Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
22

Profecia contra Jerusalém

221Sentença contra o vale da Visão. Que tens agora, que todo o teu povo sobe aos telhados? 2Tu, cidade que estavas cheia de aclamações, cidade estrepitosa, cidade alegre! Os teus mortos não foram mortos à espada, nem morreram na guerra. 3Todos os teus príncipes fogem à uma e são presos sem que se use o arco; todos os teus que foram encontrados foram presos, sem embargo de já estarem longe na fuga. 4Portanto, digo: desviai de mim a vista e chorarei amargamente; não insistais por causa da ruína da filha do meu povo. 5Porque dia de alvoroço, de atropelamento e confusão é este da parte do Senhor, o Senhor dos Exércitos, no vale da Visão: um derribar de muros e clamor que vai até aos montes. 6Porque Elão tomou a aljava e vem com carros e cavaleiros; e Quir descobre os escudos. 7Os teus mais formosos vales se enchem de carros, e os cavaleiros se põem em ordem às portas. 8Tira-se a proteção de Judá. Naquele dia, olharás para as armas da Casa do Bosque. 9Notareis as brechas da Cidade de Davi, por serem muitas, e ajuntareis as águas do açude inferior. 10Também contareis as casas de Jerusalém e delas derribareis, para fortalecer os muros. 11Fareis também um reservatório entre os dois muros para as águas do açude velho, mas não cogitais de olhar para cima, para aquele que suscitou essas calamidades, nem considerais naquele que há muito as formou. 12O Senhor, o Senhor dos Exércitos, vos convida naquele dia para chorar, prantear, rapar a cabeça e cingir o cilício. 13Porém é só gozo e alegria que se veem; matam-se bois, degolam-se ovelhas, come-se carne, bebe-se vinho e se diz: Comamos e bebamos,

22.13
1Co 15.32
que amanhã morreremos. 14Mas o Senhor dos Exércitos se declara aos meus ouvidos, dizendo: Certamente, esta maldade não será perdoada, até que morrais, diz o Senhor, o Senhor dos Exércitos.

Sebna é degradado. Eliaquim é exaltado

15Assim diz o Senhor, o Senhor dos Exércitos: Anda, vai ter com esse administrador, com Sebna, o mordomo, e pergunta-lhe: 16Que é que tens aqui? Ou a quem tens tu aqui, para que abrisses aqui uma sepultura, lavrando em lugar alto a tua sepultura, cinzelando na rocha a tua própria morada? 17Eis que como homem forte o Senhor te arrojará violentamente; agarrar-te-á com firmeza, 18enrolar-te-á num invólucro e te fará rolar como uma bola para terra espaçosa; ali morrerás, e ali acabarão os carros da tua glória, ó tu, vergonha da casa do teu senhor. 19Eu te lançarei fora do teu posto, e serás derribado da tua posição.

20Naquele dia, chamarei a meu servo Eliaquim, filho de Hilquias, 21vesti-lo-ei da tua túnica, cingi-lo-ei com a tua faixa e lhe entregarei nas mãos o teu poder, e ele será como pai para os moradores de Jerusalém e para a casa de Judá. 22Porei sobre o seu ombro a chave

22.22
Ap 3.7
da casa de Davi; ele abrirá, e ninguém fechará, fechará, e ninguém abrirá. 23Fincá-lo-ei como estaca em lugar firme, e ele será como um trono de honra para a casa de seu pai. 24Nele, pendurarão toda a responsabilidade da casa de seu pai, a prole e os descendentes, todos os utensílios menores, desde as taças até as garrafas. 25Naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, a estaca que fora fincada em lugar firme será tirada, será arrancada e cairá, e a carga que nela estava se desprenderá, porque o Senhor o disse.

23

Profecia contra Tiro

231Sentença contra Tiro. Uivai, navios de Társis, porque está assolada, a ponto de não haver nela casa nenhuma, nem ancoradouro. Da terra de Chipre lhes foi isto revelado. 2Calai-vos, moradores do litoral, vós a quem os mercadores de Sidom enriqueceram, navegando pelo mar. 3Através das vastas águas, vinha o cereal dos canais do Egito e a ceifa do Nilo, como a tua renda, Tiro, que vieste a ser a feira das nações. 4Envergonha-te, ó Sidom, porque o mar, a fortaleza do mar, fala, dizendo: Não tive dores de parto, não dei à luz, não criei rapazes, nem eduquei donzelas. 5Quando a notícia a respeito de Tiro chegar ao Egito, com ela se angustiarão os homens. 6Passai a Társis, uivai, moradores do litoral. 7É esta, acaso, a vossa cidade que andava exultante, cuja origem data de remotos dias, cujos pés a levaram até longe para estabelecer-se?

8Quem formou este desígnio contra Tiro, a cidade distribuidora de coroas, cujos mercadores são príncipes e cujos negociantes são os mais nobres da terra? 9O Senhor dos Exércitos formou este desígnio para denegrir a soberba de toda beleza e envilecer os mais nobres da terra. 10Percorre livremente como o Nilo a tua terra, ó filha de Társis; já não há quem te restrinja. 11O Senhor estendeu a mão sobre o mar e turbou os reinos; deu ordens contra Canaã, para que se destruíssem as suas fortalezas. 12E disse: Nunca mais exultarás, ó oprimida virgem filha de Sidom; levanta-te, passa a Chipre, mas ainda ali não terás descanso.

13Eis a terra dos caldeus, povo que até há pouco não era povo e que a Assíria destinara para os sátiros do deserto; povo que levantou suas torres, e arrasou os palácios de Tiro, e os converteu em ruínas. 14Uivai, navios de Társis, porque é destruída a que era a vossa fortaleza! 15Naquele dia, Tiro será posta em esquecimento por setenta anos, segundo os dias de um rei; mas no fim dos setenta anos dar-se-á com Tiro o que consta na canção da meretriz: 16Toma a harpa, rodeia a cidade, ó meretriz, entregue ao esquecimento; canta bem, toca, multiplica as tuas canções, para que se recordem de ti. 17Findos os setenta anos, o Senhor atentará para Tiro, e ela tornará ao salário da sua impureza e se prostituirá com todos os reinos da terra. 18O ganho e o salário de sua impureza serão dedicados ao Senhor; não serão entesourados, nem guardados, mas o seu ganho será para os que habitam perante o Senhor, para que tenham comida em abundância e vestes finas.

23.1-18
Ez 26.1—29.19
Jl 3.4-8
Am 1.9-10
Zc 9.3-4
Mt 11.21-22
Lc 10.13-14

24

241Eis que o Senhor vai devastar e desolar a terra, vai transtornar a sua superfície e lhe dispersar os moradores. 2O que suceder ao povo sucederá ao sacerdote; ao servo, como ao seu senhor; à serva, como à sua dona; ao comprador, como ao vendedor; ao que empresta, como ao que toma emprestado; ao credor, como ao devedor. 3A terra será de todo devastada e totalmente saqueada, porque o Senhor é quem proferiu esta palavra. 4A terra pranteia e se murcha; o mundo enfraquece e se murcha; enlanguescem os mais altos do povo da terra. 5Na verdade, a terra está contaminada por causa dos seus moradores, porquanto transgridem as leis, violam os estatutos e quebram a aliança eterna. 6Por isso, a maldição consome a terra, e os que habitam nela se tornam culpados; por isso, serão queimados os moradores da terra, e poucos homens restarão. 7Pranteia o vinho, enlanguesce a vide, e gemem todos os que estavam de coração alegre. 8Cessou o folguedo dos tamboris, acabou o ruído dos que exultam, e descansou a alegria da harpa. 9Já não se bebe vinho entre canções; a bebida forte é amarga para os que a bebem. 10Demolida está a cidade caótica, todas as casas estão fechadas, ninguém já pode entrar. 11Gritam por vinho nas ruas, fez-se noite para toda alegria, foi banido da terra o prazer. 12Na cidade, reina a desolação, e a porta está reduzida a ruínas. 13Porque será na terra, no meio destes povos, como o varejar da oliveira e como o rebuscar, quando está acabada a vindima.

A alegria dos justos

14Eles levantam a voz e cantam com alegria; por causa da glória do Senhor, exultam desde o mar. 15Por isso, glorificai ao Senhor no Oriente e, nas terras do mar, ao nome do Senhor, Deus de Israel. 16Dos confins da terra ouvimos cantar: Glória ao Justo!

A ruína dos transgressores

Mas eu digo: definho, definho, ai de mim! Os pérfidos tratam perfidamente; sim, os pérfidos tratam mui perfidamente. 17Terror, cova e laço vêm sobre ti, ó morador da terra. 18E será que aquele que fugir da voz do terror cairá na cova, e, se sair da cova, o laço o prenderá; porque as represas do alto se abrem, e tremem os fundamentos da terra. 19A terra será de todo quebrantada, ela totalmente se romperá, a terra violentamente se moverá. 20A terra cambaleará como um bêbado e balanceará como rede de dormir; a sua transgressão pesa sobre ela, ela cairá e jamais se levantará.

21Naquele dia, o Senhor castigará, no céu, as hostes celestes, e os reis da terra, na terra. 22Serão ajuntados como presos em masmorra, e encerrados num cárcere, e castigados depois de muitos dias. 23A lua se envergonhará, e o sol se confundirá quando o Senhor dos Exércitos reinar no monte Sião e em Jerusalém; perante os seus anciãos haverá glória.