Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
31

O destino do Egito

311No undécimo ano, no terceiro mês, no primeiro dia do mês, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 2Filho do homem, dize a Faraó, rei do Egito, e à multidão do seu povo: A quem és semelhante na tua grandeza? 3Eis que a Assíria era um cedro no Líbano, de lindos ramos, de sombrosa folhagem, de grande estatura, cujo topo estava entre os ramos espessos. 4As águas o fizeram crescer, as fontes das profundezas da terra o exalçaram e fizeram correr as torrentes no lugar em que estava plantado, enviando ribeiros para todas as árvores do campo. 5Por isso, se elevou a sua estatura sobre todas as árvores do campo, e se multiplicaram os seus ramos, e se alongaram as suas varas, por causa das muitas águas durante o seu crescimento. 6Todas as aves do céu se aninhavam nos seus ramos, todos os animais do campo geravam debaixo da sua fronde, e todos os grandes povos se assentavam à sua sombra. 7Assim, era ele formoso na sua grandeza e na extensão dos seus ramos, porque a sua raiz estava junto às muitas águas. 8Os cedros no jardim de Deus

31.8
Gn 2.9
não lhe eram rivais; os ciprestes não igualavam os seus ramos, e os plátanos não tinham renovos como os seus; nenhuma árvore no jardim de Deus se assemelhava a ele na sua formosura. 9Formoso o fiz com a multidão dos seus ramos; todas as árvores do Éden, que estavam no jardim de Deus, tiveram inveja dele.

10Portanto, assim diz o Senhor Deus: Como sobremaneira se elevou, e se levantou o seu topo no meio dos espessos ramos, e o seu coração se exalçou na sua altura, 11eu o entregarei nas mãos da mais poderosa das nações, que lhe dará o tratamento segundo merece a sua perversidade; lançá-lo-ei fora. 12Os mais terríveis estrangeiros das nações o cortaram e o deixaram; caíram os seus ramos sobre os montes e por todos os vales; os seus renovos foram quebrados por todas as correntes da terra; todos os povos da terra se retiraram da sua sombra e o deixaram. 13Todas as aves do céu habitarão na sua ruína, e todos os animais do campo se acolherão sob os seus ramos, 14para que todas as árvores junto às águas não se exaltem na sua estatura, nem levantem o seu topo no meio dos ramos espessos, nem as que bebem as águas venham a confiar em si, por causa da sua altura; porque todos os orgulhosos estão entregues à morte e se abismarão às profundezas da terra, no meio dos filhos dos homens, com os que descem à cova.

15Assim diz o Senhor Deus: No dia em que ele passou para o além, fiz eu que houvesse luto; por sua causa, cobri a profundeza da terra, retive as suas correntes, e as suas muitas águas se detiveram; cobri o Líbano de preto, por causa dele, e todas as árvores do campo desfaleceram por causa dele. 16Ao som da sua queda, fiz tremer as nações, quando o fiz passar para o além com os que descem à cova; todas as árvores do Éden, a fina flor e o melhor do Líbano, todas as que foram regadas pelas águas se consolavam nas profundezas da terra. 17Também estas, com ele, passarão para o além, a juntar-se aos que foram traspassados à espada; sim, aos que foram seu braço e que estavam assentados à sombra no meio das nações.

18A quem, pois, és semelhante em glória e em grandeza entre as árvores do Éden? Todavia, descerás com as árvores do Éden às profundezas da terra; no meio dos incircuncisos, jazerás com os que foram traspassados à espada; este é Faraó e toda a sua pompa, diz o Senhor Deus.

32

Lamentação contra Faraó, rei do Egito

321No ano duodécimo, no duodécimo mês, no primeiro dia do mês, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 2Filho do homem, levanta uma lamentação contra Faraó, rei do Egito, e dize-lhe: Foste comparado a um filho de leão entre as nações, mas não passas de um crocodilo nas águas; agitavas as águas, turvando-as com os pés, sujando os rios. 3Assim diz o Senhor Deus: Estenderei sobre ti a minha rede no meio de muitos povos, que te puxarão para fora na minha rede. 4Então, te deixarei em terra; no campo aberto, te lançarei e farei morar sobre ti todas as aves do céu; e se fartarão de ti os animais de toda a terra. 5Porei as tuas carnes sobre os montes e encherei os vales da tua corpulência. 6Com o teu sangue que se derrama, regarei a terra até aos montes, e dele se encherão as correntes. 7Quando eu te extinguir, cobrirei os céus

32.7
Mt 24.29
Mc 13.24-25
Lc 21.25
Ap 6.12-13
8.12
e farei enegrecer as suas estrelas; encobrirei o sol com uma nuvem, e a lua não resplandecerá a sua luz. 8Por tua causa, vestirei de preto todos os brilhantes luminares do céu e trarei trevas sobre o teu país, diz o Senhor Deus. 9Afligirei o coração de muitos povos, quando se levar às nações, às terras que não conheceste, a notícia da tua destruição. 10Farei que muitos povos fiquem pasmados a teu respeito, e os seus reis tremam sobremaneira, quando eu brandir a minha espada ante o seu rosto; estremecerão a cada momento, cada um pela sua vida, no dia da tua queda.

11Pois assim diz o Senhor Deus: A espada do rei da Babilônia virá contra ti. 12Farei cair a tua multidão com as espadas dos valentes, que são todos os mais terríveis dos povos; eles destruirão a soberba do Egito, e toda a sua pompa será destruída. 13Farei perecer todos os seus animais ao longo de muitas águas; pé de homem não as turbará, nem as turbarão unhas de animais. 14Então, farei assentar as suas águas; e farei correr os seus rios como o azeite, diz o Senhor Deus. 15Quando eu tornar a terra do Egito em desolação e a terra for destituída de tudo que a enchia, e quando eu ferir a todos os que nela habitam, então, saberão que eu sou o Senhor. 16Esta é a lamentação que se fará, que farão as filhas das nações; sobre o Egito e toda sua pompa se lamentará, diz o Senhor Deus.

Os egípcios com outras nações no além

17Também no ano duodécimo, aos quinze dias do primeiro mês, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 18Filho do homem, pranteia sobre a multidão do Egito, faze-a descer, a ela e as filhas das nações formosas, às profundezas da terra, juntamente com os que descem à cova. 19A quem sobrepujas tu em beleza? Desce e deita-te com os incircuncisos. 20No meio daqueles que foram traspassados à espada, eles cairão; à espada, ele está entregue; arrastai o Egito e a toda a sua multidão. 21Os mais poderosos dos valentes, juntamente com os que o socorrem, lhe gritarão do além: Desceram e lá jazem eles, os incircuncisos, traspassados à espada.

22Ali, está a Assíria com todo o seu povo; em redor dela, todos os seus sepulcros; todos eles foram traspassados e caíram à espada. 23Os seus sepulcros foram postos nas extremidades da cova, e todo o seu povo se encontra ao redor do seu sepulcro; todos foram traspassados, e caíram à espada os que tinham causado espanto na terra dos viventes.

24Ali, está Elão com todo o seu povo, em redor do seu sepulcro; todos eles foram traspassados e caíram à espada; eles, os incircuncisos, desceram às profundezas da terra, causaram terror na terra dos viventes e levaram a sua vergonha com os que desceram à cova. 25No meio dos traspassados, lhe puseram um leito entre todo o seu povo; ao redor dele, estão os seus sepulcros; todos eles são incircuncisos, traspassados à espada, porque causaram terror na terra dos viventes e levaram a sua vergonha com os que desceram à cova; no meio dos traspassados, foram postos.

26Ali, estão Meseque e Tubal com todo o seu povo; ao redor deles, estão os seus sepulcros; todos eles são incircuncisos e traspassados à espada, porquanto causaram terror na terra dos viventes. 27E não se acharão com os valentes de outrora que, dentre os incircuncisos, caíram e desceram ao sepulcro com as suas próprias armas de guerra e com a espada debaixo da cabeça; a iniquidade deles está sobre os seus ossos, porque eram o terror dos heróis na terra dos viventes. 28Também tu, Egito, serás quebrado no meio dos incircuncisos e jazerás com os que foram traspassados à espada.

29Ali, está Edom, os seus reis e todos os seus príncipes, que, apesar do seu poder, foram postos com os que foram traspassados à espada; estes jazem com os incircuncisos e com os que desceram à cova.

30Ali, estão os príncipes do Norte, todos eles, e todos os sidônios, que desceram com os traspassados, envergonhados com o terror causado pelo seu poder; e jazem incircuncisos com os que foram traspassados à espada e levam a sua vergonha com os que desceram à cova.

31Faraó os verá e se consolará com toda a sua multidão; sim, o próprio Faraó e todo o seu exército, pelo que jazerá no meio dos traspassados à espada, diz o Senhor Deus. 32Porque também eu pus o meu espanto na terra dos viventes; pelo que jazerá, no meio dos incircuncisos, com os traspassados à espada, Faraó e todo o seu povo, diz o Senhor Deus.

29.1—32.32
Is 19.1-25
Jr 46.2-26

33

O dever do verdadeiro atalaia

331Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 2Filho do homem, fala aos filhos de teu povo e dize-lhes: Quando eu fizer vir a espada sobre a terra, e o povo da terra tomar um homem dos seus limites, e o constituir por seu atalaia; 3e, vendo ele que a espada vem sobre a terra, tocar a trombeta e avisar o povo; 4se aquele que ouvir o som da trombeta não se der por avisado, e vier a espada e o abater, o seu sangue será sobre a sua cabeça. 5Ele ouviu o som da trombeta e não se deu por avisado; o seu sangue será sobre ele; mas o que se dá por avisado salvará a sua vida. 6Mas, se o atalaia vir que vem a espada e não tocar a trombeta, e não for avisado o povo; se a espada vier e abater uma vida dentre eles, este foi abatido na sua iniquidade, mas o seu sangue demandarei do atalaia.

7A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre a casa de Israel; tu, pois, ouvirás a palavra da minha boca e lhe darás aviso da minha parte. 8Se eu disser ao perverso: Ó perverso, certamente, morrerás; e tu não falares, para avisar o perverso do seu caminho, morrerá esse perverso na sua iniquidade, mas o seu sangue eu o demandarei de ti. 9Mas, se falares ao perverso, para o avisar do seu caminho, para que dele se converta, e ele não se converter do seu caminho, morrerá ele na sua iniquidade, mas tu livraste a tua alma.

33.1-9
Ez 3.16-21

10Tu, pois, filho do homem, dize à casa de Israel: Assim falais vós: Visto que as nossas prevaricações e os nossos pecados estão sobre nós, e nós desfalecemos neles, como, pois, viveremos? 11Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer, ó casa de Israel? 12Tu, pois, filho do homem, dize aos filhos do teu povo: A justiça do justo não o livrará no dia da sua transgressão; quanto à perversidade do perverso, não cairá por ela, no dia em que se converter da sua perversidade; nem o justo pela justiça poderá viver no dia em que pecar. 13Quando eu disser ao justo que, certamente, viverá, e ele, confiando na sua justiça, praticar iniquidade, não me virão à memória todas as suas justiças, mas na sua iniquidade, que pratica, ele morrerá. 14Quando eu também disser ao perverso: Certamente, morrerás; se ele se converter do seu pecado, e fizer juízo e justiça, 15e restituir esse perverso o penhor, e pagar o furtado, e andar nos estatutos da vida, e não praticar iniquidade, certamente, viverá; não morrerá. 16De todos os seus pecados que cometeu não se fará memória contra ele; juízo e justiça fez; certamente, viverá.

17Todavia, os filhos do teu povo dizem: Não é reto o caminho do Senhor; mas o próprio caminho deles é que não é reto. 18Desviando-se o justo da sua justiça e praticando iniquidade, morrerá nela. 19E, convertendo-se o perverso da sua perversidade e fazendo juízo e justiça, por isto mesmo viverá. 20Todavia, vós dizeis: Não é reto o caminho do Senhor. Mas eu vos julgarei, cada um segundo os seus caminhos, ó casa de Israel.

33.11-20
Ez 18.21-32

O castigo de Israel por causa da sua presunção

21No ano duodécimo do nosso exílio, aos cinco dias do décimo mês, veio a mim um que tinha escapado de Jerusalém, dizendo: Caiu a cidade.

33.21
2Rs 25.3-10
Jr 39.2-8
52.4-14
22Ora, a mão do Senhor estivera sobre mim pela tarde, antes que viesse o que tinha escapado; abrira-se-me a boca antes de, pela manhã, vir ter comigo o tal homem; e, uma vez aberta, já não fiquei em silêncio.

23Então, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 24Filho do homem, os moradores destes lugares desertos da terra de Israel falam, dizendo: Abraão era um só; no entanto, possuiu esta terra; ora, sendo nós muitos, certamente, esta terra nos foi dada em possessão. 25Dize-lhes, portanto: Assim diz o Senhor Deus: Comeis a carne com sangue, levantais os olhos para os vossos ídolos e derramais sangue; porventura, haveis de possuir a terra? 26Vós vos estribais sobre a vossa espada, cometeis abominações, e contamina cada um a mulher do seu próximo; e possuireis a terra? 27Assim lhes dirás: Assim diz o Senhor Deus: Tão certo como eu vivo, os que estiverem em lugares desertos cairão à espada, e o que estiver em campo aberto, o entregarei às feras, para que o devorem, e os que estiverem em fortalezas e em cavernas morrerão de peste. 28Tornarei a terra em desolação e espanto, e será humilhado o orgulho do seu poder; os montes de Israel ficarão tão desolados, que ninguém passará por eles. 29Então, saberão que eu sou o Senhor, quando eu tornar a terra em desolação e espanto, por todas as abominações que cometeram.

30Quanto a ti, ó filho do homem, os filhos do teu povo falam de ti junto aos muros e nas portas das casas; fala um com o outro, cada um a seu irmão, dizendo: Vinde, peço-vos, e ouvi qual é a palavra que procede do Senhor. 31Eles vêm a ti, como o povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois, com a boca, professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro. 32Eis que tu és para eles como quem canta canções de amor, que tem voz suave e tange bem; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra. 33Mas, quando vier isto e aí vem, então, saberão que houve no meio deles um profeta.

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