Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)

301Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve ciúmes de sua irmã e disse a Jacó: Dá-me filhos, senão morrerei. 2Então, Jacó se irou contra Raquel e disse: Acaso, estou eu em lugar de Deus que ao teu ventre impediu frutificar? 3Respondeu ela: Eis aqui Bila, minha serva; coabita com ela, para que dê à luz, e eu traga filhos ao meu colo, por meio dela. 4Assim, lhe deu a Bila, sua serva, por mulher; e Jacó a possuiu. 5Bila concebeu e deu à luz um filho a Jacó. 6Então, disse Raquel: Deus me julgou, e também me ouviu a voz, e me deu um filho; portanto, lhe chamou Dã. 7Concebeu outra vez Bila, serva de Raquel, e deu à luz o segundo filho a Jacó. 8Disse Raquel: Com grandes lutas tenho competido com minha irmã e logrei prevalecer; chamou-lhe, pois, Naftali.

9Vendo Lia que ela mesma cessara de conceber, tomou também a Zilpa, sua serva, e deu-a a Jacó, por mulher. 10Zilpa, serva de Lia, deu a Jacó um filho. 11Disse Lia: Afortunada! E lhe chamou Gade. 12Depois, Zilpa, serva de Lia, deu o segundo filho a Jacó. 13Então, disse Lia: É a minha felicidade! Porque as filhas me terão por venturosa; e lhe chamou Aser.

14Foi Rúben nos dias da ceifa do trigo, e achou mandrágoras no campo, e trouxe-as a Lia, sua mãe. Então, disse Raquel a Lia: Dá-me das mandrágoras de teu filho. 15Respondeu ela: Achas pouco o me teres levado o marido? Tomarás também as mandrágoras de meu filho? Disse Raquel: Ele te possuirá esta noite, a troco das mandrágoras de teu filho. 16À tarde, vindo Jacó do campo, saiu-lhe ao encontro Lia e lhe disse: Esta noite me possuirás, pois eu te aluguei pelas mandrágoras de meu filho. E Jacó, naquela noite, coabitou com ela. 17Ouviu Deus a Lia; ela concebeu e deu à luz o quinto filho. 18Então, disse Lia: Deus me recompensou, porque dei a minha serva a meu marido; e chamou-lhe Issacar. 19E Lia, tendo concebido outra vez, deu a Jacó o sexto filho. 20E disse: Deus me concedeu excelente dote; desta vez permanecerá comigo meu marido, porque lhe dei seis filhos; e lhe chamou Zebulom. 21Depois disto, deu à luz uma filha e lhe chamou Diná. 22Lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e a fez fecunda. 23Ela concebeu, deu à luz um filho e disse: Deus me tirou o meu vexame. 24E lhe chamou José, dizendo: Dê-me o Senhor ainda outro filho.

25Tendo Raquel dado à luz a José, disse Jacó a Labão: Permite-me que eu volte ao meu lugar e à minha terra. 26Dá-me meus filhos e as mulheres, pelas quais eu te servi, e partirei; pois tu sabes quanto e de que maneira te servi.

Labão faz novo pacto com Jacó

27Labão lhe respondeu: Ache eu mercê diante de ti; fica comigo. Tenho experimentado que o Senhor me abençoou por amor de ti. 28E disse ainda: Fixa o teu salário, que te pagarei. 29Disse-lhe Jacó: Tu sabes como te venho servindo e como cuidei do teu gado. 30Porque o pouco que tinhas antes da minha vinda foi aumentado grandemente; e o Senhor te abençoou por meu trabalho. Agora, pois, quando hei de eu trabalhar também por minha casa? 31Então, Labão lhe perguntou: Que te darei? Respondeu Jacó: Nada me darás; tornarei a apascentar e a guardar o teu rebanho, se me fizeres isto: 32Passarei hoje por todo o teu rebanho, separando dele os salpicados e malhados, e todos os negros entre os cordeiros, e o que é malhado e salpicado entre as cabras; será isto o meu salário. 33Assim, responderá por mim a minha justiça, no dia de amanhã, quando vieres ver o meu salário diante de ti; o que não for salpicado e malhado entre as cabras e negro entre as ovelhas, esse, se for achado comigo, será tido por furtado. 34Disse Labão: Pois sim! Seja conforme a tua palavra. 35Mas, naquele mesmo dia, separou Labão os bodes listados e malhados e todas as cabras salpicadas e malhadas, todos os que tinham alguma brancura e todos os negros entre os cordeiros; e os passou às mãos de seus filhos. 36E pôs a distância de três dias de jornada entre si e Jacó; e Jacó apascentava o restante dos rebanhos de Labão.

Jacó se enriquece

37Tomou, então, Jacó varas verdes de álamo, de aveleira e de plátano e lhes removeu a casca, em riscas abertas, deixando aparecer a brancura das varas, 38as quais, assim escorchadas, pôs ele em frente do rebanho, nos canais de água e nos bebedouros, aonde os rebanhos vinham para dessedentar-se, e conceberam quando vinham a beber. 39E concebia o rebanho diante das varas, e as ovelhas davam crias listadas, salpicadas e malhadas. 40Então, separou Jacó os cordeiros e virou o rebanho para o lado dos listados e dos pretos nos rebanhos de Labão; e pôs o seu rebanho à parte e não o juntou com o rebanho de Labão. 41E, todas as vezes que concebiam as ovelhas fortes, punha Jacó as varas à vista do rebanho nos canais de água, para que concebessem diante das varas. 42Porém, quando o rebanho era fraco, não as punha; assim, as fracas eram de Labão, e as fortes, de Jacó. 43E o homem se tornou mais e mais rico; teve muitos rebanhos, e servas, e servos, e camelos, e jumentos.