Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
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61Há um mal que vi debaixo do sol e que pesa sobre os homens: 2o homem a quem Deus conferiu riquezas, bens e honra, e nada lhe falta de tudo quanto a sua alma deseja, mas Deus não lhe concede que disso coma; antes, o estranho o come; também isto é vaidade e grave aflição. 3Se alguém gerar cem filhos e viver muitos anos, até avançada idade, e se a sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é mais feliz do que ele; 4pois debalde vem o aborto e em trevas se vai, e de trevas se cobre o seu nome; 5não viu o sol, nada conhece. Todavia, tem mais descanso do que o outro, 6ainda que aquele vivesse duas vezes mil anos, mas não gozasse o bem. Porventura, não vão todos para o mesmo lugar?

7Todo trabalho do homem é para a sua boca; e, contudo, nunca se satisfaz o seu apetite. 8Pois que vantagem tem o sábio sobre o tolo? Ou o pobre que sabe andar perante os vivos? 9Melhor é a vista dos olhos do que o andar ocioso da cobiça; também isto é vaidade e correr atrás do vento.

10A tudo quanto há de vir já se lhe deu o nome, e sabe-se o que é o homem, e que não pode contender com quem é mais forte do que ele. 11É certo que há muitas coisas que só aumentam a vaidade, mas que aproveita isto ao homem? 12Pois quem sabe o que é bom para o homem durante os poucos dias da sua vida de vaidade, os quais gasta como sombra? Quem pode declarar ao homem o que será depois dele debaixo do sol?

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Comparadas a sabedoria e a loucura

71Melhor é a boa fama do que o unguento precioso, e o dia da morte, melhor do que o dia do nascimento. 2Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração. 3Melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração. 4O coração dos sábios está na casa do luto, mas o dos insensatos, na casa da alegria. 5Melhor é ouvir a repreensão do sábio do que ouvir a canção do insensato. 6Pois, qual o crepitar dos espinhos debaixo de uma panela, tal é a risada do insensato; também isto é vaidade. 7Verdadeiramente, a opressão faz endoidecer até o sábio, e o suborno corrompe o coração. 8Melhor é o fim das coisas do que o seu princípio; melhor é o paciente do que o arrogante. 9Não te apresses em irar-te, porque a ira se abriga no íntimo dos insensatos. 10Jamais digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Pois não é sábio perguntar assim. 11Boa é a sabedoria, havendo herança, e de proveito, para os que veem o sol. 12A sabedoria protege como protege o dinheiro; mas o proveito da sabedoria é que ela dá vida ao seu possuidor. 13Atenta para as obras de Deus, pois quem poderá endireitar o que ele torceu? 14No dia da prosperidade, goza do bem; mas, no dia da adversidade, considera em que Deus fez tanto este como aquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.

A moderação em tudo é boa

15Tudo isto vi nos dias da minha vaidade: há justo que perece na sua justiça, e há perverso que prolonga os seus dias na sua perversidade. 16Não sejas demasiadamente justo, nem exageradamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo? 17Não sejas demasiadamente perverso, nem sejas louco; por que morrerias fora do teu tempo? 18Bom é que retenhas isto e também daquilo não retires a mão; pois quem teme a Deus de tudo isto sai ileso.

19A sabedoria fortalece ao sábio, mais do que dez poderosos que haja na cidade. 20Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque. 21Não apliques o coração a todas as palavras que se dizem, para que não venhas a ouvir o teu servo a amaldiçoar-te, 22pois tu sabes que muitas vezes tu mesmo tens amaldiçoado a outros.

Avaliação da mulher enganosa

23Tudo isto experimentei pela sabedoria; e disse: tornar-me-ei sábio, mas a sabedoria estava longe de mim. 24O que está longe e mui profundo, quem o achará? 25Apliquei-me a conhecer, e a investigar, e a buscar a sabedoria e meu juízo de tudo, e a conhecer que a perversidade é insensatez e a insensatez, loucura. 26Achei coisa mais amarga do que a morte: a mulher cujo coração são redes e laços e cujas mãos são grilhões; quem for bom diante de Deus fugirá dela, mas o pecador virá a ser seu prisioneiro. 27Eis o que achei, diz o Pregador, conferindo uma coisa com outra, para a respeito delas formar o meu juízo, 28juízo que ainda procuro e não o achei: entre mil homens achei um como esperava, mas entre tantas mulheres não achei nem sequer uma. 29Eis o que tão somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias.

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A submissão diante do rei

81Quem é como o sábio? E quem sabe a interpretação das coisas? A sabedoria do homem faz reluzir o seu rosto, e muda-se a dureza da sua face. 2Eu te digo: observa o mandamento do rei, e isso por causa do teu juramento feito a Deus. 3Não te apresses em deixar a presença dele, nem te obstines em coisa má, porque ele faz o que bem entende. 4Porque a palavra do rei tem autoridade suprema; e quem lhe dirá: Que fazes? 5Quem guarda o mandamento não experimenta nenhum mal; e o coração do sábio conhece o tempo e o modo. 6Porque para todo propósito há tempo e modo; porquanto é grande o mal que pesa sobre o homem.

7Porque este não sabe o que há de suceder; e, como há de ser, ninguém há que lho declare. 8Não há nenhum homem que tenha domínio sobre o vento para o reter; nem tampouco tem ele poder sobre o dia da morte; nem há tréguas nesta peleja; nem tampouco a perversidade livrará aquele que a ela se entrega. 9Tudo isto vi quando me apliquei a toda obra que se faz debaixo do sol; há tempo em que um homem tem domínio sobre outro homem, para arruiná-lo.

As desigualdades na vida

10Assim também vi os perversos receberem sepultura e entrarem no repouso, ao passo que os que frequentavam o lugar santo foram esquecidos na cidade onde fizeram o bem; também isto é vaidade. 11Visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal. 12Ainda que o pecador faça o mal cem vezes, e os dias se lhe prolonguem, eu sei com certeza que bem sucede aos que temem a Deus. 13Mas o perverso não irá bem, nem prolongará os seus dias; será como a sombra, visto que não teme diante de Deus.

14Ainda há outra vaidade sobre a terra: justos a quem sucede segundo as obras dos perversos, e perversos a quem sucede segundo as obras dos justos. Digo que também isto é vaidade. 15Então, exaltei eu a alegria, porquanto para o homem nenhuma coisa há melhor debaixo do sol do que comer, beber e alegrar-se; pois isso o acompanhará no seu trabalho nos dias da vida que Deus lhe dá debaixo do sol.

16Aplicando-me a conhecer a sabedoria e a ver o trabalho que há sobre a terra — pois nem de dia nem de noite vê o homem sono nos seus olhos —, 17então, contemplei toda a obra de Deus e vi que o homem não pode compreender a obra que se faz debaixo do sol; por mais que trabalhe o homem para a descobrir, não a entenderá; e, ainda que diga o sábio que a virá a conhecer, nem por isso a poderá achar.