Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
1

A visão dos quatro querubins

11Aconteceu no trigésimo ano, no quinto dia do quarto mês, que, estando eu no meio dos exilados, junto ao rio Quebar, se abriram os céus,

1.1
Ap 19.11
e eu tive visões de Deus. 2No quinto dia do referido mês, no quinto ano de cativeiro do rei Joaquim,
1.2
2Rs 25.10-16
2Cr 36.5-7
3veio expressamente a palavra do Senhor a Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote, na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar, e ali esteve sobre ele a mão do Senhor. 4Olhei, e eis que um vento tempestuoso vinha do Norte, e uma grande nuvem, com fogo a revolver-se, e resplendor ao redor dela, e no meio disto, uma coisa como metal brilhante, que saía do meio do fogo.

5Do meio dessa nuvem saía a semelhança de quatro seres viventes,

1.5
Ap 4.6-7
cuja aparência era esta: tinham a semelhança de homem. 6Cada um tinha quatro rostos,
1.6
Ez 10.14
como também quatro asas. 7As suas pernas eram direitas, a planta de cujos pés era como a de um bezerro e luzia como o brilho de bronze polido. 8Debaixo das asas tinham mãos de homem, aos quatro lados; assim todos os quatro tinham rostos e asas. 9Estas se uniam uma à outra; não se viravam quando iam; cada qual andava para a sua frente. 10A forma de seus rostos era como o de homem; à direita, os quatro tinham rosto de leão; à esquerda, rosto de boi; e também rosto de águia, todos os quatro. 11Assim eram os seus rostos. Suas asas se abriam em cima; cada ser tinha duas asas, unidas cada uma à do outro; outras duas cobriam o corpo deles. 12Cada qual andava para a sua frente; para onde o espírito havia de ir, iam; não se viravam quando iam. 13O aspecto dos seres viventes era como carvão em brasa, à semelhança de tochas;
1.13
Ap 4.5
o fogo corria resplendente por entre os seres, e dele saíam relâmpagos, 14os seres viventes ziguezagueavam à semelhança de relâmpagos.

A visão das quatro rodas

15Vi os seres viventes; e eis que havia uma roda

1.15
Ez 10.9-13
na terra, ao lado de cada um deles. 16O aspecto das rodas e a sua estrutura eram brilhantes como o berilo; tinham as quatro a mesma aparência, cujo aspecto e estrutura eram como se estivera uma roda dentro da outra. 17Andando elas, podiam ir em quatro direções; e não se viravam quando iam. 18As suas cambotas eram altas, e metiam medo; e, nas quatro rodas, as mesmas eram cheias de olhos
1.18
Ap 4.8
ao redor. 19Andando os seres viventes, andavam as rodas ao lado deles; elevando-se eles, também elas se elevavam. 20Para onde o espírito queria ir, iam, pois o espírito os impelia; e as rodas se elevavam juntamente com eles, porque nelas havia o espírito dos seres viventes. 21Andando eles, andavam elas e, parando eles, paravam elas, e, elevando-se eles da terra, elevavam-se também as rodas juntamente com eles; porque o espírito dos seres viventes estava nas rodas.

22Sobre a cabeça dos seres viventes havia algo semelhante ao firmamento, como cristal

1.22
Ap 4.6
brilhante que metia medo, estendido por sobre a sua cabeça. 23Por debaixo do firmamento, estavam estendidas as suas asas, a de um em direção à de outro; cada um tinha outras duas asas com que cobria o corpo de um e de outro lado. 24Andando eles, ouvi o tatalar das suas asas, como o rugido de muitas águas,
1.24
Ap 1.14-15
19.6
como a voz do Onipotente; ouvi o estrondo tumultuoso, como o tropel de um exército. Parando eles, abaixavam as asas. 25Veio uma voz de cima do firmamento que estava sobre a sua cabeça. Parando eles, abaixavam as asas.

A visão da glória divina

26Por cima do firmamento que estava sobre a sua cabeça, havia algo semelhante a um trono,

1.26
Ez 10.1
Ap 4.2-3
como uma safira; sobre esta espécie de trono, estava sentada uma figura semelhante a um homem. 27Vi-a como metal brilhante, como fogo
1.27
Ez 8.2
ao redor dela, desde os seus lombos e daí para cima; e desde os seus lombos e daí para baixo, vi-a como fogo e um resplendor ao redor dela. 28Como o aspecto do arco que aparece na nuvem em dia de chuva, assim era o resplendor em redor. Esta era a aparência da glória do Senhor; vendo isto, caí com o rosto em terra e ouvi a voz de quem falava.

2

A vocação de Ezequiel

21Esta voz me disse: Filho do homem, põe-te em pé, e falarei contigo. 2Então, entrou em mim o Espírito, quando falava comigo, e me pôs em pé, e ouvi o que me falava. 3Ele me disse: Filho do homem, eu te envio aos filhos de Israel, às nações rebeldes que se insurgiram contra mim; eles e seus pais prevaricaram contra mim, até precisamente ao dia de hoje. 4Os filhos são de duro semblante e obstinados de coração; eu te envio a eles, e lhes dirás: Assim diz o Senhor Deus. 5Eles, quer ouçam quer deixem de ouvir, porque são casa rebelde, hão de saber que esteve no meio deles um profeta. 6Tu, ó filho do homem, não os temas, nem temas as suas palavras, ainda que haja sarças e espinhos para contigo, e tu habites com escorpiões; não temas as suas palavras, nem te assustes com o rosto deles, porque são casa rebelde. 7Mas tu lhes dirás as minhas palavras, quer ouçam quer deixem de ouvir, pois são rebeldes.

Visão do rolo de um livro

8Tu, ó filho do homem, ouve o que eu te digo, não te insurjas como a casa rebelde; abre a boca e come o que eu te dou. 9Então, vi, e eis que certa mão se estendia para mim, e nela se achava o rolo

2.9
Ap 5.1
de um livro. 10Estendeu-o diante de mim, e estava escrito por dentro e por fora; nele, estavam escritas lamentações, suspiros e ais.

3

31Ainda me disse: Filho do homem, come o que achares; come este rolo,

3.1
Ap 10.9-10
vai e fala à casa de Israel. 2Então, abri a boca, e ele me deu a comer o rolo. 3E me disse: Filho do homem, dá de comer ao teu ventre e enche as tuas entranhas deste rolo que eu te dou. Eu o comi, e na boca me era doce como o mel.

O comissionamento do profeta

4Disse-me ainda: Filho do homem, vai, entra na casa de Israel e dize-lhe as minhas palavras. 5Porque tu não és enviado a um povo de estranho falar nem de língua difícil, mas à casa de Israel; 6nem a muitos povos de estranho falar e de língua difícil, cujas palavras não possas entender; se eu aos tais te enviasse, certamente, te dariam ouvidos. 7Mas a casa de Israel não te dará ouvidos, porque não me quer dar ouvidos a mim; pois toda a casa de Israel é de fronte obstinada e dura de coração. 8Eis que fiz duro o teu rosto contra o rosto deles e dura a tua fronte, contra a sua fronte. 9Fiz a tua fronte como o diamante, mais dura do que a pederneira; não os temas, pois, nem te assustes com o seu rosto, porque são casa rebelde. 10Ainda me disse mais: Filho do homem, mete no coração todas as minhas palavras que te hei de falar e ouve-as com os teus ouvidos. 11Eia, pois, vai aos do cativeiro, aos filhos do teu povo, e, quer ouçam quer deixem de ouvir, fala com eles, e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus.

12Levantou-me o Espírito, e ouvi por detrás de mim uma voz de grande estrondo, que, levantando-se do seu lugar, dizia: Bendita seja a glória do Senhor. 13Ouvi o tatalar das asas dos seres viventes, que tocavam umas nas outras, e o barulho das rodas juntamente com eles e o sonido de um grande estrondo. 14Então, o Espírito me levantou e me levou; eu fui amargurado na excitação do meu espírito; mas a mão do Senhor se fez muito forte sobre mim. 15Então, fui a Tel-Abibe, aos do exílio, que habitavam junto ao rio Quebar, e passei a morar onde eles habitavam; e, por sete dias, assentei-me ali, atônito, no meio deles.

O atalaia de Israel

16Findos os sete dias, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 17Filho do homem, eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; da minha boca ouvirás a palavra e os avisarás da minha parte. 18Quando eu disser ao perverso: Certamente, morrerás, e tu não o avisares e nada disseres para o advertir do seu mau caminho, para lhe salvar a vida, esse perverso morrerá na sua iniquidade, mas o seu sangue da tua mão o requererei. 19Mas, se avisares o perverso, e ele não se converter da sua maldade e do seu caminho perverso, ele morrerá na sua iniquidade, mas tu salvaste a tua alma. 20Também quando o justo se desviar da sua justiça e fizer maldade, e eu puser diante dele um tropeço, ele morrerá; visto que não o avisaste, no seu pecado morrerá, e suas justiças que praticara não serão lembradas, mas o seu sangue da tua mão o requererei. 21No entanto, se tu avisares o justo, para que não peque, e ele não pecar, certamente, viverá, porque foi avisado; e tu salvaste a tua alma.

3.16-21
Ez 33.1-9

22A mão do Senhor veio sobre mim, e ele me disse: Levanta-te e sai para o vale, onde falarei contigo. 23Levantei-me e saí para o vale, e eis que a glória do Senhor estava ali, como a glória que eu vira junto ao rio Quebar; e caí com o rosto em terra. 24Então, entrou em mim o Espírito, e me pôs em pé, e falou comigo, e me disse: Vai e encerra-te dentro da tua casa. 25Porque, ó filho do homem, eis que porão cordas sobre ti e te ligarão com elas; e não sairás ao meio deles. 26Farei que a tua língua se pegue ao teu paladar, ficarás mudo e incapaz de os repreender; porque são casa rebelde. 27Mas, quando eu falar contigo, darei que fale a tua boca, e lhes dirás: Assim diz o Senhor Deus: Quem ouvir ouça, e quem deixar de ouvir deixe; porque são casa rebelde.

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