Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
7

Melquisedeque, tipo de Cristo

71Porque este Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão, quando voltava da matança dos reis, e o abençoou, 2para o qual também Abraão separou o dízimo de tudo (primeiramente se interpreta rei de justiça, depois também é rei de Salém, ou seja, rei de paz; 3sem pai, sem mãe, sem genealogia; que não teve princípio de dias, nem fim de existência, entretanto, feito semelhante ao Filho de Deus), permanece sacerdote perpetuamente.

O sacerdócio de Cristo é superior ao levítico

4Considerai, pois, como era grande esse a quem Abraão, o patriarca, pagou o dízimo tirado dos melhores despojos. 5Ora, os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm mandamento de recolher, de acordo com a lei, os dízimos do povo, ou seja, dos seus irmãos, embora tenham estes descendido de Abraão; 6entretanto, aquele cuja genealogia não se inclui entre eles recebeu dízimos de Abraão e abençoou o que tinha as promessas. 7Evidentemente, é fora de qualquer dúvida que o inferior é abençoado pelo superior. 8Aliás, aqui são homens mortais os que recebem dízimos, porém ali, aquele de quem se testifica que vive. 9E, por assim dizer, também Levi, que recebe dízimos, pagou-os na pessoa de Abraão. 10Porque aquele ainda não tinha sido gerado por seu pai, quando Melquisedeque saiu ao encontro deste.

7.1-10
Gn 14.17-20

O sacerdócio levítico teve fim, mas o de Cristo é eterno

11Se, portanto, a perfeição houvera sido mediante o sacerdócio levítico (pois nele baseado o povo recebeu a lei), que necessidade haveria ainda de que se levantasse outro sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque, e que não fosse contado segundo a ordem de Arão? 12Pois, quando se muda o sacerdócio, necessariamente há também mudança de lei. 13Porque aquele de quem são ditas estas coisas pertence a outra tribo, da qual ninguém prestou serviço ao altar; 14pois é evidente que nosso Senhor procedeu de Judá, tribo à qual Moisés nunca atribuiu sacerdotes. 15E isto é ainda muito mais evidente, quando, à semelhança de Melquisedeque, se levanta outro sacerdote, 16constituído não conforme a lei de mandamento carnal, mas segundo o poder de vida indissolúvel. 17Porquanto se testifica:

Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.

7.17
Sl 110.4

18Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa de sua fraqueza e inutilidade 19(pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus.

Cristo, sacerdote único e perfeito

20E, visto que não é sem prestar juramento (porque aqueles, sem juramento, são feitos sacerdotes, 21mas este, com juramento, por aquele que lhe disse:

O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre

7.21
Sl 110.4
);

22por isso mesmo, Jesus se tem tornado fiador de superior aliança.

23Ora, aqueles são feitos sacerdotes em maior número, porque são impedidos pela morte de continuar; 24este, no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável. 25Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.

26Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus, 27que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados,

7.27
Lv 9.7
depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu. 28Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens sujeitos à fraqueza, mas a palavra do juramento, que foi posterior à lei, constitui o Filho, perfeito para sempre.

8

A antiga aliança era o símbolo transitório da nova, superior e eterna, da qual Cristo é o mediador

81Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono

8.1
Sl 110.1
da Majestade nos céus, 2como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem. 3Pois todo sumo sacerdote é constituído para oferecer tanto dons como sacrifícios; por isso, era necessário que também esse sumo sacerdote tivesse o que oferecer. 4Ora, se ele estivesse na terra, nem mesmo sacerdote seria, visto existirem aqueles que oferecem os dons segundo a lei, 5os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes, assim como foi Moisés divinamente instruído, quando estava para construir o tabernáculo; pois diz ele:

Vê que faças todas as coisas de acordo com o modelo que te foi mostrado no monte.

8.5
Êx 25.40

6Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas. 7Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para uma segunda. 8E, de fato, repreendendo-os, diz:

Eis aí vêm dias, diz o Senhor, e firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá,

9não segundo a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os conduzir até fora da terra do Egito; pois eles não continuaram na minha aliança, e eu não atentei para eles, diz o Senhor.

10Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: na sua mente imprimirei as minhas leis, também sobre o seu coração as inscreverei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.

11E não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior.

12Pois, para com as suas iniquidades, usarei de misericórdia e dos seus pecados jamais me lembrarei.

8.8-12
Jr 31.31-34

13Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer.
9

Os ritos, ofertas e sacrifícios mosaicos eram imperfeitos e ineficazes

91Ora, a primeira aliança também tinha preceitos de serviço sagrado e o seu santuário terrestre. 2Com efeito, foi preparado o tabernáculo, cuja parte anterior, onde estavam o candeeiro, e a mesa, e a exposição dos pães, se chama o Santo Lugar; 3por trás do segundo véu, se encontrava o tabernáculo que se chama o Santo dos Santos, 4ao qual pertencia um altar de ouro para o incenso e a arca da aliança totalmente coberta de ouro, na qual estava uma urna de ouro contendo o maná,

9.4
Êx 16.33
o bordão de Arão,
9.4
Nm 17.8-10
que floresceu, e as tábuas da aliança; 5e sobre ela, os querubins de glória, que, com a sua sombra, cobriam o propiciatório. Dessas coisas, todavia, não falaremos, agora, pormenorizadamente.
9.1-5
Êx 25.10—26.35

6Ora, depois de tudo isto assim preparado, continuamente entram no primeiro tabernáculo os sacerdotes,

9.6
Nm 18.2-6
para realizar os serviços sagrados; 7mas, no segundo, o sumo sacerdote, ele sozinho,
9.7
Lv 16.2-34
uma vez por ano, não sem sangue, que oferece por si e pelos pecados de ignorância do povo, 8querendo com isto dar a entender o Espírito Santo que ainda o caminho do Santo Lugar não se manifestou, enquanto o primeiro tabernáculo continua erguido. 9É isto uma parábola para a época presente; e, segundo esta, se oferecem tanto dons como sacrifícios, embora estes, no tocante à consciência, sejam ineficazes para aperfeiçoar aquele que presta culto, 10os quais não passam de ordenanças da carne, baseadas somente em comidas, e bebidas, e diversas abluções, impostas até ao tempo oportuno de reforma.

O sacrifício de Cristo não se repete, é perfeito e eficaz

11Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, 12não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção. 13Portanto, se o sangue de bodes e de touros

9.13
Lv 16.15-16
e a cinza de uma novilha,
9.13
Nm 19.9,17-19
aspergidos sobre os contaminados, os santificam, quanto à purificação da carne, 14muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!

15Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados. 16Porque, onde há testamento,9.16-17 testamento; ou aliança é necessário que intervenha a morte do testador; 17pois um testamento só é confirmado no caso de mortos; visto que de maneira nenhuma tem força de lei enquanto vive o testador. 18Pelo que nem a primeira aliança foi sancionada sem sangue; 19porque, havendo Moisés proclamado todos os mandamentos segundo a lei a todo o povo, tomou o sangue dos bezerros e dos bodes, com água, e lã tinta de escarlate, e hissopo e aspergiu não só o próprio livro, como também sobre todo o povo, 20dizendo:

Este é o sangue da aliança, a qual Deus prescreveu para vós outros.

9.19-20
Êx 24.6-8

21Igualmente também aspergiu com sangue o tabernáculo
9.21
Lv 8.15
e todos os utensílios do serviço sagrado. 22Com efeito, quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de sangue,
9.22
Lv 17.11
não há remissão.

O sacrifício de Cristo é eficaz para sempre

23Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que se acham nos céus se purificassem com tais sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais, com sacrifícios a eles superiores. 24Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus; 25nem ainda para se oferecer a si mesmo muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no Santo dos Santos com sangue alheio. 26Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado. 27E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo, 28assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação.