Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
1

A nação pecaminosa

11Visão de Isaías, filho de Amoz, que ele teve a respeito de Judá e Jerusalém, nos dias de Uzias,

1.1
2Rs 15.1-7
2Cr 26.1-23
Jotão,
1.1
2Rs 15.32-38
2Cr 27.1-9
Acaz
1.1
2Rs 16.1-20
2Cr 28.1-27
e Ezequias,
1.1
2Rs 18.1—20.21
2Cr 29.1—32.33
reis de Judá.

2Ouvi, ó céus, e dá ouvidos, ó terra, porque o Senhor é quem fala: Criei filhos e os engrandeci, mas eles estão revoltados contra mim. 3O boi conhece o seu possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende.

4Ai desta nação pecaminosa, povo carregado de iniquidade, raça de malignos, filhos corruptores; abandonaram o Senhor, blasfemaram do Santo de Israel, voltaram para trás. 5Por que haveis de ainda ser feridos, visto que continuais em rebeldia? Toda a cabeça está doente, e todo o coração, enfermo. 6Desde a planta do pé até à cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, contusões e chagas inflamadas, umas e outras não espremidas, nem atadas, nem amolecidas com óleo. 7A vossa terra está assolada, as vossas cidades, consumidas pelo fogo; a vossa lavoura os estranhos devoram em vossa presença; e a terra se acha devastada como numa subversão de estranhos. 8A filha de Sião é deixada como choça na vinha, como palhoça no pepinal, como cidade sitiada. 9Se o Senhor

1.9
Rm 9.29
dos Exércitos não nos tivesse deixado alguns sobreviventes, já nos teríamos tornado como Sodoma
1.9
Gn 19.24
e semelhantes a Gomorra.

Condenado o culto hipócrita

10Ouvi a palavra do Senhor, vós, príncipes de Sodoma; prestai ouvidos à lei do nosso Deus, vós, povo de Gomorra. 11De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? — diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. 12Quando vindes para comparecer perante mim, quem vos requereu o só pisardes os meus átrios? 13Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento solene. 14As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer.

1.11-14
Am 5.21-22
15Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. 16Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. 17Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas.

O convite da graça

18Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã. 19Se quiserdes e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra. 20Mas, se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do Senhor o disse.

O julgamento e a redenção de Jerusalém

21Como se fez prostituta a cidade fiel! Ela, que estava cheia de justiça! Nela, habitava a retidão, mas, agora, homicidas. 22A tua prata se tornou em escórias, o teu licor se misturou com água. 23Os teus príncipes são rebeldes e companheiros de ladrões; cada um deles ama o suborno e corre atrás de recompensas. Não defendem o direito do órfão, e não chega perante eles a causa das viúvas. 24Portanto, diz o Senhor, o Senhor dos Exércitos, o Poderoso de Israel: Ah! Tomarei satisfações aos meus adversários e vingar-me-ei dos meus inimigos. 25Voltarei contra ti a minha mão, purificar-te-ei como com potassa das tuas escórias e tirarei de ti todo metal impuro. 26Restituir-te-ei os teus juízes, como eram antigamente, os teus conselheiros, como no princípio; depois, te chamarão cidade de justiça, cidade fiel.

27Sião será redimida pelo direito, e os que se arrependem, pela justiça. 28Mas os transgressores e os pecadores serão juntamente destruídos; e os que deixarem o Senhor perecerão. 29Porque vos envergonhareis dos carvalhos que cobiçastes e sereis confundidos por causa dos jardins que escolhestes. 30Porque sereis como o carvalho, cujas folhas murcham, e como a floresta que não tem água. 31O forte se tornará em estopa, e a sua obra, em faísca; ambos arderão juntamente, e não haverá quem os apague.

2

A glória futura do Israel espiritual

Mq 4.1-5

21Palavra que, em visão, veio a Isaías, filho de Amoz, a respeito de Judá e Jerusalém.

2Nos últimos dias, acontecerá que o monte da Casa do Senhor será estabelecido no cimo dos montes e se elevará sobre os outeiros, e para ele afluirão todos os povos. 3Irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e a palavra do Senhor, de Jerusalém. 4Ele julgará entre os povos e corrigirá muitas nações; estas converterão as suas espadas

2.4
Jl 3.10
em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra. 5Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do Senhor.

Abatido o orgulho dos homens

6Pois, tu, Senhor, desamparaste o teu povo, a casa de Jacó, porque os seus se encheram da corrupção do Oriente e são agoureiros como os filisteus e se associam com os filhos dos estranhos. 7A sua terra está cheia de prata e de ouro, e não têm conta os seus tesouros; também está cheia de cavalos, e os seus carros não têm fim. 8Também está cheia a sua terra de ídolos; adoram a obra das suas mãos, aquilo que os seus próprios dedos fizeram. 9Com isso, a gente se abate, e o homem se avilta; portanto, não lhes perdoarás. 10Vai, entra nas rochas

2.10
Ap 6.15
e esconde-te no pó, ante o terror do Senhor e a glória da sua majestade. 11Os olhos altivos dos homens serão abatidos, e a sua altivez será humilhada; só o Senhor será exaltado naquele dia.

12Porque o Dia do Senhor dos Exércitos será contra todo soberbo e altivo e contra todo aquele que se exalta, para que seja abatido; 13contra todos os cedros do Líbano, altos, mui elevados; e contra todos os carvalhos de Basã; 14contra todos os montes altos e contra todos os outeiros elevados; 15contra toda torre alta e contra toda muralha firme; 16contra todos os navios de Társis e contra tudo o que é belo à vista. 17A arrogância do homem será abatida, e a sua altivez será humilhada; só o Senhor será exaltado naquele dia.

18Os ídolos serão de todo destruídos. 19Então, os homens se meterão nas cavernas das rochas e nos buracos da terra, ante o terror do Senhor e a glória da sua majestade, quando ele se levantar para espantar a terra. 20Naquele dia, os homens lançarão às toupeiras e aos morcegos os seus ídolos de prata e os seus ídolos de ouro, que fizeram para ante eles se prostrarem, 21e meter-se-ão pelas fendas das rochas e pelas cavernas das penhas, ante o terror do Senhor e a glória da sua majestade, quando ele se levantar para espantar a terra. 22Afastai-vos, pois, do homem cujo fôlego está no seu nariz. Pois em que é ele estimado?

3

Julgamento de Judá e de Jerusalém

31Porque eis que o Senhor, o Senhor dos Exércitos, tira de Jerusalém e de Judá o sustento e o apoio, todo sustento de pão e todo sustento de água; 2o valente, o guerreiro e o juiz; o profeta, o adivinho e o ancião; 3o capitão de cinquenta, o respeitável, o conselheiro, o hábil entre os artífices e o encantador perito. 4Dar-lhes-ei meninos por príncipes, e crianças governarão sobre eles. 5Entre o povo, oprimem uns aos outros, cada um, ao seu próximo; o menino se atreverá contra o ancião, e o vil, contra o nobre. 6Quando alguém se chegar a seu irmão e lhe disser, na casa de seu pai: Tu tens roupa, sê nosso príncipe e toma sob teu governo esta ruína; 7naquele dia, levantará este a sua voz, dizendo: Não sou médico, não há pão em minha casa, nem veste alguma; não me ponhais por príncipe do povo.

8Porque Jerusalém está arruinada, e Judá, caída; porquanto a sua língua e as suas obras são contra o Senhor, para desafiarem a sua gloriosa presença. 9O aspecto do seu rosto testifica contra eles; e, como Sodoma, publicam o seu pecado e não o encobrem. Ai da sua alma! Porque fazem mal a si mesmos. 10Dizei aos justos que bem lhes irá; porque comerão do fruto das suas ações. 11Ai do perverso! Mal lhe irá; porque a sua paga será o que as suas próprias mãos fizeram. 12Os opressores do meu povo são crianças, e mulheres estão à testa do seu governo. Oh! Povo meu! Os que te guiam te enganam e destroem o caminho por onde deves seguir. 13O Senhor se dispõe para pleitear e se apresenta para julgar os povos. 14O Senhor entra em juízo contra os anciãos do seu povo e contra os seus príncipes. Vós sois os que consumistes esta vinha; o que roubastes do pobre está em vossa casa. 15Que há convosco que esmagais o meu povo e moeis a face dos pobres? — diz o Senhor, o Senhor dos Exércitos.

Julgamento das filhas de Sião

16Diz ainda mais o Senhor: Visto que são altivas as filhas de Sião e andam de pescoço emproado, de olhares impudentes, andam a passos curtos, fazendo tinir os ornamentos de seus pés, 17o Senhor fará tinhosa a cabeça das filhas de Sião, o Senhor porá a descoberto as suas vergonhas. 18Naquele dia, tirará o Senhor o enfeite dos anéis dos tornozelos, e as toucas, e os ornamentos em forma de meia-lua; 19os pendentes, e os braceletes, e os véus esvoaçantes; 20os turbantes, as cadeiazinhas para os passos, as cintas, as caixinhas de perfumes e os amuletos; 21os sinetes e as joias pendentes do nariz; 22os vestidos de festa, os mantos, os xales e as bolsas; 23os espelhos, as camisas finíssimas, os atavios de cabeça e os véus grandes. 24Será que em lugar de perfume haverá podridão, e por cinta, corda; em lugar de encrespadura de cabelos, calvície; e em lugar de veste suntuosa, cilício; e marca de fogo, em lugar de formosura. 25Os teus homens cairão à espada, e os teus valentes, na guerra. 26As suas portas chorarão e estarão de luto; Sião, desolada, se assentará em terra.