Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
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A excelência da sabedoria

101Qual a mosca morta faz o unguento do perfumador exalar mau cheiro, assim é para a sabedoria e a honra um pouco de estultícia. 2O coração do sábio se inclina para o lado direito, mas o do estulto, para o da esquerda. 3Quando o tolo vai pelo caminho, falta-lhe o entendimento; e, assim, a todos mostra que é estulto. 4Levantando-se contra ti a indignação do governador, não deixes o teu lugar, porque o ânimo sereno acalma grandes ofensores. 5Ainda há um mal que vi debaixo do sol, erro que procede do governador: 6o tolo posto em grandes alturas, mas os ricos assentados em lugar baixo. 7Vi servos a cavalo e príncipes andando a pé como servos sobre a terra. 8Quem abre uma cova nela cairá, e quem rompe um muro, mordê-lo-á uma cobra. 9Quem arranca pedras será maltratado por elas, e o que racha lenha expõe-se ao perigo. 10Se o ferro está embotado, e não se lhe afia o corte, é preciso redobrar a força; mas a sabedoria resolve com bom êxito. 11Se a cobra morder antes de estar encantada, não há vantagem no encantador.

12Nas palavras do sábio há favor, mas ao tolo os seus lábios devoram. 13As primeiras palavras da boca do tolo são estultícia, e as últimas, loucura perversa. 14O estulto multiplica as palavras, ainda que o homem não sabe o que sucederá; e quem lhe manifestará o que será depois dele? 15O trabalho do tolo o fatiga, pois nem sabe ir à cidade.

16Ai de ti, ó terra cujo rei é criança e cujos príncipes se banqueteiam já de manhã. 17Ditosa, tu, ó terra cujo rei é filho de nobres e cujos príncipes se sentam à mesa a seu tempo para refazerem as forças e não para bebedice. 18Pela muita preguiça desaba o teto, e pela frouxidão das mãos goteja a casa. 19O festim faz-se para rir, o vinho alegra a vida, e o dinheiro atende a tudo. 20Nem no teu pensamento amaldiçoes o rei, nem tampouco no mais interior do teu quarto, o rico; porque as aves dos céus poderiam levar a tua voz, e o que tem asas daria notícia das tuas palavras.

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O procedimento prudente do sábio

111Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás. 2Reparte com sete e ainda com oito, porque não sabes que mal sobrevirá à terra. 3Estando as nuvens cheias, derramam aguaceiro sobre a terra; caindo a árvore para o sul ou para o norte, no lugar em que cair, aí ficará. 4Quem somente observa o vento nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará. 5Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da mulher grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas. 6Semeia pela manhã a tua semente e à tarde não repouses a mão, porque não sabes qual prosperará; se esta, se aquela ou se ambas igualmente serão boas. 7Doce é a luz, e agradável aos olhos, ver o sol. 8Ainda que o homem viva muitos anos, regozije-se em todos eles; contudo, deve lembrar-se de que há dias de trevas, porque serão muitos. Tudo quanto sucede é vaidade.

A mocidade

9Alegra-te, jovem, na tua juventude, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade; anda pelos caminhos que satisfazem ao teu coração e agradam aos teus olhos; sabe, porém, que de todas estas coisas Deus te pedirá contas. 10Afasta, pois, do teu coração o desgosto e remove da tua carne a dor, porque a juventude e a primavera da vida são vaidade.

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A velhice

121Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer; 2antes que se escureçam o sol, a lua e as estrelas do esplendor da tua vida, e tornem a vir as nuvens depois do aguaceiro; 3no dia em que tremerem os guardas da casa, os teus braços, e se curvarem os homens outrora fortes, as tuas pernas, e cessarem os teus moedores da boca, por já serem poucos, e se escurecerem os teus olhos nas janelas; 4e os teus lábios, quais portas da rua, se fecharem; no dia em que não puderes falar em alta voz, te levantares à voz das aves, e todas as harmonias, filhas da música, te diminuírem; 5como também quando temeres o que é alto, e te espantares no caminho, e te embranqueceres, como floresce a amendoeira, e o gafanhoto te for um peso, e te perecer o apetite; porque vais à casa eterna, e os pranteadores andem rodeando pela praça; 6antes que se rompa o fio de prata, e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço, 7e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu. 8Vaidade de vaidade, diz o Pregador, tudo é vaidade.

Conclusão

9O Pregador, além de sábio, ainda ensinou ao povo o conhecimento; e, atentando e esquadrinhando, compôs muitos provérbios. 10Procurou o Pregador achar palavras agradáveis e escrever com retidão palavras de verdade. 11As palavras dos sábios são como aguilhões, e como pregos bem-fixados as sentenças coligidas, dadas pelo único Pastor. 12Demais, filho meu, atenta: não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne. 13De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem. 14Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más.

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