Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
32

321Inclinai os ouvidos, ó céus, e falarei;

e ouça a terra as palavras da minha boca.

2Goteje a minha doutrina como a chuva,

destile a minha palavra como o orvalho,

como chuvisco sobre a relva

e como gotas de água sobre a erva.

3Porque proclamarei o nome do Senhor.

Engrandecei o nosso Deus.

4Eis a Rocha! Suas obras são perfeitas,

porque todos os seus caminhos são juízo;

Deus é fidelidade, e não há nele injustiça;

é justo e reto.

5Procederam corruptamente contra ele,

já não são seus filhos, e sim suas manchas;

é geração perversa e deformada.

6É assim que recompensas ao Senhor,

povo louco e ignorante?

Não é ele teu pai, que te adquiriu,

te fez e te estabeleceu?

7Lembra-te dos dias da antiguidade,

atenta para os anos de gerações e gerações;

pergunta a teu pai, e ele te informará,

aos teus anciãos, e eles to dirão.

8Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações,

quando separava os filhos dos homens uns dos outros,

fixou os limites dos povos,

segundo o número dos filhos de Israel.

9Porque a porção do Senhor é o seu povo;

Jacó é a parte da sua herança.

10Achou-o numa terra deserta

e num ermo solitário povoado de uivos;

rodeou-o e cuidou dele,

guardou-o como a menina dos olhos.

11Como a águia desperta a sua ninhada

e voeja sobre os seus filhotes,

estende as asas e, tomando-os,

os leva sobre elas,

12assim, só o Senhor o guiou,

e não havia com ele deus estranho.

13Ele o fez cavalgar sobre os altos da terra,

comer as messes do campo,

chupar mel da rocha e azeite da dura pederneira,

14coalhada de vacas e leite de ovelhas,

com a gordura dos cordeiros,

dos carneiros que pastam em Basã e dos bodes,

com o mais escolhido trigo;

e bebeste o sangue das uvas, o mosto.

15Mas, engordando-se o meu amado, deu coices;

engordou-se, engrossou-se, ficou nédio

e abandonou a Deus, que o fez,

desprezou a Rocha da sua salvação.

16Com deuses estranhos o provocaram a zelos,

com abominações o irritaram.

17Sacrifícios ofereceram aos demônios,

32.17
1Co 10.20
não a Deus;

a deuses que não conheceram,

novos deuses que vieram há pouco,

dos quais não se estremeceram seus pais.

18Olvidaste a Rocha que te gerou;

e te esqueceste do Deus que te deu o ser.

19Viu isto o Senhor e os desprezou,

por causa da provocação de seus filhos e suas filhas;

20e disse: Esconderei deles o rosto,

verei qual será o seu fim;

porque são raça de perversidade,

filhos em quem não há lealdade.

21A zelos me provocaram

32.21
1Co 10.22
com aquilo que não é Deus;

com seus ídolos me provocaram à ira;

portanto, eu os provocarei a zelos

32.21
Rm 10.19
com aquele que não é povo;

com louca nação os despertarei à ira.

22Porque um fogo se acendeu no meu furor

e arderá até ao mais profundo do inferno,

consumirá a terra e suas messes

e abrasará os fundamentos dos montes.

23Amontoarei males sobre eles;

as minhas setas esgotarei contra eles.

24Consumidos serão pela fome,

devorados pela febre e peste violenta;

e contra eles enviarei dentes de feras

e ardente peçonha de serpentes do pó.

25Fora devastará a espada,

em casa, o pavor,

tanto ao jovem como à virgem,

tanto à criança de peito como ao homem encanecido.

26Eu teria dito: Por todos os cantos os espalharei

e farei cessar a sua memória dentre os homens,

27se eu não tivesse receado a provocação do inimigo,

para que os seus adversários não se iludam,

para que não digam: A nossa mão tem prevalecido,

e não foi o Senhor quem fez tudo isto.

28Porque o meu povo é gente falta de conselhos,

e neles não há entendimento.

29Tomara fossem eles sábios! Então, entenderiam isto

e atentariam para o seu fim.

30Como poderia um só perseguir mil,

e dois fazerem fugir dez mil,

se a sua Rocha lhos não vendera,

e o Senhor lhos não entregara?

31Porque a rocha deles não é como a nossa Rocha;

e os próprios inimigos o atestam.

32Porque a sua vinha é da vinha de Sodoma

e dos campos de Gomorra;

as suas uvas são uvas de veneno,

seus cachos, amargos;

33o seu vinho é ardente veneno de répteis

e peçonha terrível de víboras.

34Não está isto guardado comigo,

selado nos meus tesouros?

35A mim me pertence a vingança,

32.35
Rm 12.19
Hb 10.30
a retribuição,

a seu tempo, quando resvalar o seu pé;

porque o dia da sua calamidade está próximo,

e o seu destino se apressa em chegar.

36Porque o Senhor fará justiça ao seu povo

e se compadecerá dos seus servos,

quando vir que o seu poder se foi,

e já não há nem escravo nem livre.

37Então, dirá: Onde estão os seus deuses?

E a rocha em quem confiavam?

38Deuses que comiam a gordura de seus sacrifícios

e bebiam o vinho de suas libações?

Levantem-se eles e vos ajudem,

para que haja esconderijo para vós outros!

39Vede, agora, que Eu Sou, Eu somente,

e mais nenhum deus além de mim;

eu mato e eu faço viver;

eu firo e eu saro;

e não há quem possa livrar alguém da minha mão.

40Levanto a mão aos céus

e afirmo por minha vida eterna:

41se eu afiar a minha espada reluzente,

e a minha mão exercitar o juízo,

tomarei vingança contra os meus adversários

e retribuirei aos que me odeiam.

42Embriagarei as minhas setas de sangue

(a minha espada comerá carne),

do sangue dos mortos e dos prisioneiros,

das cabeças cabeludas do inimigo.

43Louvai, ó nações, o seu povo,

32.43
Rm 15.10

porque o Senhor vingará o sangue

32.43
Ap 19.2
dos seus servos,

tomará vingança dos seus adversários

e fará expiação pela terra do seu povo.

44Veio Moisés e falou todas as palavras deste cântico aos ouvidos do povo, ele e Josué, filho de Num. 45Tendo Moisés falado todas estas palavras a todo o Israel, 46disse-lhes: Aplicai o coração a todas as palavras que, hoje, testifico entre vós, para que ordeneis a vossos filhos que cuidem de cumprir todas as palavras desta lei. 47Porque esta palavra não é para vós outros coisa vã; antes, é a vossa vida; e, por esta mesma palavra, prolongareis os dias na terra à qual, passando o Jordão, ides para a possuir.

O Último Dia da Vida de Moisés

Moisés vê do monte Nebo a terra de Canaã

48Naquele mesmo dia, falou o Senhor a Moisés, dizendo: 49Sobe a este monte de Abarim, ao monte Nebo, que está na terra de Moabe, defronte de Jericó, e vê a terra de Canaã, que aos filhos de Israel dou em possessão. 50E morrerás no monte, ao qual terás subido, e te recolherás ao teu povo, como Arão, teu irmão, morreu no monte Hor e se recolheu ao seu povo, 51porquanto prevaricastes contra mim no meio dos filhos de Israel, nas águas de Meribá de Cades, no deserto de Zim, pois me não santificastes no meio dos filhos de Israel. 52Pelo que verás a terra defronte de ti, porém não entrarás nela, na terra que dou aos filhos de Israel.

32.48-52
Nm 27.12-14

33

A bênção de Moisés

331Esta é a bênção que Moisés, homem de Deus, deu aos filhos de Israel, antes da sua morte. 2Disse, pois:

O Senhor veio do Sinai

e lhes alvoreceu de Seir,

resplandeceu desde o monte Parã;

e veio das miríades de santos;

à sua direita, havia para eles o fogo da lei.

3Na verdade, amas os povos;

todos os teus santos estão na tua mão;

eles se colocam a teus pés

e aprendem das tuas palavras.

4Moisés nos prescreveu a lei

por herança da congregação de Jacó.

5E o Senhor se tornou rei ao seu povo amado,

quando se congregaram os cabeças do povo

com as tribos de Israel.

6Viva Rúben e não morra;

e não sejam poucos os seus homens!

7Isto é o que disse de Judá:

Ouve, ó Senhor, a voz de Judá

e introduze-o no seu povo;

com as tuas mãos, peleja por ele

e sê tu ajuda contra os seus inimigos.

8De Levi disse:

Dá, ó Deus, o teu Tumim e o teu Urim

para o homem,

33.8
Êx 28.30
teu fidedigno,

que tu provaste em Massá,

33.8
Êx 17.7

com quem contendeste nas águas de Meribá;

33.8
Êx 17.7
Nm 20.13

9aquele que disse a seu pai e a sua mãe:

Nunca os vi;

e não conheceu a seus irmãos

e não estimou a seus filhos,

pois guardou a tua palavra

e observou a tua aliança.

10Ensinou os teus juízos a Jacó

e a tua lei, a Israel;

ofereceu incenso às tuas narinas

e holocausto, sobre o teu altar.

11Abençoa o seu poder, ó Senhor,

e aceita a obra das suas mãos,

fere os lombos dos que se levantam contra ele e o aborrecem,

para que nunca mais se levantem.

12De Benjamim disse:

O amado do Senhor habitará seguro com ele;

todo o dia o Senhor o protegerá,

e ele descansará nos seus braços.

13De José disse:

Bendita do Senhor seja a sua terra,

com o que é mais excelente dos céus,

do orvalho e das profundezas,

14com o que é mais excelente daquilo que o sol amadurece

e daquilo que os meses produzem,

15com o que é mais excelente dos montes antigos

e mais excelente dos outeiros eternos,

16com o que é mais excelente da terra e da sua plenitude

e da benevolência daquele que apareceu na sarça;

que tudo isto venha sobre a cabeça de José,

sobre a cabeça do príncipe entre seus irmãos.

17Ele tem a imponência do primogênito do seu touro,

e as suas pontas são como as de um boi selvagem;

com elas rechaçará todos os povos

até às extremidades da terra.

Tais, pois, as miríades de Efraim,

e tais, os milhares de Manassés.

18De Zebulom disse:

Alegra-te, Zebulom, nas tuas saídas marítimas,

e tu, Issacar, nas tuas tendas.

19Os dois chamarão os povos ao monte;

ali apresentarão ofertas legítimas,

porque chuparão a abundância dos mares

e os tesouros escondidos da areia.

20De Gade disse:

Bendito aquele que faz dilatar Gade,

o qual habita como a leoa

e despedaça o braço e o alto da cabeça.

21E se proveu da melhor parte,

porquanto ali estava escondida a porção do chefe;

ele marchou adiante do povo,

executou a justiça do Senhor

e os seus juízos para com Israel.

22De Dã disse:

Dã é leãozinho;

saltará de Basã.

23De Naftali disse:

Naftali goza de favores

e, cheio da bênção do Senhor,

possuirá o lago e o Sul.

24De Aser disse:

Bendito seja Aser entre os filhos de Jacó,

agrade a seus irmãos

e banhe em azeite o pé.

25Sejam de ferro e de bronze os teus ferrolhos,

e, como os teus dias, durará a tua paz.

26Não há outro, ó amado, semelhante a Deus,

que cavalga sobre os céus para a tua ajuda

e com a sua alteza sobre as nuvens.

27O Deus eterno é a tua habitação

e, por baixo de ti, estende os braços eternos;

ele expulsou o inimigo de diante de ti

e disse: Destrói-o.

28Israel, pois, habitará seguro,

a fonte de Jacó habitará a sós

numa terra de cereal e de vinho;

e os seus céus destilarão orvalho.

29Feliz és tu, ó Israel! Quem é como tu?

Povo salvo pelo Senhor,

escudo que te socorre,

espada que te dá alteza.

Assim, os teus inimigos te serão sujeitos,

e tu pisarás os seus altos.

34

A morte de Moisés

341Então, subiu Moisés das campinas de Moabe ao monte Nebo, ao cimo de Pisga, que está defronte de Jericó; e o Senhor lhe mostrou toda a terra de Gileade até Dã; 2e todo o Naftali, e a terra de Efraim, e Manassés; e toda a terra de Judá até ao mar ocidental; 3e o Neguebe e a campina do vale de Jericó, a cidade das Palmeiras, até Zoar. 4Disse-lhe o Senhor: Esta é a terra que, sob juramento, prometi a Abraão,

34.4
Gn 12.7
a Isaque
34.4
Gn 26.3
e a Jacó,
34.4
Gn 28.13
dizendo: à tua descendência a darei; eu te faço vê-la com os próprios olhos; porém não irás para lá. 5Assim, morreu ali Moisés, servo do Senhor, na terra de Moabe, segundo a palavra do Senhor. 6Este o sepultou num vale, na terra de Moabe, defronte de Bete-Peor; e ninguém sabe, até hoje, o lugar da sua sepultura. 7Tinha Moisés a idade de cento e vinte anos quando morreu; não se lhe escureceram os olhos, nem se lhe abateu o vigor. 8Os filhos de Israel prantearam Moisés por trinta dias, nas campinas de Moabe; então, se cumpriram os dias do pranto no luto por Moisés.

9Josué, filho de Num, estava cheio do espírito de sabedoria, porquanto Moisés impôs sobre ele as mãos; assim, os filhos de Israel lhe deram ouvidos e fizeram como o Senhor ordenara a Moisés. 10Nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, com quem o Senhor houvesse tratado face a face,

34.10
Êx 33.11
11no tocante a todos os sinais e maravilhas que, por mando do Senhor, fez na terra do Egito, a Faraó, a todos os seus oficiais e a toda a sua terra; 12e no tocante a todas as obras de sua poderosa mão e aos grandes e terríveis feitos que operou Moisés à vista de todo o Israel.