Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
33

O encontro de Esaú e Jacó

331Levantando Jacó os olhos, viu que Esaú se aproximava, e com ele quatrocentos homens. Então, passou os filhos a Lia, a Raquel e às duas servas. 2Pôs as servas e seus filhos à frente, Lia e seus filhos atrás deles e Raquel e José por últimos. 3E ele mesmo, adiantando-se, prostrou-se à terra sete vezes, até aproximar-se de seu irmão. 4Então, Esaú correu-lhe ao encontro e o abraçou; arrojou-se-lhe ao pescoço e o beijou; e choraram. 5Daí, levantando os olhos, viu as mulheres e os meninos e disse: Quem são estes contigo? Respondeu-lhe Jacó: Os filhos com que Deus agraciou a teu servo. 6Então, se aproximaram as servas, elas e seus filhos, e se prostraram. 7Chegaram também Lia e seus filhos e se prostraram; por último chegaram José e Raquel e se prostraram. 8Perguntou Esaú: Qual é o teu propósito com todos esses bandos que encontrei? Respondeu Jacó: Para lograr mercê na presença de meu senhor. 9Então, disse Esaú: Eu tenho muitos bens, meu irmão; guarda o que tens. 10Mas Jacó insistiu: Não recuses; se logrei mercê diante de ti, peço-te que aceites o meu presente, porquanto vi o teu rosto como se tivesse contemplado o semblante de Deus; e te agradaste de mim. 11Peço-te, pois, recebe o meu presente, que eu te trouxe; porque Deus tem sido generoso para comigo, e tenho fartura. E instou com ele, até que o aceitou.

12Disse Esaú: Partamos e caminhemos; eu seguirei junto de ti. 13Porém Jacó lhe disse: Meu senhor sabe que estes meninos são tenros, e tenho comigo ovelhas e vacas de leite; se forçadas a caminhar demais um só dia, morrerão todos os rebanhos. 14Passe meu senhor adiante de seu servo; eu seguirei guiando-as pouco a pouco, no passo do gado que me vai à frente e no passo dos meninos, até chegar a meu senhor, em Seir.

15Respondeu Esaú: Então, permite que eu deixe contigo da gente que está comigo. Disse Jacó: Para quê? Basta que eu alcance mercê aos olhos de meu senhor. 16Assim, voltou Esaú aquele dia a Seir, pelo caminho por onde viera. 17E Jacó partiu para Sucote, e edificou para si uma casa, e fez palhoças para o seu gado; por isso, o lugar se chamou Sucote.

Jacó chega a Siquém

18Voltando de Padã-Arã, chegou Jacó são e salvo à cidade de Siquém, que está na terra de Canaã; e armou a sua tenda junto da cidade. 19A parte do campo,

33.19
Js 24.32
Jo 4.5
onde armara a sua tenda, ele a comprou dos filhos de Hamor, pai de Siquém, por cem peças de dinheiro. 20E levantou ali um altar e lhe chamou Deus, o Deus de Israel.

34

Diná e os siquemitas

341Ora, Diná, filha que Lia dera à luz a Jacó, saiu para ver as filhas da terra. 2Viu-a Siquém, filho do heveu Hamor, que era príncipe daquela terra, e, tomando-a, a possuiu e assim a humilhou. 3Sua alma se apegou a Diná, filha de Jacó, e amou a jovem, e falou-lhe ao coração. 4Então, disse Siquém a Hamor, seu pai: Consegue-me esta jovem para esposa. 5Quando soube Jacó que Diná, sua filha, fora violada por Siquém, estavam os seus filhos no campo com o gado; calou-se, pois, até que voltassem. 6E saiu Hamor, pai de Siquém, para falar com Jacó. 7Vindo os filhos de Jacó do campo e ouvindo o que acontecera, indignaram-se e muito se iraram, pois Siquém praticara um desatino em Israel, violentando a filha de Jacó, o que se não devia fazer.

8Disse-lhes Hamor: A alma de meu filho Siquém está enamorada fortemente de vossa filha; peço-vos que lha deis por esposa. 9Aparentai-vos conosco, dai-nos as vossas filhas e tomai as nossas; 10habitareis conosco, a terra estará ao vosso dispor; habitai e negociai nela e nela tende possessões. 11E o próprio Siquém disse ao pai e aos irmãos de Diná: Ache eu mercê diante de vós e vos darei o que determinardes. 12Majorai de muito o dote de casamento e as dádivas, e darei o que me pedirdes; dai-me, porém, a jovem por esposa.

13Então, os filhos de Jacó, por causa de lhes haver Siquém violado a irmã, Diná, responderam com dolo a Siquém e a seu pai Hamor e lhes disseram: 14Não podemos fazer isso, dar nossa irmã a um homem incircunciso; porque isso nos seria ignomínia. 15Sob uma única condição permitiremos: que vos torneis como nós, circuncidando-se todo macho entre vós; 16então, vos daremos nossas filhas, tomaremos para nós as vossas, habitaremos convosco e seremos um só povo. 17Se, porém, não nos ouvirdes e não vos circuncidardes, tomaremos a nossa filha e nos retiraremos embora.

18Tais palavras agradaram a Hamor e a Siquém, seu filho. 19Não tardou o jovem em fazer isso, porque amava a filha de Jacó e era o mais honrado de toda a casa de seu pai. 20Vieram, pois, Hamor e Siquém, seu filho, à porta da sua cidade e falaram aos homens da cidade: 21Estes homens são pacíficos para conosco; portanto, habitem na terra e negociem nela. A terra é bastante espaçosa para contê-los; recebamos por mulheres a suas filhas e demos-lhes também as nossas. 22Somente, porém, consentirão os homens em habitar conosco, tornando-nos um só povo, se todo macho entre nós se circuncidar, como eles são circuncidados. 23O seu gado, as suas possessões e todos os seus animais não serão nossos? Consintamos, pois, com eles, e habitarão conosco. 24E deram ouvidos a Hamor e a Siquém, seu filho, todos os que saíam da porta da cidade; e todo homem foi circuncidado, dos que saíam pela porta da sua cidade.

A traição de Simeão e Levi

25Ao terceiro dia, quando os homens sentiam mais forte a dor, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, tomaram cada um a sua espada, entraram inesperadamente na cidade e mataram os homens todos. 26Passaram também ao fio da espada a Hamor e a seu filho Siquém; tomaram a Diná da casa de Siquém e saíram. 27Sobrevieram os filhos de Jacó aos mortos e saquearam a cidade, porque sua irmã fora violada. 28Levaram deles os rebanhos, os bois, os jumentos e o que havia na cidade e no campo; 29todos os seus bens, e todos os seus meninos, e as suas mulheres levaram cativos e pilharam tudo o que havia nas casas. 30Então, disse Jacó a Simeão e a Levi: Vós me afligistes e me fizestes odioso entre os moradores desta terra, entre os cananeus e os ferezeus; sendo nós pouca gente, reunir-se-ão contra mim, e serei destruído, eu e minha casa. 31Responderam: Abusaria ele de nossa irmã, como se fosse prostituta?

35

Jacó erige um altar em Betel

351Disse Deus a Jacó: Levanta-te, sobe a Betel e habita ali; faze ali um altar ao Deus que te apareceu quando fugias

35.1
Gn 28.11-17
da presença de Esaú, teu irmão. 2Então, disse Jacó à sua família e a todos os que com ele estavam: Lançai fora os deuses estranhos que há no vosso meio, purificai-vos e mudai as vossas vestes; 3levantemo-nos e subamos a Betel. Farei ali um altar ao Deus que me respondeu no dia da minha angústia e me acompanhou no caminho por onde andei. 4Então, deram a Jacó todos os deuses estrangeiros que tinham em mãos e as argolas que lhes pendiam das orelhas; e Jacó os escondeu debaixo do carvalho que está junto a Siquém.

5E, tendo eles partido, o terror de Deus invadiu as cidades que lhes eram circunvizinhas, e não perseguiram aos filhos de Jacó. 6Assim, chegou Jacó a Luz, chamada Betel, que está na terra de Canaã, ele e todo o povo que com ele estava. 7E edificou ali um altar e ao lugar chamou El-Betel; porque ali Deus se lhe revelou quando fugia da presença de seu irmão. 8Morreu Débora, a ama de Rebeca, e foi sepultada ao pé de Betel, debaixo do carvalho que se chama Alom-Bacute.

9Vindo Jacó de Padã-Arã, outra vez lhe apareceu Deus e o abençoou. 10Disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó. Já não te chamarás Jacó,

35.10
Gn 32.28
porém Israel será o teu nome. E lhe chamou Israel. 11Disse-lhe mais: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; sê fecundo e multiplica-te; uma nação e multidão de nações sairão de ti, e reis procederão de ti. 12A terra que dei a Abraão e a Isaque dar-te-ei a ti e, depois de ti, à tua descendência.
35.11-12
Gn 17.4-8
13E Deus se retirou dele, elevando-se do lugar onde lhe falara. 14Então, Jacó erigiu uma coluna de pedra no lugar onde Deus falara com ele; e derramou sobre ela uma libação e lhe deitou óleo. 15Ao lugar onde Deus lhe falara, Jacó lhe chamou Betel.
35.14-15
Gn 28.18-19

O nascimento de Benjamim e a morte de Raquel

16Partiram de Betel, e, havendo ainda pequena distância para chegar a Efrata, deu à luz Raquel um filho, cujo nascimento lhe foi a ela penoso. 17Em meio às dores do parto, disse-lhe a parteira: Não temas, pois ainda terás este filho. 18Ao sair-lhe a alma (porque morreu), deu-lhe o nome de Benoni; mas seu pai lhe chamou Benjamim. 19Assim, morreu Raquel e foi sepultada no caminho de Efrata, que é Belém.

35.16-19
Jr 31.15
20Sobre a sepultura de Raquel levantou Jacó uma coluna que existe até ao dia de hoje. 21Então, partiu Israel e armou a sua tenda além da torre de Éder.

22E aconteceu que, habitando Israel naquela terra, foi Rúben e se deitou com Bila, concubina de seu pai; e Israel o soube. Eram doze os filhos de Israel.

Descendentes de Jacó

1Cr 2.1-2

23Rúben, o primogênito de Jacó, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom, filhos de Lia; 24José e Benjamim, filhos de Raquel; 25Dã e Naftali, filhos de Bila, serva de Raquel; 26e Gade e Aser, filhos de Zilpa, serva de Lia. São estes os filhos de Jacó, que lhe nasceram em Padã-Arã.

27Veio Jacó a Isaque, seu pai, a Manre, a Quiriate-Arba (que é Hebrom), onde peregrinaram Abraão

35.27
Gn 13.18
e Isaque. 28Foram os dias de Isaque cento e oitenta anos. 29Velho e farto de dias, expirou Isaque e morreu, sendo recolhido ao seu povo; e Esaú e Jacó, seus filhos, o sepultaram.