Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
31

O Egito é homem e não deus

311Ai dos que descem ao Egito em busca de socorro e se estribam em cavalos; que confiam em carros, porque são muitos, e em cavaleiros, porque são mui fortes, mas não atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao Senhor! 2Todavia, este é sábio, e faz vir o mal, e não retira as suas palavras; ele se levantará contra a casa dos malfeitores e contra a ajuda dos que praticam a iniquidade. 3Pois os egípcios são homens e não deuses; os seus cavalos, carne e não espírito. Quando o Senhor estender a mão, cairão por terra tanto o auxiliador como o ajudado, e ambos juntamente serão consumidos. 4Porque assim me disse o Senhor: Como o leão e o cachorro do leão rugem sobre a sua presa, ainda que se convoque contra eles grande número de pastores, e não se espantam das suas vozes, nem se abatem pela sua multidão, assim o Senhor dos Exércitos descerá, para pelejar sobre o monte Sião e sobre o seu outeiro. 5Como pairam as aves, assim o Senhor dos Exércitos amparará a Jerusalém; protegê-la-á e salvá-la-á, poupá-la-á e livrá-la-á.

6Convertei-vos, pois, ó filhos de Israel, àquele de quem tanto vos afastastes. 7Pois, naquele dia, cada um lançará fora os seus ídolos de prata e os seus ídolos de ouro, que as vossas mãos fabricaram para pecardes. 8Então, a Assíria cairá pela espada, não de homem; a espada, não de homem, a devorará; fugirá diante da espada, e os seus jovens serão sujeitos a trabalhos forçados. 9De medo não atinará com a sua rocha de refúgio; os seus príncipes, espavoridos, desertarão a bandeira, diz o Senhor, cujo fogo está em Sião e cuja fornalha, em Jerusalém.

32

O reinado do justo Rei

321Eis aí está que reinará um rei com justiça, e em retidão governarão príncipes. 2Cada um servirá de esconderijo contra o vento, de refúgio contra a tempestade, de torrentes de águas em lugares secos e de sombra de grande rocha em terra sedenta. 3Os olhos dos que veem não se ofuscarão, e os ouvidos dos que ouvem estarão atentos. 4O coração dos temerários saberá compreender, e a língua dos gagos falará pronta e distintamente. 5Ao louco nunca mais se chamará nobre, e do fraudulento jamais se dirá que é magnânimo. 6Porque o louco fala loucamente, e o seu coração obra o que é iníquo, para usar de impiedade e para proferir mentiras contra o Senhor, para deixar o faminto na ânsia da sua fome e fazer que o sedento venha a ter falta de bebida. 7Também as armas do fraudulento são más; ele maquina intrigas para arruinar os desvalidos, com palavras falsas, ainda quando a causa do pobre é justa. 8Mas o nobre projeta coisas nobres e na sua nobreza perseverará.

Advertências contra as mulheres de Jerusalém

9Levantai-vos, mulheres que viveis despreocupadamente, e ouvi a minha voz; vós, filhas, que estais confiantes, inclinai os ouvidos às minhas palavras. 10Porque daqui a um ano e dias vireis a tremer, ó mulheres que estais confiantes, porque a vindima se acabará, e não haverá colheita. 11Tremei, mulheres que viveis despreocupadamente; turbai-vos, vós que estais confiantes. Despi-vos, e ponde-vos desnudas, e cingi com panos de saco os lombos. 12Batei no peito por causa dos campos aprazíveis e por causa das vinhas frutíferas. 13Sobre a terra do meu povo virão espinheiros e abrolhos, como também sobre todas as casas onde há alegria, na cidade que exulta. 14O palácio será abandonado, a cidade populosa ficará deserta; Ofel e a torre da guarda servirão de cavernas para sempre, folga para os jumentos selvagens e pastos para os rebanhos; 15até que se derrame sobre nós o Espírito lá do alto; então, o deserto se tornará em pomar, e o pomar será tido por bosque; 16o juízo habitará no deserto, e a justiça morará no pomar. 17O efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça, repouso e segurança, para sempre. 18O meu povo habitará em moradas de paz, em moradas bem seguras e em lugares quietos e tranquilos, 19ainda que haja saraivada, caia o bosque e seja a cidade inteiramente abatida. 20Bem-aventurados vós, os que semeais junto a todas as águas e dais liberdade ao pé do boi e do jumento.

33

A aflição e o livramento de Jerusalém

331Ai de ti, destruidor que não foste destruído, que procedes perfidamente e não foste tratado com perfídia! Acabando tu de destruir, serás destruído, acabando de tratar perfidamente, serás tratado com perfídia. 2Senhor, tem misericórdia de nós; em ti temos esperado; sê tu o nosso braço manhã após manhã e a nossa salvação no tempo da angústia. 3Ao ruído do tumulto, fogem os povos; quando tu te ergues, as nações são dispersas. 4Então, ajuntar-se-á o vosso despojo como se ajuntam as lagartas; como os gafanhotos saltam, assim os homens saltarão sobre ele. 5O Senhor é sublime, pois habita nas alturas; encheu a Sião de direito e de justiça. 6Haverá, ó Sião, estabilidade nos teus tempos, abundância de salvação, sabedoria e conhecimento; o temor do Senhor será o teu tesouro.

7Eis que os heróis pranteiam de fora, e os mensageiros de paz estão chorando amargamente. 8As estradas estão desoladas, cessam os que passam por elas; rompem-se as alianças, as cidades são desprezadas, já não se faz caso do homem. 9A terra geme e desfalece; o Líbano se envergonha e se murcha; Sarom se torna como um deserto, Basã e Carmelo são despidos de suas folhas. 10Agora, me levantarei, diz o Senhor; levantar-me-ei a mim mesmo; agora, serei exaltado. 11Concebestes palha, dareis à luz restolho; o vosso bufo enfurecido é fogo que vos há de devorar. 12Os povos serão queimados como se queima a cal; como espinhos cortados, arderão no fogo. 13Ouvi vós, os que estais longe, o que tenho feito; e vós, os que estais perto, reconhecei o meu poder.

14Os pecadores em Sião se assombram, o tremor se apodera dos ímpios; e eles perguntam: Quem dentre nós habitará com o fogo devorador? Quem dentre nós habitará com chamas eternas? 15O que anda em justiça e fala o que é reto; o que despreza o ganho de opressão; o que, com um gesto de mãos, recusa aceitar suborno; o que tapa os ouvidos, para não ouvir falar de homicídios, e fecha os olhos, para não ver o mal, 16este habitará nas alturas; as fortalezas das rochas serão o seu alto refúgio, o seu pão lhe será dado, as suas águas serão certas.

17Os teus olhos verão o rei na sua formosura, verão a terra que se estende até longe. 18O teu coração se recordará dos terrores, dizendo: Onde está aquele que registrou, onde, o que pesou o tributo, onde, o que contou as torres? 19Já não verás aquele povo atrevido, povo de fala obscura, que não se pode entender, e de língua bárbara, ininteligível. 20Olha para Sião, a cidade das nossas solenidades; os teus olhos verão a Jerusalém, habitação tranquila, tenda que não será removida, cujas estacas nunca serão arrancadas, nem rebentada nenhuma de suas cordas. 21Mas o Senhor ali nos será grandioso, fará as vezes de rios e correntes largas; barco nenhum de remo passará por eles, navio grande por eles não navegará. 22Porque o Senhor é o nosso juiz, o Senhor é o nosso legislador, o Senhor é o nosso Rei; ele nos salvará. 23Agora, as tuas enxárcias estão frouxas; não podem ter firme o mastro, nem estender a vela. Então, se repartirá a presa de abundantes despojos; até os coxos participarão dela. 24Nenhum morador de Jerusalém dirá: Estou doente; porque ao povo que habita nela, perdoar-se-lhe-á a sua iniquidade.

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