Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
23

Profecia contra Tiro

231Sentença contra Tiro. Uivai, navios de Társis, porque está assolada, a ponto de não haver nela casa nenhuma, nem ancoradouro. Da terra de Chipre lhes foi isto revelado. 2Calai-vos, moradores do litoral, vós a quem os mercadores de Sidom enriqueceram, navegando pelo mar. 3Através das vastas águas, vinha o cereal dos canais do Egito e a ceifa do Nilo, como a tua renda, Tiro, que vieste a ser a feira das nações. 4Envergonha-te, ó Sidom, porque o mar, a fortaleza do mar, fala, dizendo: Não tive dores de parto, não dei à luz, não criei rapazes, nem eduquei donzelas. 5Quando a notícia a respeito de Tiro chegar ao Egito, com ela se angustiarão os homens. 6Passai a Társis, uivai, moradores do litoral. 7É esta, acaso, a vossa cidade que andava exultante, cuja origem data de remotos dias, cujos pés a levaram até longe para estabelecer-se?

8Quem formou este desígnio contra Tiro, a cidade distribuidora de coroas, cujos mercadores são príncipes e cujos negociantes são os mais nobres da terra? 9O Senhor dos Exércitos formou este desígnio para denegrir a soberba de toda beleza e envilecer os mais nobres da terra. 10Percorre livremente como o Nilo a tua terra, ó filha de Társis; já não há quem te restrinja. 11O Senhor estendeu a mão sobre o mar e turbou os reinos; deu ordens contra Canaã, para que se destruíssem as suas fortalezas. 12E disse: Nunca mais exultarás, ó oprimida virgem filha de Sidom; levanta-te, passa a Chipre, mas ainda ali não terás descanso.

13Eis a terra dos caldeus, povo que até há pouco não era povo e que a Assíria destinara para os sátiros do deserto; povo que levantou suas torres, e arrasou os palácios de Tiro, e os converteu em ruínas. 14Uivai, navios de Társis, porque é destruída a que era a vossa fortaleza! 15Naquele dia, Tiro será posta em esquecimento por setenta anos, segundo os dias de um rei; mas no fim dos setenta anos dar-se-á com Tiro o que consta na canção da meretriz: 16Toma a harpa, rodeia a cidade, ó meretriz, entregue ao esquecimento; canta bem, toca, multiplica as tuas canções, para que se recordem de ti. 17Findos os setenta anos, o Senhor atentará para Tiro, e ela tornará ao salário da sua impureza e se prostituirá com todos os reinos da terra. 18O ganho e o salário de sua impureza serão dedicados ao Senhor; não serão entesourados, nem guardados, mas o seu ganho será para os que habitam perante o Senhor, para que tenham comida em abundância e vestes finas.

23.1-18
Ez 26.1—29.19
Jl 3.4-8
Am 1.9-10
Zc 9.3-4
Mt 11.21-22
Lc 10.13-14

24

241Eis que o Senhor vai devastar e desolar a terra, vai transtornar a sua superfície e lhe dispersar os moradores. 2O que suceder ao povo sucederá ao sacerdote; ao servo, como ao seu senhor; à serva, como à sua dona; ao comprador, como ao vendedor; ao que empresta, como ao que toma emprestado; ao credor, como ao devedor. 3A terra será de todo devastada e totalmente saqueada, porque o Senhor é quem proferiu esta palavra. 4A terra pranteia e se murcha; o mundo enfraquece e se murcha; enlanguescem os mais altos do povo da terra. 5Na verdade, a terra está contaminada por causa dos seus moradores, porquanto transgridem as leis, violam os estatutos e quebram a aliança eterna. 6Por isso, a maldição consome a terra, e os que habitam nela se tornam culpados; por isso, serão queimados os moradores da terra, e poucos homens restarão. 7Pranteia o vinho, enlanguesce a vide, e gemem todos os que estavam de coração alegre. 8Cessou o folguedo dos tamboris, acabou o ruído dos que exultam, e descansou a alegria da harpa. 9Já não se bebe vinho entre canções; a bebida forte é amarga para os que a bebem. 10Demolida está a cidade caótica, todas as casas estão fechadas, ninguém já pode entrar. 11Gritam por vinho nas ruas, fez-se noite para toda alegria, foi banido da terra o prazer. 12Na cidade, reina a desolação, e a porta está reduzida a ruínas. 13Porque será na terra, no meio destes povos, como o varejar da oliveira e como o rebuscar, quando está acabada a vindima.

A alegria dos justos

14Eles levantam a voz e cantam com alegria; por causa da glória do Senhor, exultam desde o mar. 15Por isso, glorificai ao Senhor no Oriente e, nas terras do mar, ao nome do Senhor, Deus de Israel. 16Dos confins da terra ouvimos cantar: Glória ao Justo!

A ruína dos transgressores

Mas eu digo: definho, definho, ai de mim! Os pérfidos tratam perfidamente; sim, os pérfidos tratam mui perfidamente. 17Terror, cova e laço vêm sobre ti, ó morador da terra. 18E será que aquele que fugir da voz do terror cairá na cova, e, se sair da cova, o laço o prenderá; porque as represas do alto se abrem, e tremem os fundamentos da terra. 19A terra será de todo quebrantada, ela totalmente se romperá, a terra violentamente se moverá. 20A terra cambaleará como um bêbado e balanceará como rede de dormir; a sua transgressão pesa sobre ela, ela cairá e jamais se levantará.

21Naquele dia, o Senhor castigará, no céu, as hostes celestes, e os reis da terra, na terra. 22Serão ajuntados como presos em masmorra, e encerrados num cárcere, e castigados depois de muitos dias. 23A lua se envergonhará, e o sol se confundirá quando o Senhor dos Exércitos reinar no monte Sião e em Jerusalém; perante os seus anciãos haverá glória.

25

Cântico de louvor pela misericórdia divina

251Ó Senhor, tu és o meu Deus; exaltar-te-ei a ti e louvarei o teu nome, porque tens feito maravilhas e tens executado os teus conselhos antigos, fiéis e verdadeiros. 2Porque da cidade fizeste um montão de pedras e da cidade forte, uma ruína; a fortaleza dos estranhos já não é cidade e jamais será reedificada. 3Pelo que povos fortes te glorificarão, e a cidade das nações opressoras te temerá. 4Porque foste a fortaleza do pobre e a fortaleza do necessitado na sua angústia; refúgio contra a tempestade e sombra contra o calor; porque dos tiranos o bufo é como a tempestade contra o muro, 5como o calor em lugar seco. Tu abaterás o ímpeto dos estranhos; como se abranda o calor pela sombra da espessa nuvem, assim o hino triunfal dos tiranos será aniquilado.

6O Senhor dos Exércitos dará neste monte a todos os povos um banquete de coisas gordurosas, uma festa com vinhos velhos, pratos gordurosos com tutanos e vinhos velhos bem-clarificados. 7Destruirá neste monte a coberta que envolve todos os povos e o véu que está posto sobre todas as nações. 8Tragará a morte para sempre,

25.8
1Co 15.54
e, assim, enxugará o Senhor Deus as lágrimas
25.8
Ap 7.17
21.4
de todos os rostos, e tirará de toda a terra o opróbrio do seu povo, porque o Senhor falou. 9Naquele dia, se dirá: Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos, e ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na sua salvação exultaremos e nos alegraremos. 10Porque a mão do Senhor descansará neste monte; mas Moabe será trilhado no seu lugar, como se pisa a palha na água da cova da esterqueira; 11no meio disto estenderá ele as mãos, como as estende o nadador para nadar; mas o Senhor lhe abaterá a altivez, não obstante a perícia das suas mãos; 12e abaixará as altas fortalezas dos seus muros; abatê-las-á e derribá-las-á por terra, até ao pó.
25.10-12
Is 15.1—16.14
Jr 48.1-47
Ez 25.8-11
Am 2.1-3
Sf 2.8-11

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