Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
10

Oitava praga: gafanhotos

101Disse o Senhor a Moisés: Vai ter com Faraó, porque lhe endureci o coração e o coração de seus oficiais, para que eu faça estes meus sinais no meio deles, 2e para que contes a teus filhos e aos filhos de teus filhos como zombei dos egípcios e quantos prodígios fiz no meio deles, e para que saibais que eu sou o Senhor.

3Apresentaram-se, pois, Moisés e Arão perante Faraó e lhe disseram: Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreus: Até quando recusarás humilhar-te perante mim? Deixa ir o meu povo, para que me sirva. 4Do contrário, se recusares deixar ir o meu povo, eis que amanhã trarei gafanhotos ao teu território; 5eles cobrirão de tal maneira a face da terra, que dela nada aparecerá; eles comerão o restante que escapou, o que vos resta da chuva de pedras, e comerão toda árvore que vos cresce no campo; 6e encherão as tuas casas, e as casas de todos os teus oficiais, e as casas de todos os egípcios, como nunca viram teus pais, nem os teus antepassados desde o dia em que se acharam na terra até ao dia de hoje. Virou-se e saiu da presença de Faraó.

7Então, os oficiais de Faraó lhe disseram: Até quando nos será por cilada este homem? Deixa ir os homens, para que sirvam ao Senhor, seu Deus. Acaso, não sabes ainda que o Egito está arruinado? 8Então, Moisés e Arão foram conduzidos à presença de Faraó; e este lhes disse: Ide, servi ao Senhor, vosso Deus; porém quais são os que hão de ir? 9Respondeu-lhe Moisés: Havemos de ir com os nossos jovens, e com os nossos velhos, e com os filhos, e com as filhas, e com os nossos rebanhos, e com os nossos gados; havemos de ir, porque temos de celebrar festa ao Senhor. 10Replicou-lhes Faraó: Seja o Senhor convosco, caso eu vos deixe ir e as crianças. Vede, pois tendes conosco más intenções. 11Não há de ser assim; ide somente vós, os homens, e servi ao Senhor; pois isso é o que pedistes. E os expulsaram da presença de Faraó.

12Então, disse o Senhor a Moisés: Estende a mão sobre a terra do Egito, para que venham os gafanhotos sobre a terra do Egito e comam toda a erva da terra, tudo o que deixou a chuva de pedras. 13Estendeu, pois, Moisés o seu bordão sobre a terra do Egito, e o Senhor trouxe sobre a terra um vento oriental todo aquele dia e toda aquela noite; quando amanheceu, o vento oriental tinha trazido os gafanhotos. 14E subiram os gafanhotos por toda a terra do Egito e pousaram sobre todo o seu território; eram mui numerosos; antes destes, nunca houve tais gafanhotos, nem depois deles virão outros assim. 15Porque cobriram a superfície de toda a terra, de modo que a terra se escureceu; devoraram toda a erva da terra e todo fruto das árvores que deixara a chuva de pedras; e não restou nada verde nas árvores, nem na erva do campo, em toda a terra do Egito.

10.12-15
Ap 9.2-3
16Então, se apressou Faraó em chamar a Moisés e a Arão e lhes disse: Pequei contra o Senhor, vosso Deus, e contra vós outros. 17Agora, pois, peço-vos que me perdoeis o pecado esta vez ainda e que oreis ao Senhor, vosso Deus, que tire de mim esta morte. 18E Moisés, tendo saído da presença de Faraó, orou ao Senhor. 19Então, o Senhor fez soprar fortíssimo vento ocidental, o qual levantou os gafanhotos e os lançou no mar Vermelho; nem ainda um só gafanhoto restou em todo o território do Egito. 20O Senhor, porém, endureceu o coração de Faraó, e este não deixou ir os filhos de Israel.

Nona praga: trevas

21Então, disse o Senhor a Moisés: Estende a mão para o céu, e virão trevas

10.21
Ap 16.10
sobre a terra do Egito, trevas que se possam apalpar. 22Estendeu, pois, Moisés a mão para o céu, e houve trevas espessas sobre toda a terra do Egito por três dias; 23não viram uns aos outros, e ninguém se levantou do seu lugar por três dias; porém todos os filhos de Israel tinham luz nas suas habitações. 24Então, Faraó chamou a Moisés e lhe disse: Ide, servi ao Senhor. Fiquem somente os vossos rebanhos e o vosso gado; as vossas crianças irão também convosco. 25Respondeu Moisés: Também tu nos tens de dar em nossas mãos sacrifícios e holocaustos, que ofereçamos ao Senhor, nosso Deus. 26E também os nossos rebanhos irão conosco, nem uma unha ficará; porque deles havemos de tomar, para servir ao Senhor, nosso Deus, e não sabemos com que havemos de servir ao Senhor, até que cheguemos lá. 27O Senhor, porém, endureceu o coração de Faraó, e este não quis deixá-los ir. 28Disse, pois, Faraó a Moisés: Retira-te de mim e guarda-te que não mais vejas o meu rosto; porque, no dia em que vires o meu rosto, morrerás. 29Respondeu-lhe Moisés: Bem disseste; nunca mais tornarei eu a ver o teu rosto.

11

Deus anuncia a décima praga

111Disse o Senhor a Moisés: Ainda mais uma praga trarei sobre Faraó e sobre o Egito. Então, vos deixará ir daqui; quando vos deixar, é certo que vos expulsará totalmente. 2Fala, agora, aos ouvidos do povo que todo homem peça ao seu vizinho, e toda mulher, à sua vizinha objetos de prata e de ouro. 3E o Senhor fez que o seu povo encontrasse favor da parte dos egípcios; também o homem Moisés era mui famoso na terra do Egito, aos olhos dos oficiais de Faraó e aos olhos do povo.

4Moisés disse: Assim diz o Senhor: Cerca da meia-noite passarei pelo meio do Egito. 5E todo primogênito na terra do Egito morrerá, desde o primogênito de Faraó, que se assenta no seu trono, até ao primogênito da serva que está junto à mó, e todo primogênito dos animais. 6Haverá grande clamor em toda a terra do Egito, qual nunca houve, nem haverá jamais; 7porém contra nenhum dos filhos de Israel, desde os homens até aos animais, nem ainda um cão rosnará, para que saibais que o Senhor fez distinção entre os egípcios e os israelitas. 8Então, todos estes teus oficiais descerão a mim e se inclinarão perante mim, dizendo: Sai tu e todo o povo que te segue. E, depois disto, sairei. E, ardendo em ira, se retirou da presença de Faraó. 9Então, disse o Senhor a Moisés: Faraó não vos ouvirá, para que as minhas maravilhas se multipliquem na terra do Egito.

10Moisés e Arão fizeram todas essas maravilhas perante Faraó; mas o Senhor endureceu o coração de Faraó, que não permitiu saíssem da sua terra os filhos de Israel.

12

A instituição da Páscoa

121Disse o Senhor a Moisés e a Arão na terra do Egito: 2Este mês vos será o principal dos meses; será o primeiro mês do ano. 3Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, cada um tomará para si um cordeiro, segundo a casa dos pais, um cordeiro para cada família. 4Mas, se a família for pequena para um cordeiro, então, convidará ele o seu vizinho mais próximo, conforme o número das almas; conforme o que cada um puder comer, por aí calculareis quantos bastem para o cordeiro. 5O cordeiro será sem defeito, macho de um ano; podereis tomar um cordeiro ou um cabrito; 6e o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o imolará no crepúsculo da tarde. 7Tomarão do sangue e o porão em ambas as ombreiras e na verga da porta, nas casas em que o comerem; 8naquela noite, comerão a carne assada no fogo; com pães asmos e ervas amargas a comerão. 9Não comereis do animal nada cru, nem cozido em água, porém assado ao fogo: a cabeça, as pernas e a fressura. 10Nada deixareis dele até pela manhã; o que, porém, ficar até pela manhã, queimá-lo-eis. 11Desta maneira o comereis: lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão; comê-lo-eis à pressa; é a Páscoa do Senhor. 12Porque, naquela noite, passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até aos animais; executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o Senhor. 13O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito.

12.1-13
Lv 23.5
Nm 9.1-5
28.16
Dt 16.1-2

14Este dia vos será por memorial, e o celebrareis como solenidade ao Senhor; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo. 15Sete dias comereis pães asmos. Logo ao primeiro dia, tirareis o fermento das vossas casas, pois qualquer que comer coisa levedada, desde o primeiro dia até ao sétimo dia, essa pessoa será eliminada de Israel. 16Ao primeiro dia, haverá para vós outros santa assembleia; também, ao sétimo dia, tereis santa assembleia; nenhuma obra se fará nele, exceto o que diz respeito ao comer; somente isso podereis fazer. 17Guardai, pois, a Festa dos Pães Asmos, porque, nesse mesmo dia, tirei vossas hostes da terra do Egito; portanto, guardareis este dia nas vossas gerações por estatuto perpétuo. 18Desde o dia catorze do primeiro mês, à tarde, comereis pães asmos até à tarde do dia vinte e um do mesmo mês. 19Por sete dias, não se ache nenhum fermento nas vossas casas; porque qualquer que comer pão levedado será eliminado da congregação de Israel, tanto o peregrino como o natural da terra. 20Nenhuma coisa levedada comereis; em todas as vossas habitações, comereis pães asmos.

12.14-20
Êx 23.15
34.18
Lv 23.6-8
Nm 28.17-25
Dt 16.3-8

21Chamou, pois, Moisés todos os anciãos de Israel e lhes disse: Escolhei, e tomai cordeiros segundo as vossas famílias, e imolai a Páscoa. 22Tomai um molho de hissopo, molhai-o no sangue que estiver na bacia e marcai a verga da porta e suas ombreiras com o sangue que estiver na bacia; nenhum de vós saia da porta da sua casa até pela manhã. 23Porque o Senhor passará para ferir os egípcios; quando vir, porém, o sangue na verga da porta e em ambas as ombreiras, passará o Senhor aquela porta e não permitirá ao Destruidor que entre em vossas casas, para vos ferir. 24Guardai, pois, isto por estatuto para vós outros e para vossos filhos, para sempre. 25E, uma vez dentro na terra que o Senhor vos dará, como tem dito, observai este rito. 26Quando vossos filhos vos perguntarem: Que rito é este? 27Respondereis: É o sacrifício da Páscoa ao Senhor,

12.27
Hb 11.28
que passou por cima das casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu os egípcios e livrou as nossas casas. Então, o povo se inclinou e adorou.

28E foram os filhos de Israel e fizeram isso; como o Senhor ordenara a Moisés e a Arão, assim fizeram.

Décima praga: morte dos primogênitos

29Aconteceu que, à meia-noite, feriu o Senhor todos os primogênitos

12.29
Êx 4.22-23
na terra do Egito, desde o primogênito de Faraó, que se assentava no seu trono, até ao primogênito do cativo que estava na enxovia, e todos os primogênitos dos animais. 30Levantou-se Faraó de noite, ele, todos os seus oficiais e todos os egípcios; e fez-se grande clamor no Egito, pois não havia casa em que não houvesse morto. 31Então, naquela mesma noite, Faraó chamou a Moisés e a Arão e lhes disse: Levantai-vos, saí do meio do meu povo, tanto vós como os filhos de Israel; ide, servi ao Senhor, como tendes dito. 32Levai também convosco vossas ovelhas e vosso gado, como tendes dito; ide-vos embora e abençoai-me também a mim. 33Os egípcios apertavam com o povo, apressando-se em lançá-los fora da terra, pois diziam: Todos morreremos.

34O povo tomou a sua massa, antes que levedasse, e as suas amassadeiras atadas em trouxas com seus vestidos, sobre os ombros. 35Fizeram, pois, os filhos de Israel conforme a palavra de Moisés e pediram aos egípcios objetos de prata, e objetos de ouro, e roupas. 36E o Senhor fez que seu povo encontrasse favor da parte dos egípcios, de maneira que estes lhes davam o que pediam. E despojaram os egípcios.

12.35-36
Êx 3.21-22

A saída dos israelitas do Egito

37Assim, partiram os filhos de Israel de Ramessés para Sucote, cerca de seiscentos mil a pé, somente de homens, sem contar mulheres e crianças. 38Subiu também com eles um misto de gente, ovelhas, gado, muitíssimos animais. 39E cozeram bolos asmos da massa que levaram do Egito; pois não se tinha levedado, porque foram lançados fora do Egito; não puderam deter-se e não haviam preparado para si provisões.

40Ora, o tempo que os filhos de Israel habitaram no Egito foi de quatrocentos e trinta anos.

12.40
Gn 15.13
Gl 3.17
41Aconteceu que, ao cabo dos quatrocentos e trinta anos, nesse mesmo dia, todas as hostes do Senhor saíram da terra do Egito. 42Esta noite se observará ao Senhor, porque, nela, os tirou da terra do Egito; esta é a noite do Senhor, que devem todos os filhos de Israel comemorar nas suas gerações. 43Disse mais o Senhor a Moisés e a Arão: Esta é a ordenança da Páscoa: nenhum estrangeiro comerá dela. 44Porém todo escravo comprado por dinheiro, depois de o teres circuncidado, comerá dela. 45O estrangeiro e o assalariado não comerão dela. 46O cordeiro há de ser comido numa só casa; da sua carne não levareis fora da casa, nem lhe quebrareis osso nenhum.
12.46
Nm 9.12
Sl 34.20
Jo 19.36
47Toda a congregação de Israel o fará. 48Porém, se algum estrangeiro se hospedar contigo e quiser celebrar a Páscoa do Senhor, seja-lhe circuncidado todo macho; e, então, se chegará, e a observará, e será como o natural da terra; mas nenhum incircunciso comerá dela. 49A mesma lei haja para o natural e para o forasteiro que peregrinar entre vós. 50Assim fizeram todos os filhos de Israel; como o Senhor ordenara a Moisés e a Arão, assim fizeram. 51Naquele mesmo dia, tirou o Senhor os filhos de Israel do Egito, segundo as suas turmas.