Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
26

Cântico de confiança na proteção divina

261Naquele dia, se entoará este cântico na terra de Judá: Temos uma cidade forte; Deus lhe põe a salvação por muros e baluartes. 2Abri vós as portas, para que entre a nação justa, que guarda a fidelidade. 3Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti. 4Confiai no Senhor perpetuamente, porque o Senhor Deus é uma rocha eterna; 5porque ele abate os que habitam no alto, na cidade elevada; abate-a, humilha-a até à terra e até ao pó. 6O pé a pisará; os pés dos aflitos, e os passos dos pobres.

7A vereda do justo é plana; tu, que és justo, aplanas a vereda do justo. 8Também através dos teus juízos, Senhor, te esperamos; no teu nome e na tua memória está o desejo da nossa alma. 9Com minha alma suspiro de noite por ti e, com o meu espírito dentro de mim, eu te procuro diligentemente; porque, quando os teus juízos reinam na terra, os moradores do mundo aprendem justiça. 10Ainda que se mostre favor ao perverso, nem por isso aprende a justiça; até na terra da retidão ele comete a iniquidade e não atenta para a majestade do Senhor. 11Senhor, a tua mão está levantada, mas nem por isso a veem; porém verão o teu zelo pelo povo e se envergonharão; e o teu furor, por causa dos teus adversários, que os consuma.

26.11
Hb 10.27
12Senhor, concede-nos a paz, porque todas as nossas obras tu as fazes por nós. 13Ó Senhor, Deus nosso, outros senhores têm tido domínio sobre nós; mas graças a ti somente é que louvamos o teu nome. 14Mortos não tornarão a viver, sombras não ressuscitam; por isso, os castigaste, e destruíste, e lhes fizeste perecer toda a memória. 15Tu, Senhor, aumentaste o povo, aumentaste o povo e tens sido glorificado; a todos os confins da terra dilataste.

16Senhor, na angústia te buscaram; vindo sobre eles a tua correção, derramaram as suas orações. 17Como a mulher grávida, quando se lhe aproxima a hora de dar à luz, se contorce e dá gritos nas suas dores, assim fomos nós na tua presença, ó Senhor! 18Concebemos nós e nos contorcemos em dores de parto, mas o que demos à luz foi vento; não trouxemos à terra livramento algum, e não nasceram moradores do mundo. 19Os vossos mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho, ó Deus, será como o orvalho de vida, e a terra dará à luz os seus mortos.

20Vai, pois, povo meu, entra nos teus quartos e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te só por um momento, até que passe a ira. 21Pois eis que o Senhor sai do seu lugar, para castigar a iniquidade dos moradores da terra; a terra descobrirá o sangue que embebeu e já não encobrirá aqueles que foram mortos.

27

Deus ama ao seu povo e o salva

271Naquele dia, o Senhor castigará com a sua dura espada, grande e forte, o dragão, serpente veloz, e o dragão, serpente sinuosa, e matará o monstro

27.1
Jó 41.1
Sl 74.14
104.26
que está no mar.

2Naquele dia, dirá o Senhor: Cantai a vinha deliciosa! 3Eu, o Senhor, a vigio e a cada momento a regarei; para que ninguém lhe faça dano, de noite e de dia eu cuidarei dela. 4Não há indignação em mim. Quem me dera espinheiros e abrolhos diante de mim! Em guerra, eu iria contra eles e juntamente os queimaria. 5Ou que homens se apoderem da minha força e façam paz comigo; sim, que façam paz comigo.

6Dias virão em que Jacó lançará raízes, florescerá e brotará Israel, e encherão de fruto o mundo. 7Porventura, feriu o Senhor a Israel como àqueles que o feriram? Ou o matou, assim como àqueles que o mataram? 8Com xô!, xô! e exílio o trataste; com forte sopro o expulsaste no dia do vento oriental. 9Portanto, com isto será expiada a culpa de Jacó, e este é todo o fruto do perdão do seu pecado: quando o Senhor fizer a todas as pedras do altar como pedras de cal feitas em pedaços, não ficarão em pé os postes-ídolos e os altares do incenso. 10Porque a cidade fortificada está solitária, habitação desamparada e abandonada como um deserto; ali pastam os bezerros, deitam-se e devoram os seus ramos. 11Quando os seus ramos se secam, são quebrados. Então, vêm as mulheres e lhes deitam fogo, porque este povo não é povo de entendimento; por isso, aquele que o fez não se compadecerá dele, e aquele que o formou não lhe perdoará.

12Naquele dia, em que o Senhor debulhará o seu cereal desde o Eufrates até ao ribeiro do Egito; e vós, ó filhos de Israel, sereis colhidos um a um. 13Naquele dia, se tocará uma grande trombeta, e os que andavam perdidos pela terra da Assíria e os que forem desterrados para a terra do Egito tornarão a vir e adorarão ao Senhor no monte santo em Jerusalém.

28

Será castigada a impenitência de Efraim

281Ai da soberba coroa dos bêbados de Efraim e da flor caduca da sua gloriosa formosura que está sobre a parte alta do fertilíssimo vale dos vencidos do vinho! 2Eis que o Senhor tem certo homem valente e poderoso; este, como uma queda de saraiva, como uma tormenta de destruição e como uma tempestade de impetuosas águas que transbordam, com poder as derribará por terra. 3A soberba coroa dos bêbados de Efraim será pisada aos pés. 4A flor caduca da sua gloriosa formosura, que está sobre a parte alta do fertilíssimo vale, será como o figo prematuro, que amadurece antes do verão, o qual, em pondo nele alguém os olhos, mal o apanha, já o devora. 5Naquele dia, o Senhor dos Exércitos será a coroa de glória e o formoso diadema para os restantes de seu povo; 6será o espírito de justiça para o que se assenta a julgar e fortaleza para os que fazem recuar o assalto contra as portas.

Contra os habitantes de Jerusalém

7Mas também estes cambaleiam por causa do vinho e não podem ter-se em pé por causa da bebida forte; o sacerdote e o profeta cambaleiam por causa da bebida forte, são vencidos pelo vinho, não podem ter-se em pé por causa da bebida forte; erram na visão, tropeçam no juízo. 8Porque todas as mesas estão cheias de vômitos, e não há lugar sem imundícia. 9A quem, pois, se ensinaria o conhecimento? E a quem se daria a entender o que se ouviu? Acaso, aos desmamados e aos que foram afastados dos seios maternos? 10Porque é preceito sobre preceito, preceito e mais preceito; regra sobre regra, regra e mais regra; um pouco aqui, um pouco ali. 11Pelo que por lábios gaguejantes e por língua estranha falará o Senhor a este povo, 12ao qual ele disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; mas não quiseram ouvir.

28.11-12
1Co 14.21
13Assim, pois, a palavra do Senhor lhes será preceito sobre preceito, preceito e mais preceito; regra sobre regra, regra e mais regra; um pouco aqui, um pouco ali; para que vão, e caiam para trás, e se quebrantem, se enlacem, e sejam presos.

14Ouvi, pois, a palavra do Senhor, homens escarnecedores, que dominais este povo que está em Jerusalém. 15Porquanto dizeis: Fizemos aliança com a morte e com o além fizemos acordo; quando passar o dilúvio do açoite, não chegará a nós, porque, por nosso refúgio, temos a mentira e debaixo da falsidade nos temos escondido. 16Portanto, assim diz o Senhor Deus: Eis que eu assentei

28.16
Rm 9.33
1Pe 2.6
em Sião uma pedra, pedra já provada, pedra preciosa, angular, solidamente assentada; aquele que crer
28.16
Rm 10.11
não foge. 17Farei do juízo a régua e da justiça, o prumo; a saraiva varrerá o refúgio da mentira, e as águas arrastarão o esconderijo. 18A vossa aliança com a morte será anulada, e o vosso acordo com o além não subsistirá; e, quando o dilúvio do açoite passar, sereis esmagados por ele. 19Todas as vezes que passar, vos arrebatará, porque passará manhã após manhã, e todos os dias, e todas as noites; e será puro terror o só ouvir tal notícia.

20Porque a cama será tão curta, que ninguém se poderá estender nela; e o cobertor, tão estreito, que ninguém se poderá cobrir com ele. 21Porque o Senhor se levantará, como no monte Perazim,

28.21
2Sm 5.20
1Cr 14.11
e se irará, como no vale de Gibeão,
28.21
Js 10.10-12
para realizar a sua obra, a sua obra estranha, e para executar o seu ato, o seu ato inaudito. 22Agora, pois, não mais escarneçais, para que os vossos grilhões não se façam mais fortes; porque já do Senhor, o Senhor dos Exércitos, ouvi falar de uma destruição, e essa já está determinada sobre toda a terra.

Deus é grande em sabedoria

23Inclinai os ouvidos e ouvi a minha voz; atendei bem e ouvi o meu discurso. 24Porventura, lavra todo dia o lavrador, para semear? Ou todo dia sulca a sua terra e a esterroa? 25Porventura, quando já tem nivelado a superfície, não lhe espalha o endro, não semeia o cominho, não lança nela o trigo em leiras, ou cevada, no devido lugar, ou a espelta, na margem? 26Pois o seu Deus assim o instrui devidamente e o ensina. 27Porque o endro não se trilha com instrumento de trilhar, nem sobre o cominho se passa roda de carro; mas com vara se sacode o endro, e o cominho, com pau. 28Acaso, é esmiuçado o cereal? Não; o lavrador nem sempre o está debulhando, nem sempre está fazendo passar por cima dele a roda do seu carro e os seus cavalos. 29Também isso procede do Senhor dos Exércitos; ele é maravilhoso em conselho e grande em sabedoria.