Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
6

A corrupção do gênero humano

61Como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhas, 2vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as que, entre todas, mais lhes agradaram. 3Então, disse o Senhor: O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos. 4Ora, naquele tempo havia gigantes

6.4
Nm 13.33
na terra; e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram valentes, varões de renome, na antiguidade.

5Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado

6.5
Mt 24.37
Lc 17.26
na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração; 6então, se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração. 7Disse o Senhor: Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus; porque me arrependo de os haver feito. 8Porém Noé achou graça diante do Senhor.

9Eis a história de Noé. Noé era homem justo

6.9
2Pe 2.5
e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus. 10Gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé.

Deus anuncia o dilúvio

11A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência. 12Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra. 13Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra. 14Faze uma arca de tábuas de cipreste; nela farás compartimentos e a calafetarás com betume por dentro e por fora. 15Deste modo a farás: de trezentos côvados será o comprimento; de cinquenta, a largura; e a altura, de trinta. 16Farás ao seu redor uma abertura de um côvado de altura; a porta da arca colocarás lateralmente; farás pavimentos na arca: um em baixo, um segundo e um terceiro. 17Porque estou para derramar águas em dilúvio sobre a terra para consumir toda carne em que há fôlego de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra perecerá. 18Contigo, porém, estabelecerei a minha aliança; entrarás na arca, tu e teus filhos, e tua mulher, e as mulheres de teus filhos. 19De tudo o que vive, de toda carne, dois de cada espécie, macho e fêmea, farás entrar na arca, para os conservares vivos contigo. 20Das aves segundo as suas espécies, do gado segundo as suas espécies, de todo réptil da terra segundo as suas espécies, dois de cada espécie virão a ti, para os conservares em vida. 21Leva contigo de tudo o que se come, ajunta-o contigo; ser-te-á para alimento, a ti e a eles. 22Assim fez Noé,

6.22
Hb 11.7
consoante a tudo o que Deus lhe ordenara.

7

Noé e sua família entram na arca

71Disse o Senhor a Noé: Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque reconheço que tens sido justo diante de mim no meio desta geração. 2De todo animal limpo levarás contigo sete pares: o macho e sua fêmea; mas dos animais imundos, um par: o macho e sua fêmea. 3Também das aves dos céus, sete pares: macho e fêmea; para se conservar a semente sobre a face da terra. 4Porque, daqui a sete dias, farei chover sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites; e da superfície da terra exterminarei todos os seres que fiz. 5E tudo fez Noé, segundo o Senhor lhe ordenara.

6Tinha Noé seiscentos anos de idade, quando as águas do dilúvio inundaram a terra. 7Por causa das águas do dilúvio, entrou Noé na arca,

7.7
Mt 24.38-39
Lc 17.27
ele com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos. 8Dos animais limpos, e dos animais imundos, e das aves, e de todo réptil sobre a terra, 9entraram para Noé, na arca, de dois em dois, macho e fêmea, como Deus lhe ordenara. 10E aconteceu que, depois de sete dias, vieram sobre a terra as águas do dilúvio.

11No ano seiscentos da vida de Noé, aos dezessete dias do segundo mês, nesse dia romperam-se todas as fontes

7.11
2Pe 3.6
do grande abismo, e as comportas dos céus se abriram, 12e houve copiosa chuva sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites. 13Nesse mesmo dia entraram na arca Noé, seus filhos Sem, Cam e Jafé, sua mulher e as mulheres de seus filhos; 14eles, e todos os animais segundo as suas espécies, todo gado segundo as suas espécies, todos os répteis que rastejam sobre a terra segundo as suas espécies, todas as aves segundo as suas espécies, todos os pássaros e tudo o que tem asa. 15De toda carne, em que havia fôlego de vida, entraram de dois em dois para Noé na arca; 16eram macho e fêmea os que entraram de toda carne, como Deus lhe havia ordenado; e o Senhor fechou a porta após ele.

O dilúvio

17Durou o dilúvio quarenta dias sobre a terra; cresceram as águas e levantaram a arca de sobre a terra. 18Predominaram as águas e cresceram sobremodo na terra; a arca, porém, vogava sobre as águas. 19Prevaleceram as águas excessivamente sobre a terra e cobriram todos os altos montes que havia debaixo do céu. 20Quinze côvados acima deles prevaleceram as águas; e os montes foram cobertos. 21Pereceu toda carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como de animais domésticos e animais selváticos, e de todos os enxames de criaturas que povoam a terra, e todo homem. 22Tudo o que tinha fôlego de vida em suas narinas, tudo o que havia em terra seca, morreu. 23Assim, foram exterminados todos os seres que havia sobre a face da terra; o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus foram extintos da terra; ficou somente Noé e os que com ele estavam na arca. 24E as águas durante cento e cinquenta dias predominaram sobre a terra.

8

Diminuem as águas do dilúvio

81Lembrou-se Deus de Noé e de todos os animais selváticos e de todos os animais domésticos que com ele estavam na arca; Deus fez soprar um vento sobre a terra, e baixaram as águas. 2Fecharam-se as fontes do abismo e também as comportas dos céus, e a copiosa chuva dos céus se deteve. 3As águas iam-se escoando continuamente de sobre a terra e minguaram ao cabo de cento e cinquenta dias. 4No dia dezessete do sétimo mês, a arca repousou sobre as montanhas de Ararate. 5E as águas foram minguando até ao décimo mês, em cujo primeiro dia apareceram os cimos dos montes.

Noé solta um corvo e depois uma pomba

6Ao cabo de quarenta dias, abriu Noé a janela que fizera na arca 7e soltou um corvo, o qual, tendo saído, ia e voltava, até que se secaram as águas de sobre a terra. 8Depois, soltou uma pomba para ver se as águas teriam já minguado da superfície da terra; 9mas a pomba, não achando onde pousar o pé, tornou a ele para a arca; porque as águas cobriam ainda a terra. Noé, estendendo a mão, tomou-a e a recolheu consigo na arca. 10Esperou ainda outros sete dias e de novo soltou a pomba fora da arca. 11À tarde, ela voltou a ele; trazia no bico uma folha nova de oliveira; assim entendeu Noé que as águas tinham minguado de sobre a terra. 12Então, esperou ainda mais sete dias e soltou a pomba; ela, porém, já não tornou a ele.

Noé e sua família saem da arca

13Sucedeu que, no primeiro dia do primeiro mês, do ano seiscentos e um, as águas se secaram de sobre a terra. Então, Noé removeu a cobertura da arca e olhou, e eis que o solo estava enxuto. 14E, aos vinte e sete dias do segundo mês, a terra estava seca. 15Então, disse Deus a Noé: 16Sai da arca, e, contigo, tua mulher, e teus filhos, e as mulheres de teus filhos. 17Os animais que estão contigo, de toda carne, tanto aves como gado, e todo réptil que rasteja sobre a terra, faze sair a todos, para que povoem a terra, sejam fecundos e nela se multipliquem. 18Saiu, pois, Noé, com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos. 19E também saíram da arca todos os animais, todos os répteis, todas as aves e tudo o que se move sobre a terra, segundo as suas famílias.

Noé levanta um altar

20Levantou Noé um altar ao Senhor e, tomando de animais limpos e de aves limpas, ofereceu holocaustos sobre o altar. 21E o Senhor aspirou o suave cheiro e disse consigo mesmo: Não tornarei a amaldiçoar a terra por causa do homem, porque é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade; nem tornarei a ferir todo vivente, como fiz. 22Enquanto durar a terra, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite.