Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
17

A parábola das duas águias e da videira

171Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 2Filho do homem, propõe um enigma e usa de uma parábola para com a casa de Israel; 3e dize: Assim diz o Senhor Deus: Uma grande águia, de grandes asas, de comprida plumagem, farta de penas de várias cores, veio ao Líbano e levou a ponta de um cedro. 4Arrancou a ponta mais alta dos seus ramos e a levou para uma terra de negociantes; na cidade de mercadores, a deixou. 5Tomou muda da terra e a plantou num campo fértil; tomou-a e pôs junto às muitas águas, como salgueiro. 6Ela cresceu e se tornou videira mui larga, de pouca altura, virando para a águia os seus ramos, porque as suas raízes estavam debaixo dela; assim, se tornou em videira, e produzia ramos, e lançava renovos.

7Houve outra grande águia, de grandes asas e de muitas penas; e eis que a videira lançou para ela as suas raízes e estendeu para ela os seus ramos, desde a cova do seu plantio, para que a regasse. 8Em boa terra, à borda de muitas águas, estava ela plantada, para produzir ramos, e dar frutos, e ser excelente videira. 9Dize: Assim diz o Senhor Deus: Acaso, prosperará ela? Não lhe arrancará a águia as raízes e não cortará o seu fruto, para que se sequem todas as folhas de seus renovos? Não será necessário nem poderoso braço nem muita gente para a arrancar por suas raízes. 10Mas, ainda plantada, prosperará? Acaso, tocando-lhe o vento oriental, de todo não se secará? Desde a cova do seu plantio se secará.

11Então, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 12Dize agora à casa rebelde: Não sabeis o que significam estas coisas? Dize: Eis que veio o rei da Babilônia a Jerusalém, e tomou o seu rei e os seus príncipes, e os levou consigo para a Babilônia; 13tomou um da estirpe real e fez aliança com ele; também tomou dele juramento, levou os poderosos da terra, 14para que o reino ficasse humilhado e não se levantasse, mas, guardando a sua aliança, pudesse subsistir. 15Mas ele se rebelou contra o rei da Babilônia, enviando os seus mensageiros ao Egito, para que se lhe mandassem cavalos e muita gente. Prosperará, escapará aquele que faz tais coisas? Violará a aliança e escapará?

17.12-15
2Rs 24.15-20
2Cr 36.10-13
16Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, no lugar em que habita o rei que o fez reinar, cujo juramento desprezou e cuja aliança violou, sim, junto dele, no meio da Babilônia será morto. 17Faraó, nem com grande exército, nem com numerosa companhia, o ajudará na guerra, levantando tranqueiras e edificando baluartes, para destruir muitas vidas. 18Pois desprezou o juramento, violando a aliança feita com aperto de mão, e praticou todas estas coisas; por isso, não escapará. 19Portanto, assim diz o Senhor Deus: Tão certo como eu vivo, o meu juramento que desprezou e a minha aliança que violou, isto farei recair sobre a sua cabeça. 20Estenderei sobre ele a minha rede, e ficará preso no meu laço; levá-lo-ei à Babilônia e ali entrarei em juízo com ele por causa da rebeldia que praticou contra mim. 21Todos os seus fugitivos, com todas as suas tropas, cairão à espada, e os que restarem serão espalhados a todos os ventos; e sabereis que eu, o Senhor, o disse.

22Assim diz o Senhor Deus: Também eu tomarei a ponta de um cedro e a plantarei; do principal dos seus ramos cortarei o renovo mais tenro e o plantarei sobre um monte alto e sublime. 23No monte alto de Israel, o plantarei, e produzirá ramos, dará frutos e se fará cedro excelente. Debaixo dele, habitarão animais de toda sorte, e à sombra dos seus ramos se aninharão aves de toda espécie. 24Saberão todas as árvores do campo que eu, o Senhor, abati a árvore alta, elevei a baixa, sequei a árvore verde e fiz reverdecer a seca; eu, o Senhor, o disse e o fiz.

18

A responsabilidade é pessoal

181Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 2Que tendes vós, vós que, acerca da terra de Israel, proferis este provérbio, dizendo: Os pais comeram uvas verdes,

18.2
Jr 31.29
e os dentes dos filhos é que se embotaram? 3Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, jamais direis este provérbio em Israel. 4Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá.

5Sendo, pois, o homem justo e fazendo juízo e justiça, 6não comendo carne sacrificada nos altos, nem levantando os olhos para os ídolos da casa de Israel, nem contaminando a mulher do seu próximo, nem se chegando à mulher na sua menstruação; 7não oprimindo a ninguém, tornando ao devedor a coisa penhorada, não roubando, dando o seu pão ao faminto e cobrindo ao nu com vestes; 8não dando o seu dinheiro à usura, não recebendo juros, desviando a sua mão da injustiça e fazendo verdadeiro juízo entre homem e homem; 9andando nos meus estatutos, guardando os meus juízos e procedendo retamente, o tal justo, certamente, viverá, diz o Senhor Deus.

10Se ele gerar um filho ladrão, derramador de sangue, que fizer a seu irmão qualquer destas coisas 11e não cumprir todos aqueles deveres, mas, antes, comer carne sacrificada nos altos, contaminar a mulher de seu próximo, 12oprimir ao pobre e necessitado, praticar roubos, não tornar o penhor, levantar os olhos para os ídolos, cometer abominação, 13emprestar com usura e receber juros, porventura, viverá? Não viverá. Todas estas abominações ele fez e será morto; o seu sangue será sobre ele.

14Eis que, se ele gerar um filho que veja todos os pecados que seu pai fez, e, vendo-os, não cometer coisas semelhantes, 15não comer carne sacrificada nos altos, não levantar os olhos para os ídolos da casa de Israel e não contaminar a mulher de seu próximo; 16não oprimir a ninguém, não retiver o penhor, não roubar, der o seu pão ao faminto, cobrir ao nu com vestes; 17desviar do pobre a mão, não receber usura e juros, fizer os meus juízos e andar nos meus estatutos, o tal não morrerá pela iniquidade de seu pai; certamente, viverá. 18Quanto a seu pai, porque praticou extorsão, roubou os bens do próximo e fez o que não era bom no meio de seu povo, eis que ele morrerá por causa de sua iniquidade.

19Mas dizeis: Por que não leva o filho a iniquidade do pai? Porque o filho fez o que era reto e justo, e guardou todos os meus estatutos, e os praticou, por isso, certamente, viverá. 20A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade

18.20
Dt 24.16
do pai, nem o pai, a iniquidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este.

21Mas, se o perverso se converter de todos os pecados que cometeu, e guardar todos os meus estatutos, e fizer o que é reto e justo, certamente, viverá; não será morto. 22De todas as transgressões que cometeu não haverá lembrança contra ele; pela justiça que praticou, viverá. 23Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? — diz o Senhor Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus caminhos e viva? 24Mas, desviando-se o justo da sua justiça e cometendo iniquidade, fazendo segundo todas as abominações que faz o perverso, acaso, viverá? De todos os atos de justiça que tiver praticado não se fará memória; na sua transgressão com que transgrediu e no seu pecado que cometeu, neles morrerá.

25No entanto, dizeis: O caminho do Senhor não é direito. Ouvi, agora, ó casa de Israel: Não é o meu caminho direito? Não são os vossos caminhos tortuosos? 26Desviando-se o justo da sua justiça e cometendo iniquidade, morrerá por causa dela; na iniquidade que cometeu, morrerá. 27Mas, convertendo-se o perverso da perversidade que cometeu e praticando o que é reto e justo, conservará ele a sua alma em vida. 28Pois se considera e se converte de todas as transgressões que cometeu, certamente, viverá; não será morto. 29No entanto, diz a casa de Israel: O caminho do Senhor não é direito. Não são os meus caminhos direitos, ó casa de Israel? E não são os vossos caminhos tortuosos?

30Portanto, eu vos julgarei, a cada um segundo os seus caminhos, ó casa de Israel, diz o Senhor Deus. Convertei-vos e desviai-vos de todas as vossas transgressões; e a iniquidade não vos servirá de tropeço. 31Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes e criai em vós coração novo e espírito novo; pois, por que morreríeis, ó casa de Israel? 32Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o Senhor Deus. Portanto, convertei-vos e vivei.

18.21-32
Ez 33.11-20

19

A parábola do leão enjaulado

191E tu levanta uma lamentação sobre os príncipes de Israel 2e dize: Quem é tua mãe? Uma leoa entre leões, a qual, deitada entre os leõezinhos, criou os seus filhotes. 3Criou um dos seus filhotinhos, o qual veio a ser leãozinho, e aprendeu a apanhar a presa, e devorou homens. 4As nações ouviram falar dele, e foi ele apanhado na cova que elas fizeram e levado com ganchos para a terra do Egito. 5Vendo a leoa frustrada e perdida a sua esperança, tomou outro dos seus filhotes e o fez leãozinho. 6Este, andando entre os leões, veio a ser um leãozinho, e aprendeu a apanhar a presa, e devorou homens. 7Aprendeu a fazer viúvas e a tornar desertas as cidades deles; ficaram estupefatos a terra e seus habitantes, ao ouvirem o seu rugido. 8Então, se ajuntaram contra ele as gentes das províncias em roda, estenderam sobre ele a rede, e foi apanhado na cova que elas fizeram. 9Com gancho, meteram-no em jaula, e o levaram ao rei da Babilônia, e fizeram-no entrar nos lugares fortes, para que se não ouvisse mais a sua voz nos montes de Israel.

A parábola da videira arruinada

10Tua mãe, de sua natureza, era qual videira plantada junto às águas; plantada à borda, ela frutificou e se encheu de ramos, por causa das muitas águas. 11Tinha galhos fortes para cetros de dominadores; elevou-se a sua estatura entre os espessos ramos, e foi vista na sua altura com a multidão deles. 12Mas foi arrancada com furor e lançada por terra, e o vento oriental secou-lhe o fruto; quebraram-se e secaram os seus fortes galhos, e o fogo os consumiu. 13Agora, está plantada no deserto, numa terra seca e sedenta. 14Dos galhos dos seus ramos saiu fogo que consumiu o seu fruto, de maneira que já não há nela galho forte que sirva de cetro para dominar. Esta é uma lamentação e ficará servindo de lamentação.

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