Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
1

A iniquidade de Judá

11Sentença revelada ao profeta Habacuque.

2Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? 3Por que me mostras a iniquidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e o litígio se suscita. 4Por esta causa, a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta, porque o perverso cerca o justo, a justiça é torcida.

Judá será castigado pelos caldeus

5Vede entre as nações, olhai, maravilhai-vos e desvanecei, porque realizo, em vossos dias, obra

1.5
At 13.41
tal, que vós não crereis, quando vos for contada. 6Pois eis que suscito os caldeus,
1.6
2Rs 24.2
nação amarga e impetuosa, que marcham pela largura da terra, para apoderar-se de moradas que não são suas. 7Eles são pavorosos e terríveis, e criam eles mesmos o seu direito e a sua dignidade. 8Os seus cavalos são mais ligeiros do que os leopardos, mais ferozes do que os lobos ao anoitecer são os seus cavaleiros que se espalham por toda parte; sim, os seus cavaleiros chegam de longe, voam como águia que se precipita a devorar. 9Eles todos vêm para fazer violência; o seu rosto suspira por seguir avante; eles reúnem os cativos como areia. 10Eles escarnecem dos reis; os príncipes são objeto do seu riso; riem-se de todas as fortalezas, porque, amontoando terra, as tomam. 11Então, passam como passa o vento e seguem; fazem-se culpados estes cujo poder é o seu deus.

A intercessão do profeta

12Não és tu desde a eternidade, ó Senhor, meu Deus, ó meu Santo? Não morreremos. Ó Senhor, para executar juízo, puseste aquele povo; tu, ó Rocha, o fundaste para servir de disciplina. 13Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar; por que, pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o perverso devora aquele que é mais justo do que ele? 14Por que fazes os homens como os peixes do mar, como os répteis, que não têm quem os governe? 15A todos levanta o inimigo com o anzol, pesca-os de arrastão e os ajunta na sua rede varredoura; por isso, ele se alegra e se regozija. 16Por isso, oferece sacrifício à sua rede e queima incenso à sua varredoura; porque por elas enriqueceu a sua porção, e tem gordura a sua comida. 17Acaso, continuará, por isso, esvaziando a sua rede e matando sem piedade os povos?

2

A resposta do Senhor

21Pôr-me-ei na minha torre de vigia, colocar-me-ei sobre a fortaleza e vigiarei para ver o que Deus me dirá e que resposta eu terei à minha queixa. 2O Senhor me respondeu e disse: Escreve a visão, grava-a sobre tábuas, para que a possa ler até quem passa correndo. 3Porque a visão ainda está para cumprir-se no tempo determinado, mas se apressa para o fim e não falhará; se tardar, espera-o, porque, certamente, virá,

2.3
Hb 10.37
não tardará. 4Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé.
2.4
Rm 1.17
Gl 3.11
Hb 10.38-39
5Assim como o vinho é enganoso, tampouco permanece o arrogante, cuja gananciosa boca se escancara como o sepulcro e é como a morte, que não se farta; ele ajunta para si todas as nações e congrega todos os povos.

Cinco ais sobre os caldeus

6Não levantarão, pois, todos estes contra ele um provérbio, um dito zombador? Dirão:

Ai daquele que acumula o que não é seu (até quando?), e daquele que a si mesmo se carrega de penhores! 7Não se levantarão de repente os teus credores? E não despertarão os que te hão de abalar? Tu lhes servirás de despojo. 8Visto como despojaste a muitas nações, todos os mais povos te despojarão a ti, por causa do sangue dos homens e da violência contra a terra, contra a cidade e contra todos os seus moradores.

9Ai daquele que ajunta em sua casa bens mal adquiridos, para pôr em lugar alto o seu ninho, a fim de livrar-se das garras do mal! 10Vergonha maquinaste para a tua casa; destruindo tu a muitos povos, pecaste contra a tua alma. 11Porque a pedra clamará da parede, e a trave lhe responderá do madeiramento.

12Ai daquele que edifica a cidade com sangue e a fundamenta com iniquidade! 13Não vem do Senhor dos Exércitos que as nações labutem para o fogo e os povos se fatiguem em vão? 14Pois a terra se encherá

2.14
Is 11.9
do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar.

15Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro, misturando à bebida o seu furor, e que o embebeda para lhe contemplar as vergonhas! 16Serás farto de opróbrio em vez de honra; bebe tu também e exibe a tua incircuncisão; chegará a tua vez de tomares o cálice da mão direita do Senhor, e ignomínia cairá sobre a tua glória. 17Porque a violência contra o Líbano te cobrirá, e a destruição que fizeste dos animais ferozes te assombrará, por causa do sangue dos homens e da violência contra a terra, contra a cidade e contra todos os seus moradores.

18Que aproveita o ídolo, visto que o seu artífice o esculpiu? E a imagem de fundição, mestra de mentiras, para que o artífice confie na obra, fazendo ídolos mudos?

19Ai daquele que diz à madeira: Acorda! E à pedra muda: Desperta! Pode o ídolo ensinar? Eis que está coberto de ouro e de prata, mas, no seu interior, não há fôlego nenhum. 20O Senhor, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra.

3

A oração de Habacuque

31Oração do profeta Habacuque sob a forma de canto.

2Tenho ouvido, ó Senhor, as tuas declarações,

e me sinto alarmado;

aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos,

e, no decurso dos anos, faze-a conhecida;

na tua ira, lembra-te da misericórdia.

3Deus vem de Temã,

e do monte Parã vem o Santo.

A sua glória cobre os céus,

e a terra se enche do seu louvor.

4O seu resplendor é como a luz,

raios brilham da sua mão;

e ali está velado o seu poder.

5Adiante dele vai a peste,

e a pestilência segue os seus passos.

6Ele para e faz tremer a terra;

olha e sacode as nações.

Esmigalham-se os montes primitivos;

os outeiros eternos se abatem.

Os caminhos de Deus são eternos.

7Vejo as tendas de Cusã em aflição;

os acampamentos da terra de Midiã tremem.

8Acaso, é contra os rios, Senhor, que estás irado?

É contra os ribeiros a tua ira

ou contra o mar, o teu furor,

já que andas montado nos teus cavalos,

nos teus carros de vitória?

9Tiras a descoberto o teu arco,

e farta está a tua aljava de flechas.

Tu fendes a terra com rios.

10Os montes te veem e se contorcem;

passam torrentes de água;

as profundezas do mar fazem ouvir a sua voz

e levantam bem alto as suas mãos.

11O sol e a lua param nas suas moradas,

ao resplandecer a luz das tuas flechas sibilantes,

ao fulgor do relâmpago da tua lança.

12Na tua indignação, marchas pela terra,

na tua ira, calcas aos pés as nações.

13Tu sais para salvamento do teu povo,

para salvar o teu ungido;

feres o telhado da casa do perverso

e lhe descobres de todo o fundamento.

14Traspassas a cabeça dos guerreiros do inimigo com as suas próprias lanças,

os quais, como tempestade, avançam para me destruir;

regozijam-se, como se estivessem para devorar o pobre às ocultas.

15Marchas com os teus cavalos pelo mar,

pela massa de grandes águas.

16Ouvi-o, e o meu íntimo se comoveu,

à sua voz, tremeram os meus lábios;

entrou a podridão nos meus ossos,

e os joelhos me vacilaram,

pois, em silêncio, devo esperar o dia da angústia,

que virá contra o povo que nos acomete.

17Ainda que a figueira não floresça,

nem haja fruto na vide;

o produto da oliveira minta,

e os campos não produzam mantimento;

as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco,

e nos currais não haja gado,

18todavia, eu me alegro no Senhor,

exulto no Deus da minha salvação.

19O Senhor Deus é a minha fortaleza,

e faz os meus pés como os da corça,

3.19
2Sm 22.34
Sl 18.33

e me faz andar altaneiramente.

Ao mestre de canto. Para instrumentos de cordas.