Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
4

A entrada no descanso de Deus pela fé

41Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado. 2Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naqueles que a ouviram. 3Nós, porém, que cremos, entramos no descanso, conforme Deus tem dito:

Assim, jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso.

4.3
Sl 95.11

Embora, certamente, as obras estivessem concluídas desde a fundação do mundo. 4Porque, em certo lugar, assim disse, no tocante ao sétimo dia:

E descansou Deus, no sétimo dia, de todas as obras que fizera.

4.4
Gn 2.2

5E novamente, no mesmo lugar:

Não entrarão no meu descanso.

4.5
Sl 95.11

6Visto, portanto, que resta entrarem alguns nele e que, por causa da desobediência, não entraram aqueles aos quais anteriormente foram anunciadas as boas-novas, 7de novo, determina certo dia, Hoje, falando por Davi, muito tempo depois, segundo antes fora declarado:

Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração.

4.7
Sl 95.7-8

8Ora, se Josué lhes houvesse dado descanso,
4.8
Dt 31.7
Js 22.4
não falaria, posteriormente, a respeito de outro dia. 9Portanto, resta um repouso4.9 repouso; ou repouso sabático para o povo de Deus. 10Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas.
4.10
Gn 2.2

11Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência. 12Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. 13E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.

Jesus, o sumo sacerdote que se compadece de nós

14Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. 15Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. 16Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.

5

Cristo, superior ao sacerdócio da antiga aliança

51Porque todo sumo sacerdote, sendo tomado dentre os homens, é constituído nas coisas concernentes a Deus, a favor dos homens, para oferecer tanto dons como sacrifícios pelos pecados, 2e é capaz de condoer-se dos ignorantes e dos que erram, pois também ele mesmo está rodeado de fraquezas. 3E, por esta razão, deve oferecer sacrifícios pelos pecados, tanto do povo como de si mesmo.

5.3
Lv 9.7
4Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus, como aconteceu com Arão.
5.4
Êx 28.1
5Assim, também Cristo a si mesmo não se glorificou para se tornar sumo sacerdote, mas o glorificou aquele que lhe disse:

Tu és meu Filho, eu hoje te gerei;

5.5
Sl 2.7

6como em outro lugar também diz:

Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.

5.6
Sl 110.4

7Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações
5.7
Mt 26.36-46
Mc 14.32-42
Lc 22.39-46
e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade, 8embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu 9e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem, 10tendo sido nomeado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque.

Os cristãos hebreus não tinham progredido

11A esse respeito temos muitas coisas que dizer e difíceis de explicar, porquanto vos tendes tornado tardios em ouvir. 12Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido. 13Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança.

5.12-13
1Co 3.2
14Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal.

6

Exortação ao progresso na fé

61Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito, não lançando, de novo, a base do arrependimento de obras mortas e da fé em Deus, 2o ensino de batismos e da imposição de mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno. 3Isso faremos, se Deus permitir.

Os perigos espirituais

4É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, 5e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, 6e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia. 7Porque a terra que absorve a chuva que frequentemente cai sobre ela e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus; 8mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada e perto está da maldição;

6.8
Gn 3.17-18
e o seu fim é ser queimada.

As coisas melhores e pertencentes à salvação

9Quanto a vós outros, todavia, ó amados, estamos persuadidos das coisas que são melhores e pertencentes à salvação, ainda que falamos desta maneira. 10Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos. 11Desejamos, porém, continue cada um de vós mostrando, até ao fim, a mesma diligência para a plena certeza da esperança; 12para que não vos torneis indolentes, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas.

A imutabilidade da promessa de Deus

13Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha ninguém superior por quem jurar, jurou por si mesmo, 14dizendo:

Certamente, te abençoarei e te multiplicarei.

6.13-14
Gn 22.16-17

15E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa. 16Pois os homens juram pelo que lhes é superior, e o juramento, servindo de garantia, para eles, é o fim de toda contenda. 17Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento, 18para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta; 19a qual temos por âncora da alma, segura e firme e que penetra além do véu,
6.19
Lv 16.2
20onde Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.
6.20
Sl 110.4