Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
14

Perseguição de Israel

141Disse o Senhor a Moisés: 2Fala aos filhos de Israel que retrocedam e se acampem defronte de Pi-Hairote, entre Migdol e o mar, diante de Baal-Zefom; em frente dele vos acampareis junto ao mar. 3Então, Faraó dirá dos filhos de Israel: Estão desorientados na terra, o deserto os encerrou. 4Endurecerei o coração de Faraó, para que os persiga, e serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército; e saberão os egípcios que eu sou o Senhor. Eles assim o fizeram.

5Sendo, pois, anunciado ao rei do Egito que o povo fugia, mudou-se o coração de Faraó e dos seus oficiais contra o povo, e disseram: Que é isto que fizemos, permitindo que Israel nos deixasse de servir? 6E aprontou Faraó o seu carro e tomou consigo o seu povo; 7e tomou também seiscentos carros escolhidos e todos os carros do Egito com capitães sobre todos eles. 8Porque o Senhor endureceu o coração de Faraó, rei do Egito, para que perseguisse os filhos de Israel; porém os filhos de Israel saíram afoitamente. 9Perseguiram-nos os egípcios, todos os cavalos e carros de Faraó, e os seus cavalarianos, e o seu exército e os alcançaram acampados junto ao mar, perto de Pi-Hairote, defronte de Baal-Zefom.

10E, chegando Faraó, os filhos de Israel levantaram os olhos, e eis que os egípcios vinham atrás deles, e temeram muito; então, os filhos de Israel clamaram ao Senhor. 11Disseram a Moisés: Será, por não haver sepulcros no Egito, que nos tiraste de lá, para que morramos neste deserto? Por que nos trataste assim, fazendo-nos sair do Egito? 12Não é isso o que te dissemos no Egito: deixa-nos, para que sirvamos os egípcios? Pois melhor nos fora servir aos egípcios do que morrermos no deserto. 13Moisés, porém, respondeu ao povo: Não temais; aquietai-vos e vede o livramento do Senhor que, hoje, vos fará; porque os egípcios, que hoje vedes, nunca mais os tornareis a ver. 14O Senhor pelejará por vós, e vós vos calareis.

A passagem pelo meio do mar

15Disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem. 16E tu, levanta o teu bordão, estende a mão sobre o mar e divide-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar em seco. 17Eis que endurecerei o coração dos egípcios, para que vos sigam e entrem nele; serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército, nos seus carros e nos seus cavalarianos; 18e os egípcios saberão que eu sou o Senhor, quando for glorificado em Faraó, nos seus carros e nos seus cavalarianos.

19Então, o Anjo de Deus, que ia adiante do exército de Israel, se retirou e passou para trás deles; também a coluna de nuvem se retirou de diante deles, e se pôs atrás deles, 20e ia entre o campo dos egípcios e o campo de Israel; a nuvem era escuridade para aqueles e para este esclarecia a noite; de maneira que, em toda a noite, este e aqueles não puderam aproximar-se.

21Então, Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o Senhor, por um forte vento oriental que soprou toda aquela noite, fez retirar-se o mar, que se tornou terra seca, e as águas foram divididas. 22Os filhos de Israel entraram pelo meio

14.22
Hb 11.29
do mar em seco; e as águas lhes foram qual muro à sua direita e à sua esquerda. 23Os egípcios que os perseguiam entraram atrás deles, todos os cavalos de Faraó, os seus carros e os seus cavalarianos, até ao meio do mar. 24Na vigília da manhã, o Senhor, na coluna de fogo e de nuvem, viu o acampamento dos egípcios e alvorotou o acampamento dos egípcios; 25emperrou-lhes as rodas dos carros e fê-los andar dificultosamente. Então, disseram os egípcios: Fujamos da presença de Israel, porque o Senhor peleja por eles contra os egípcios.

Os egípcios perecem no mar

26Disse o Senhor a Moisés: Estende a mão sobre o mar, para que as águas se voltem sobre os egípcios, sobre os seus carros e sobre os seus cavalarianos. 27Então, Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o mar, ao romper da manhã, retomou a sua força; os egípcios, ao fugirem, foram de encontro a ele, e o Senhor derribou os egípcios no meio do mar. 28E, voltando as águas, cobriram os carros e os cavalarianos de todo o exército de Faraó, que os haviam seguido no mar; nem ainda um deles ficou. 29Mas os filhos de Israel caminhavam a pé enxuto pelo meio do mar; e as águas lhes eram quais muros, à sua direita e à sua esquerda.

30Assim, o Senhor livrou Israel, naquele dia, da mão dos egípcios; e Israel viu os egípcios mortos na praia do mar. 31E viu Israel o grande poder que o Senhor exercitara contra os egípcios; e o povo temeu ao Senhor e confiou no Senhor e em Moisés, seu servo.

15

O cântico de Moisés

151Então, entoou Moisés e os filhos de Israel este cântico

15.1
Ap 15.3
ao Senhor, e disseram:

Cantarei ao Senhor, porque triunfou gloriosamente;

lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro.

2O Senhor é a minha força e o meu cântico;

15.2
Sl 118.14
Is 12.2

ele me foi por salvação;

este é o meu Deus; portanto, eu o louvarei;

ele é o Deus de meu pai; por isso, o exaltarei.

3O Senhor é homem de guerra;

Senhor é o seu nome.

4Lançou no mar os carros de Faraó e o seu exército;

e os seus capitães afogaram-se no mar Vermelho.

5Os vagalhões os cobriram;

desceram às profundezas como pedra.

6A tua destra, ó Senhor, é gloriosa em poder;

a tua destra, ó Senhor, despedaça o inimigo.

7Na grandeza da tua excelência, derribas os que se levantam contra ti;

envias o teu furor, que os consome como restolho.

8Com o resfolgar das tuas narinas, amontoaram-se as águas,

as correntes pararam em montão;

os vagalhões coalharam-se no coração do mar.

9O inimigo dizia: Perseguirei, alcançarei,

repartirei os despojos; a minha alma se fartará deles,

arrancarei a minha espada, e a minha mão os destruirá.

10Sopraste com o teu vento, e o mar os cobriu;

afundaram-se como chumbo em águas impetuosas.

11Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses?

Quem é como tu, glorificado em santidade,

terrível em feitos gloriosos, que operas maravilhas?

12Estendeste a destra;

e a terra os tragou.

13Com a tua beneficência guiaste o povo que salvaste;

com a tua força o levaste à habitação da tua santidade.

14Os povos o ouviram, eles estremeceram;

agonias apoderaram-se dos habitantes da Filístia.

15Ora, os príncipes de Edom se perturbam,

dos poderosos de Moabe se apodera temor,

esmorecem todos os habitantes de Canaã.

16Sobre eles cai espanto e pavor;

pela grandeza do teu braço, emudecem como pedra;

até que passe o teu povo, ó Senhor,

até que passe o povo que adquiriste.

17Tu o introduzirás e o plantarás no monte da tua herança,

no lugar que aparelhaste, ó Senhor, para a tua habitação,

no santuário, ó Senhor, que as tuas mãos estabeleceram.

18O Senhor reinará por todo o sempre.

19Porque os cavalos de Faraó, com os seus carros e com os seus cavalarianos, entraram no mar, e o Senhor fez tornar sobre eles as águas do mar; mas os filhos de Israel passaram a pé enxuto pelo meio do mar.

Antífona de Miriã e das mulheres

20A profetisa Miriã, irmã de Arão, tomou um tamborim, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamborins e com danças. 21E Miriã lhes respondia:

Cantai ao Senhor, porque gloriosamente triunfou

e precipitou no mar o cavalo e o seu cavaleiro.

As águas amargas tornam-se doces

22Fez Moisés partir a Israel do mar Vermelho, e saíram para o deserto de Sur; caminharam três dias no deserto e não acharam água. 23Afinal, chegaram a Mara; todavia, não puderam beber as águas de Mara, porque eram amargas; por isso, chamou-se-lhe Mara. 24E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber? 25Então, Moisés clamou ao Senhor, e o Senhor lhe mostrou uma árvore; lançou-a Moisés nas águas, e as águas se tornaram doces. Deu-lhes ali estatutos e uma ordenação, e ali os provou, 26e disse: Se ouvires atento a voz do Senhor, teu Deus, e fizeres o que é reto diante dos seus olhos, e deres ouvido aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma enfermidade virá sobre ti, das que enviei sobre os egípcios; pois eu sou o Senhor, que te sara.

27Então, chegaram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras; e se acamparam junto das águas.

16

Deus manda o maná

161Partiram de Elim, e toda a congregação dos filhos de Israel veio para o deserto de Sim, que está entre Elim e Sinai, aos quinze dias do segundo mês, depois que saíram da terra do Egito. 2Toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e Arão no deserto; 3disseram-lhes os filhos de Israel: Quem nos dera tivéssemos morrido pela mão do Senhor, na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne e comíamos pão a fartar! Pois nos trouxestes a este deserto, para matardes de fome toda esta multidão.

4Então, disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover do céu pão,

16.4
Jo 6.31
e o povo sairá e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu ponha à prova se anda na minha lei ou não. 5Dar-se-á que, ao sexto dia, prepararão o que colherem; e será o dobro do que colhem cada dia. 6Então, disse Moisés e Arão a todos os filhos de Israel: à tarde, sabereis que foi o Senhor quem vos tirou da terra do Egito, 7e, pela manhã, vereis a glória do Senhor, porquanto ouviu as vossas murmurações; pois quem somos nós, para que murmureis contra nós? 8Prosseguiu Moisés: Será isso quando o Senhor, à tarde, vos der carne para comer e, pela manhã, pão que vos farte, porquanto o Senhor ouviu as vossas murmurações, com que vos queixais contra ele; pois quem somos nós? As vossas murmurações não são contra nós, e sim contra o Senhor. 9Disse Moisés a Arão: Dize a toda a congregação dos filhos de Israel: Chegai-vos à presença do Senhor, pois ouviu as vossas murmurações. 10Quando Arão falava a toda a congregação dos filhos de Israel, olharam para o deserto, e eis que a glória do Senhor apareceu na nuvem.

Deus manda codornizes

11E o Senhor disse a Moisés: 12Tenho ouvido as murmurações dos filhos de Israel; dize-lhes: Ao crepúsculo da tarde, comereis carne, e, pela manhã, vos fartareis de pão, e sabereis que eu sou o Senhor, vosso Deus. 13À tarde, subiram codornizes e cobriram o arraial; pela manhã, jazia o orvalho ao redor do arraial. 14E, quando se evaporou o orvalho que caíra, na superfície do deserto restava uma coisa fina e semelhante a escamas, fina como a geada sobre a terra. 15Vendo-a os filhos de Israel, disseram uns aos outros: Que é isto? Pois não sabiam o que era. Disse-lhes Moisés: Isto é o pão que o Senhor vos dá para vosso alimento. 16Eis o que o Senhor vos ordenou: Colhei disso cada um segundo o que pode comer, um gômer por cabeça, segundo o número de vossas pessoas; cada um tomará para os que se acharem na sua tenda. 17Assim o fizeram os filhos de Israel; e colheram, uns, mais, outros, menos. 18Porém, medindo-o com o gômer, não sobejava ao que colhera muito,

16.18
2Co 8.15
nem faltava ao que colhera pouco, pois colheram cada um quanto podia comer. 19Disse-lhes Moisés: Ninguém deixe dele para a manhã seguinte. 20Eles, porém, não deram ouvidos a Moisés, e alguns deixaram do maná para a manhã seguinte; porém deu bichos e cheirava mal. E Moisés se indignou contra eles. 21Colhiam-no, pois, manhã após manhã, cada um quanto podia comer; porque, em vindo o calor, se derretia.

O povo de Israel recolhe o maná

22Ao sexto dia, colheram pão em dobro, dois gômeres para cada um; e os principais da congregação vieram e contaram-no a Moisés. 23Respondeu-lhes ele: Isto é o que disse o Senhor: Amanhã é repouso, o santo sábado

16.23
Êx 20.8-11
do Senhor; o que quiserdes cozer no forno, cozei-o, e o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobrar separai, guardando para a manhã seguinte. 24E guardaram-no até pela manhã seguinte, como Moisés ordenara; e não cheirou mal, nem deu bichos. 25Então, disse Moisés: Comei-o hoje, porquanto o sábado é do Senhor; hoje, não o achareis no campo. 26Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele, não haverá. 27Ao sétimo dia, saíram alguns do povo para o colher, porém não o acharam. 28Então, disse o Senhor a Moisés: Até quando recusareis guardar os meus mandamentos e as minhas leis? 29Considerai que o Senhor vos deu o sábado; por isso, ele, no sexto dia, vos dá pão para dois dias; cada um fique onde está, ninguém saia do seu lugar no sétimo dia. 30Assim, descansou o povo no sétimo dia.

31Deu-lhe a casa de Israel o nome de maná; era como semente de coentro, branco e de sabor como bolos de mel. 32Disse Moisés: Esta é a palavra que o Senhor ordenou: Dele encherás um gômer e o guardarás para as vossas gerações, para que vejam o pão com que vos sustentei no deserto, quando vos tirei do Egito. 33Disse também Moisés a Arão: Toma um vaso,

16.33
Hb 9.4
mete nele um gômer cheio de maná e coloca-o diante do Senhor, para guardar-se às vossas gerações. 34Como o Senhor ordenara a Moisés, assim Arão o colocou diante do Testemunho para o guardar. 35E comeram os filhos de Israel maná quarenta anos,
16.35
Js 5.12
até que entraram em terra habitada; comeram maná até que chegaram aos limites da terra de Canaã. 36Gômer é a décima parte do efa.

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