Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
19

A parábola do leão enjaulado

191E tu levanta uma lamentação sobre os príncipes de Israel 2e dize: Quem é tua mãe? Uma leoa entre leões, a qual, deitada entre os leõezinhos, criou os seus filhotes. 3Criou um dos seus filhotinhos, o qual veio a ser leãozinho, e aprendeu a apanhar a presa, e devorou homens. 4As nações ouviram falar dele, e foi ele apanhado na cova que elas fizeram e levado com ganchos para a terra do Egito. 5Vendo a leoa frustrada e perdida a sua esperança, tomou outro dos seus filhotes e o fez leãozinho. 6Este, andando entre os leões, veio a ser um leãozinho, e aprendeu a apanhar a presa, e devorou homens. 7Aprendeu a fazer viúvas e a tornar desertas as cidades deles; ficaram estupefatos a terra e seus habitantes, ao ouvirem o seu rugido. 8Então, se ajuntaram contra ele as gentes das províncias em roda, estenderam sobre ele a rede, e foi apanhado na cova que elas fizeram. 9Com gancho, meteram-no em jaula, e o levaram ao rei da Babilônia, e fizeram-no entrar nos lugares fortes, para que se não ouvisse mais a sua voz nos montes de Israel.

A parábola da videira arruinada

10Tua mãe, de sua natureza, era qual videira plantada junto às águas; plantada à borda, ela frutificou e se encheu de ramos, por causa das muitas águas. 11Tinha galhos fortes para cetros de dominadores; elevou-se a sua estatura entre os espessos ramos, e foi vista na sua altura com a multidão deles. 12Mas foi arrancada com furor e lançada por terra, e o vento oriental secou-lhe o fruto; quebraram-se e secaram os seus fortes galhos, e o fogo os consumiu. 13Agora, está plantada no deserto, numa terra seca e sedenta. 14Dos galhos dos seus ramos saiu fogo que consumiu o seu fruto, de maneira que já não há nela galho forte que sirva de cetro para dominar. Esta é uma lamentação e ficará servindo de lamentação.

20

As abominações da casa de Israel depois do êxodo

201No quinto mês do sétimo ano, aos dez dias do mês, vieram alguns dos anciãos de Israel para consultar ao Senhor; e assentaram-se diante de mim. 2Então, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 3Filho do homem, fala aos anciãos de Israel e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Acaso, viestes consultar-me? Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, vós não me consultareis. 4Julgá-los-ias tu, ó filho do homem, julgá-los-ias? Faze-lhes saber as abominações de seus pais 5e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: No dia em que escolhi a Israel, levantando a mão, jurei à descendência da casa de Jacó e me dei a conhecer a eles na terra do Egito; levantei-lhes a mão e jurei: Eu sou o Senhor, vosso Deus. 6Naquele dia, levantei-lhes a mão e jurei tirá-los da terra do Egito para uma terra que lhes tinha previsto, a qual mana leite e mel, coroa de todas as terras.

20.5-6
Êx 6.2-8
7Então, lhes disse: Cada um lance de si as abominações de que se agradam os seus olhos, e não vos contamineis com os ídolos do Egito; eu sou o Senhor, vosso Deus.

8Mas rebelaram-se contra mim e não me quiseram ouvir; ninguém lançava de si as abominações de que se agradavam os seus olhos, nem abandonava os ídolos do Egito. Então, eu disse que derramaria sobre eles o meu furor, para cumprir a minha ira contra eles, no meio da terra do Egito. 9O que fiz, porém, foi por amor do meu nome, para que não fosse profanado diante das nações no meio das quais eles estavam, diante das quais eu me dei a conhecer a eles, para os tirar da terra do Egito. 10Tirei-os da terra do Egito e os levei para o deserto. 11Dei-lhes os meus estatutos e lhes fiz conhecer os meus juízos, os quais, cumprindo-os o homem, viverá por eles. 12Também lhes dei os meus sábados, para servirem de sinal

20.12
Êx 31.13-17
entre mim e eles, para que soubessem que eu sou o Senhor que os santifica. 13Mas a casa de Israel se rebelou contra mim no deserto, não andando nos meus estatutos e rejeitando os meus juízos, os quais, cumprindo-os o homem, viverá
20.13
Lv 18.5
por eles; e profanaram grandemente os meus sábados. Então, eu disse que derramaria sobre eles o meu furor no deserto, para os consumir. 14O que fiz, porém, foi por amor do meu nome, para que não fosse profanado diante das nações perante as quais os fiz sair. 15Demais, levantei-lhes no deserto a mão e jurei
20.15
Nm 14.26-35
não deixá-los entrar na terra que lhes tinha dado, a qual mana leite e mel, coroa de todas as terras. 16Porque rejeitaram os meus juízos, e não andaram nos meus estatutos, e profanaram os meus sábados, pois o seu coração andava após os seus ídolos. 17Não obstante, os meus olhos lhes perdoaram, e eu não os destruí, nem os consumi de todo no deserto.

18Mas disse eu a seus filhos no deserto: Não andeis nos estatutos de vossos pais, nem guardeis os seus juízos, nem vos contamineis com os seus ídolos. 19Eu sou o Senhor, vosso Deus; andai nos meus estatutos, e guardai os meus juízos, e praticai-os; 20santificai os meus sábados, pois servirão de sinal entre mim e vós, para que saibais que eu sou o Senhor, vosso Deus.

21Mas também os filhos se rebelaram contra mim e não andaram nos meus estatutos, nem guardaram os meus juízos, os quais, cumprindo-os o homem, viverá por eles; antes, profanaram os meus sábados. Então, eu disse que derramaria sobre eles o meu furor, para cumprir contra eles a minha ira no deserto. 22Mas detive a mão e o fiz por amor do meu nome, para que não fosse profanado diante das nações perante as quais os fiz sair. 23Também levantei-lhes no deserto a mão e jurei espalhá-los

20.23
Lv 26.33
entre as nações e derramá-los pelas terras; 24porque não executaram os meus juízos, rejeitaram os meus estatutos, profanaram os meus sábados, e os seus olhos se iam após os ídolos de seus pais; 25pelo que também lhes dei estatutos que não eram bons e juízos pelos quais não haviam de viver; 26e permiti que eles se contaminassem com seus dons sacrificiais, como quando queimavam tudo o que abre a madre, para horrorizá-los, a fim de que soubessem que eu sou o Senhor.

27Portanto, fala à casa de Israel, ó filho do homem, e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Ainda nisto me blasfemaram vossos pais e transgrediram contra mim. 28Porque, havendo-os eu introduzido na terra sobre a qual eu, levantando a mão, jurara dar-lha, onde quer que viam um outeiro alto e uma árvore frondosa, aí ofereciam os seus sacrifícios, apresentavam suas ofertas provocantes, punham os seus suaves aromas e derramavam as suas libações. 29Eu lhes disse: Que alto é este, aonde vós ides? O seu nome tem sido Lugar Alto, até ao dia de hoje. 30Portanto, dize à casa de Israel: Assim diz o Senhor Deus: Vós vos contaminais a vós mesmos, à maneira de vossos pais, e vos prostituís com as suas abominações? 31Ao oferecerdes os vossos dons sacrificiais, como quando queimais os vossos filhos, vós vos contaminais com todos os vossos ídolos, até ao dia de hoje. Porventura, me consultaríeis, ó casa de Israel? Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, vós não me consultareis.

32O que vos ocorre à mente de maneira nenhuma sucederá; isto que dizeis: Seremos como as nações, como as outras gerações da terra, servindo às árvores e às pedras.

33Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, com mão poderosa, com braço estendido e derramado furor, hei de reinar sobre vós; 34tirar-vos-ei dentre os povos e vos congregarei das terras nas quais andais espalhados, com mão forte, com braço estendido e derramado furor. 35Levar-vos-ei ao deserto dos povos e ali entrarei em juízo convosco, face a face. 36Como entrei em juízo com vossos pais, no deserto da terra do Egito, assim entrarei em juízo convosco, diz o Senhor Deus. 37Far-vos-ei passar debaixo do meu cajado e vos sujeitarei à disciplina da aliança; 38separarei dentre vós os rebeldes e os que transgrediram contra mim; da terra das suas moradas eu os farei sair, mas não entrarão na terra de Israel; e sabereis que eu sou o Senhor.

39Quanto a vós outros, vós, ó casa de Israel, assim diz o Senhor Deus: Ide; cada um sirva aos seus ídolos, agora e mais tarde, pois que a mim não me quereis ouvir; mas não profaneis mais o meu santo nome com as vossas dádivas e com os vossos ídolos.

40Porque no meu santo monte, no monte alto de Israel, diz o Senhor Deus, ali toda a casa de Israel me servirá, toda, naquela terra; ali me agradarei deles, ali requererei as vossas ofertas e as primícias das vossas dádivas, com todas as vossas coisas santas. 41Agradar-me-ei de vós como de aroma suave, quando eu vos tirar dentre os povos e vos congregar das terras em que andais espalhados; e serei santificado em vós perante as nações. 42Sabereis que eu sou o Senhor, quando eu vos der entrada na terra de Israel, na terra que, levantando a mão, jurei dar a vossos pais. 43Ali, vos lembrareis dos vossos caminhos e de todos os vossos feitos com que vos contaminastes e tereis nojo de vós mesmos, por todas as vossas iniquidades que tendes cometido. 44Sabereis que eu sou o Senhor, quando eu proceder para convosco por amor do meu nome, não segundo os vossos maus caminhos, nem segundo os vossos feitos corruptos, ó casa de Israel, diz o Senhor Deus.

A profecia contra o Sul

45Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 46Filho do homem, volve o rosto para o Sul e derrama as tuas palavras contra ele; profetiza contra o bosque do campo do Sul 47e dize ao bosque do Sul: Ouve a palavra do Senhor: Assim diz o Senhor Deus: Eis que acenderei em ti um fogo que consumirá em ti toda árvore verde e toda árvore seca; não se apagará a chama flamejante; antes, com ela se queimarão todos os rostos, desde o Sul até ao Norte. 48E todos os homens verão que eu, o Senhor, o acendi; não se apagará. 49Então, disse eu: ah! Senhor Deus! Eles dizem de mim: Não é ele proferidor de parábolas?

21

A espada do Senhor

211Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 2Filho do homem, volve o rosto contra Jerusalém, derrama as tuas palavras contra os santuários e profetiza contra a terra de Israel. 3Dize à terra de Israel: Assim diz o Senhor: Eis que sou contra ti, e tirarei a minha espada da bainha, e eliminarei do meio de ti tanto o justo como o perverso. 4Porque hei de eliminar do meio de ti o justo e o perverso, a minha espada sairá da bainha contra todo vivente, desde o Sul até ao Norte. 5Saberão todos os homens que eu, o Senhor, tirei da bainha a minha espada; jamais voltará a ela. 6Tu, porém, ó filho do homem, suspira; à vista deles, suspira de coração quebrantado e com amargura. 7Quando te perguntarem: Por que suspiras tu? Então, dirás: Por causa das novas. Quando elas vêm, todo coração desmaia, todas as mãos se afrouxam, todo espírito se angustia, e todos os joelhos se desfazem em água; eis que elas vêm e se cumprirão, diz o Senhor Deus.

8Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 9Filho do homem, profetiza e dize: Assim diz o Senhor: A espada, a espada está afiada e polida; 10afiada para matança, polida para reluzir como relâmpago. Israel diz: Alegremo-nos! O cetro do meu filho despreza qualquer outra madeira. 11Mas Deus responde: Deu-se a espada a polir, para ser manejada; ela está afiada e polida, para ser posta na mão do matador. 12Grita e geme, ó filho do homem, porque ela será contra o meu povo, contra todos os príncipes de Israel. Estes, juntamente com o meu povo, estão entregues à espada; dá, pois, pancadas na tua coxa. 13Pois haverá uma prova; e que haverá, se o próprio cetro que desprezou a todos não vier a subsistir? — diz o Senhor Deus. 14Tu, pois, ó filho do homem, profetiza e bate com as palmas uma na outra; duplique a espada o seu golpe, triplique-o a espada da matança, da grande matança, que os rodeia; 15para que desmaie o seu coração, e se multiplique o seu tropeçar junto a todas as portas. Faço reluzir a espada. Ah! Ela foi feita para ser raio e está afiada para matar. 16Ó espada, vira-te, com toda a força, para a direita, vira-te para a esquerda, para onde quer que o teu rosto se dirigir. 17Também eu baterei as minhas palmas uma na outra e desafogarei o meu furor; eu, o Senhor, é que falei.

18Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 19Tu, pois, ó filho do homem, propõe dois caminhos por onde venha a espada do rei da Babilônia; ambos procederão da mesma terra; põe neles marcos indicadores, põe-nos na entrada do caminho para a cidade. 20Indica o caminho para que a espada chegue à Rabá dos filhos de Amom, a Judá e a Jerusalém, a fortificada. 21Porque o rei da Babilônia para na encruzilhada, na entrada dos dois caminhos, para consultar os oráculos: sacode as flechas, interroga os ídolos do lar, examina o fígado. 22Caiu-lhe o oráculo para a direita, sobre Jerusalém, para dispor os aríetes, para abrir a boca com ordens de matar, para lançar gritos de guerra, para colocar os aríetes contra as portas, para levantar terraplenos, para edificar baluartes. 23Aos judeus, lhes parecerá isto oráculo enganador, pois têm em seu favor juramentos solenes; mas Deus se lembrará da iniquidade deles, para que sejam apreendidos.

24Portanto, assim diz o Senhor Deus: Visto que me fazeis lembrar da vossa iniquidade, descobrindo-se as vossas transgressões, aparecendo os vossos pecados em todos os vossos atos, e visto que me viestes à memória, sereis apreendidos por causa disso. 25E tu, ó profano e perverso, príncipe de Israel, cujo dia virá no tempo do seu castigo final; 26assim diz o Senhor Deus: Tira o diadema e remove a coroa; o que é já não será o mesmo; será exaltado o humilde e abatido o soberbo. 27Ruína! Ruína! A ruínas a reduzirei, e ela já não será, até que venha aquele a quem ela pertence de direito; a ele a darei.

28E tu, ó filho do homem, profetiza e dize: Assim diz o Senhor Deus acerca dos filhos de Amom e acerca dos seus insultos; dize, pois: A espada, a espada está desembainhada, polida para a matança, para consumir, para reluzir como relâmpago; 29para ser posta no pescoço dos profanos, dos perversos, cujo dia virá no tempo do castigo final, ao passo que te pregam visões falsas e te adivinham mentiras. 30Torna a tua espada à sua bainha. No lugar em que foste formado, na terra do teu nascimento, te julgarei. 31Derramarei sobre ti a minha indignação, assoprarei contra ti o fogo do meu furor e te entregarei nas mãos de homens brutais, mestres de destruição. 32Servirás de pasto ao fogo, o teu sangue será derramado no meio da terra, já não serás lembrado; pois eu, o Senhor, é que falei.

21.28-32
Jr 49.1-6
Ez 25.1-7
Am 1.13-15
Sf 2.8-11

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