Senhor dos Exércitos e desprezaram a palavra do Santo de Israel. 25Por isso, se acende a ira do Senhor contra o seu povo, povo contra o qual estende a mão e o fere, de modo que tremem os montes e os seus cadáveres são como monturo no meio das ruas. Com tudo isto não se aplaca a sua ira, mas ainda está estendida a sua mão.

26Ele arvorará o estandarte para as nações distantes e lhes assobiará para que venham das extremidades da terra; e vêm apressadamente. 27Não há entre elas cansado, nem quem tropece; ninguém tosqueneja, nem dorme; não se lhe desata o cinto dos seus lombos, nem se lhe rompe das sandálias a correia. 28As suas flechas são agudas, e todos os seus arcos, retesados; as unhas dos seus cavalos dizem-se de pederneira, e as rodas dos seus carros, um redemoinho. 29O seu rugido é como o do leão; rugem como filhos de leão, e, rosnando, arrebatam a presa, e a levam, e não há quem a livre. 30Bramam contra eles naquele dia, como o bramido do mar; se alguém olhar para a terra, eis que só há trevas e angústia, e a luz se escurece em densas nuvens.

6

A visão de Isaías e o seu chamamento

61No ano da morte do rei Uzias,

6.1
2Rs 15.7
2Cr 26.23
eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. 2Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. 3E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.
6.2-3
Ap 4.8
4As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça.
6.4
Ap 15.8
5Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!

6Então, um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; 7com a brasa tocou a minha boca e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniquidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado.

8Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim. 9Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais. 10Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo.

6.9-10
Mt 13.14-15
Mc 4.12
Lc 8.10
Jo 12.40
At 28.26-27
11Então, disse eu: até quando, Senhor? Ele respondeu: Até que sejam desoladas as cidades e fiquem sem habitantes, as casas fiquem sem moradores, e a terra seja de todo assolada, 12e o Senhor afaste dela os homens, e no meio da terra seja grande o desamparo. 13Mas, se ainda ficar a décima parte dela, tornará a ser destruída. Como terebinto e como carvalho, dos quais, depois de derribados, ainda fica o toco, assim a santa semente é o seu toco.

7

Profecia contra Israel e a Síria

71Sucedeu nos dias de Acaz, filho de Jotão, filho de Uzias, rei de Judá, que Rezim,

7.1
2Rs 16.5
2Cr 28.5-6
rei da Síria, e Peca, filho de Remalias, rei de Israel, subiram a Jerusalém, para pelejarem contra ela, porém não prevaleceram contra ela. 2Deu-se aviso à casa de Davi: A Síria está aliada com Efraim. Então, ficou agitado o coração de Acaz e o coração do seu povo, como se agitam as árvores do bosque com o vento.

3Disse o Senhor a Isaías: Agora, sai tu com teu filho, que se chama Um-Resto-Volverá, ao encontro de Acaz, que está na outra extremidade do aqueduto do açude superior, junto ao caminho do campo do lavadeiro, 4e dize-lhe: Acautela-te e aquieta-te; não temas, nem se desanime o teu coração por causa destes dois tocos de tições fumegantes; por causa do ardor da ira de Rezim, e da Síria, e do filho de Remalias. 5Porquanto a Síria resolveu fazer-te mal, bem como Efraim e o filho de Remalias, dizendo: 6Subamos contra Judá, e amedrontemo-lo, e o conquistemos para nós, e façamos reinar no meio dele o filho de Tabeal. 7Assim diz o Senhor Deus: Isto não subsistirá, nem tampouco acontecerá. 8Mas a capital da Síria será Damasco, e o cabeça de Damasco, Rezim, e dentro de sessenta e cinco anos Efraim será destruído e deixará de ser povo. 9Entretanto, a capital de Efraim será Samaria, e o cabeça de Samaria, o filho de Remalias; se o não crerdes, certamente, não permanecereis.

A promessa a respeito de Emanuel

10E continuou o Senhor a falar com Acaz, dizendo: 11Pede ao Senhor, teu Deus, um sinal, quer seja embaixo, nas profundezas, ou em cima, nas alturas. 12Acaz, porém, disse: Não o pedirei, nem tentarei ao Senhor. 13Então, disse o profeta: Ouvi, agora, ó casa de Davi: acaso, não vos basta fatigardes os homens, mas ainda fatigais também ao meu Deus? 14Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis

7.14
Mt 1.23
que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel. 15Ele comerá manteiga e mel quando souber desprezar o mal e escolher o bem. 16Na verdade, antes que este menino saiba desprezar o mal e escolher o bem, será desamparada a terra ante cujos dois reis tu tremes de medo.

Males sobre Jerusalém

17Mas o Senhor fará vir sobre ti, sobre o teu povo e sobre a casa de teu pai, por intermédio do rei da Assíria, dias tais, quais nunca vieram, desde o dia em que Efraim se separou de Judá. 18Porque há de acontecer que, naquele dia, assobiará o Senhor às moscas que há no extremo dos rios do Egito e às abelhas que andam na terra da Assíria; 19elas virão e pousarão todas nos vales profundos, nas fendas das rochas, em todos os espinhos e em todos os pastios.

20Naquele dia, rapar-te-á o Senhor com uma navalha alugada doutro lado do rio, a saber, por meio do rei da Assíria, a cabeça e os cabelos das vergonhas e tirará também a barba. 21Naquele dia, sucederá que um homem manterá apenas uma vaca nova e duas ovelhas, 22e será tal a abundância de leite que elas lhe darão, que comerá manteiga; manteiga e mel comerá todo o restante no meio da terra. 23Também, naquele dia, todo lugar em que houver mil vides, do valor de mil siclos de prata, será para espinheiros e abrolhos. 24Com flechas e arco se entrará aí, porque os espinheiros e abrolhos cobrirão toda a terra. 25Quanto a todos os montes, que os homens costumam sachar, para ali não irás por temeres os espinhos e abrolhos; serão para pasto de bois e para serem pisados de ovelhas.