Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
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A longanimidade de Deus

31Disse-me o Senhor: Vai outra vez, ama uma mulher, amada de seu amigo e adúltera, como o Senhor ama os filhos de Israel, embora eles olhem para outros deuses e amem bolos de passas. 2Comprei-a, pois, para mim por quinze peças de prata e um ômer e meio de cevada; 3e lhe disse: tu esperarás por mim muitos dias; não te prostituirás, nem serás de outro homem; assim também eu esperarei por ti. 4Porque os filhos de Israel ficarão por muitos dias sem rei, sem príncipe, sem sacrifício, sem coluna, sem estola sacerdotal ou ídolos do lar. 5Depois, tornarão os filhos de Israel, e buscarão ao Senhor, seu Deus, e a Davi, seu rei; e, nos últimos dias, tremendo, se aproximarão do Senhor e da sua bondade.

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Corrupção geral de Israel

41Ouvi a palavra do Senhor, vós, filhos de Israel, porque o Senhor tem uma contenda com os habitantes da terra, porque nela não há verdade, nem amor, nem conhecimento de Deus. 2O que só prevalece é perjurar, mentir, matar, furtar e adulterar, e há arrombamentos e homicídios sobre homicídios. 3Por isso, a terra está de luto, e todo o que mora nela desfalece, com os animais do campo e com as aves do céu; e até os peixes do mar perecem.

4Todavia, ninguém contenda, ninguém repreenda; porque o teu povo é como os sacerdotes aos quais acusa. 5Por isso, tropeçarás de dia, e o profeta contigo tropeçará de noite; e destruirei a tua mãe. 6O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. 7Quanto mais estes se multiplicaram, tanto mais contra mim pecaram; eu mudarei a sua honra em vergonha. 8Alimentam-se do pecado do meu povo e da maldade dele têm desejo ardente. 9Por isso, como é o povo, assim é o sacerdote; castigá-lo-ei pelo seu procedimento e lhe darei o pago das suas obras. 10Comerão, mas não se fartarão; entregar-se-ão à sensualidade, mas não se multiplicarão, porque ao Senhor deixaram de adorar.

11A sensualidade, o vinho e o mosto tiram o entendimento. 12O meu povo consulta o seu pedaço de madeira, e a sua vara lhe dá resposta; porque um espírito de prostituição os enganou, eles, prostituindo-se, abandonaram o seu Deus. 13Sacrificam sobre o cimo dos montes e queimam incenso sobre os outeiros, debaixo do carvalho, dos choupos e dos terebintos, porque é boa a sua sombra; por isso, vossas filhas se prostituem, e as vossas noras adulteram.

14Não castigarei vossas filhas, que se prostituem, nem vossas noras, quando adulteram, porque os homens mesmos se retiram com as meretrizes e com as prostitutas cultuais sacrificam, pois o povo que não tem entendimento corre para a sua perdição.

15Ainda que tu, ó Israel, queres prostituir-te, contudo, não se faça culpado Judá; nem venhais a Gilgal e não subais a Bete-Áven, nem jureis, dizendo: Vive o Senhor. 16Como vaca rebelde, se rebelou Israel; será que o Senhor o apascenta como a um cordeiro em vasta campina? 17Efraim está entregue aos ídolos; é deixá-lo. 18Tendo acabado de beber, eles se entregam à prostituição; os seus príncipes amam apaixonadamente a desonra. 19O vento os envolveu nas suas asas; e envergonhar-se-ão por causa dos seus sacrifícios.

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Repreensão contra sacerdotes e príncipes

51Ouvi isto, ó sacerdotes; escutai, ó casa de Israel; e dai ouvidos, ó casa do rei, porque este juízo é contra vós outros, visto que fostes um laço em Mispa e rede estendida sobre o Tabor. 2Na prática de excessos, vos aprofundastes; mas eu castigarei a todos eles. 3Conheço a Efraim, e Israel não me está oculto; porque, agora, te tens prostituído, ó Efraim, e Israel está contaminado. 4O seu proceder não lhes permite voltar para o seu Deus, porque um espírito de prostituição está no meio deles, e não conhecem ao Senhor.

5A soberba de Israel, abertamente, o acusa; Israel e Efraim cairão por causa da sua iniquidade, e Judá cairá juntamente com eles. 6Estes irão com os seus rebanhos e o seu gado à procura do Senhor, porém não o acharão; ele se retirou deles. 7Aleivosamente se houveram contra o Senhor, porque geraram filhos bastardos; agora, a Festa da Lua Nova os consumirá com as suas porções.

8Tocai a trombeta em Gibeá e em Ramá tocai a rebate! Levantai gritos em Bete-Áven! Cuidado, Benjamim! 9Efraim tornar-se-á assolação no dia do castigo; entre as tribos de Israel, tornei conhecido o que se cumprirá. 10Os príncipes de Judá são como os que mudam os marcos; derramarei, pois, o meu furor sobre eles como água. 11Efraim está oprimido e quebrantado pelo castigo, porque foi do seu agrado andar após a vaidade. 12Portanto, para Efraim serei como a traça e para a casa de Judá, como a podridão. 13Quando Efraim viu a sua enfermidade, e Judá, a sua chaga, subiu Efraim à Assíria e se dirigiu ao rei principal, que o acudisse; mas ele não poderá curá-los, nem sarar a sua chaga. 14Porque para Efraim serei como um leão e como um leãozinho, para a casa de Judá; eu, eu mesmo, os despedaçarei e ir-me-ei embora; arrebatá-los-ei, e não haverá quem os livre.

Conversão insincera

15Irei e voltarei para o meu lugar, até que se reconheçam culpados e busquem a minha face; estando eles angustiados, cedo me buscarão, dizendo: