Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
6

A corrupção e a destruição de Israel

61Ai dos que andam à vontade em Sião e dos que vivem sem receio no monte de Samaria, homens notáveis da principal das nações, aos quais vem a casa de Israel! 2Passai a Calné e vede; e, dali, ide à grande Hamate; depois, descei a Gate dos filisteus; sois melhores que estes reinos? Ou será maior o seu território do que o vosso território? 3Vós que imaginais estar longe o dia mau e fazeis chegar o trono da violência; 4que dormis em camas de marfim, e vos espreguiçais sobre o vosso leito, e comeis os cordeiros do rebanho e os bezerros do cevadouro; 5que cantais à toa ao som da lira e inventais, como Davi, instrumentos músicos para vós mesmos; 6que bebeis vinho em taças e vos ungis com o mais excelente óleo, mas não vos afligis com a ruína de José. 7Portanto, agora, ireis em cativeiro entre os primeiros que forem levados cativos, e cessarão as pândegas dos espreguiçadores.

8Jurou o Senhor Deus por si mesmo, o Senhor, Deus dos Exércitos, e disse: Abomino a soberba de Jacó e odeio os seus castelos; e abandonarei a cidade e tudo o que nela há. 9Se numa casa ficarem dez homens, também esses morrerão. 10Se, porém, um parente chegado, o qual os há de queimar, toma os cadáveres para os levar fora da casa e diz ao que estiver no seu mais interior: Haverá outro contigo? E este responder: Não há; então, lhe dirá: Cala-te, não menciones o nome do Senhor. 11Pois eis que o Senhor ordena, e será destroçada em ruínas a casa grande, e a pequena, feita em pedaços.

12Poderão correr cavalos na rocha? E lavrá-la com bois? No entanto, haveis tornado o juízo em veneno e o fruto da justiça, em alosna. 13Vós vos alegrais com Lo-Debar e dizeis: Não é assim que, por nossas próprias forças, nos apoderamos de Carnaim? 14Pois eis que levantarei sobre vós, ó casa de Israel, uma nação, diz o Senhor, Deus dos Exércitos, a qual vos oprimirá, desde a entrada de Hamate até ao ribeiro da Arabá.

7

A visão do gafanhoto, do fogo e do prumo

71Isto me fez ver o Senhor Deus: eis que ele formava gafanhotos ao surgir o rebento da erva serôdia; e era a erva serôdia depois de findas as ceifas do rei. 2Tendo eles comido de todo a erva da terra, disse eu: Senhor Deus, perdoa, rogo-te; como subsistirá Jacó? Pois ele é pequeno. 3Então, o Senhor se arrependeu disso. Não acontecerá, disse o Senhor.

4Isto me mostrou o Senhor Deus: eis que o Senhor Deus chamou o fogo para exercer a sua justiça; este consumiu o grande abismo e devorava a herança do Senhor. 5Então, disse eu: Senhor Deus, cessa agora; como subsistirá Jacó? Pois ele é pequeno. 6E o Senhor se arrependeu disso. Também não acontecerá, disse o Senhor Deus.

7Mostrou-me também isto: eis que o Senhor estava sobre um muro levantado a prumo; e tinha um prumo na mão. 8O Senhor me disse: Que vês tu, Amós? Respondi: Um prumo. Então, me disse o Senhor: Eis que eu porei o prumo no meio do meu povo de Israel; e jamais passarei por ele. 9Mas os altos de Isaque serão assolados, e destruídos, os santuários de Israel; e levantar-me-ei com a espada contra a casa de Jeroboão.

Amós acusado como conspirador

10Então, Amazias, o sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: Amós tem conspirado contra ti, no meio da casa de Israel; a terra não pode sofrer todas as suas palavras. 11Porque assim diz Amós: Jeroboão morrerá à espada, e Israel, certamente, será levado para fora de sua terra, em cativeiro. 12Então, Amazias disse a Amós: Vai-te, ó vidente, foge para a terra de Judá, e ali come o teu pão, e ali profetiza; 13mas em Betel, daqui por diante, já não profetizarás, porque é o santuário do rei e o templo do reino.

14Respondeu Amós e disse a Amazias: Eu não sou profeta, nem discípulo de profeta, mas boieiro e colhedor de sicômoros. 15Mas o Senhor me tirou de após o gado e o Senhor me disse: Vai e profetiza ao meu povo de Israel. 16Ora, pois, ouve a palavra do Senhor. Tu dizes: Não profetizarás contra Israel, nem falarás contra a casa de Isaque. 17Portanto, assim diz o Senhor: Tua mulher se prostituirá na cidade, e teus filhos e tuas filhas cairão à espada, e a tua terra será repartida a cordel, e tu morrerás na terra imunda, e Israel, certamente, será levado cativo para fora da sua terra.

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A visão de um cesto de frutos

81O Senhor Deus me fez ver isto: eis aqui um cesto de frutos de verão. 2E perguntou: Que vês, Amós? E eu respondi: Um cesto de frutos de verão. Então, o Senhor me disse: Chegou o fim para o meu povo de Israel; e jamais passarei por ele. 3Mas os cânticos do templo, naquele dia, serão uivos, diz o Senhor Deus; multiplicar-se-ão os cadáveres; em todos os lugares, serão lançados fora. Silêncio!

A ruína de Israel está perto

4Ouvi isto, vós que tendes gana contra o necessitado e destruís os miseráveis da terra, 5dizendo: Quando passará a Festa da Lua Nova, para vendermos os cereais? E o sábado, para abrirmos os celeiros de trigo, diminuindo o efa, e aumentando o siclo, e procedendo dolosamente com balanças enganadoras, 6para comprarmos os pobres por dinheiro e os necessitados por um par de sandálias e vendermos o refugo do trigo? 7Jurou o Senhor pela glória de Jacó: Eu não me esquecerei de todas as suas obras, para sempre! 8Por causa disto, não estremecerá a terra? E não se enlutará todo aquele que habita nela? Certamente, levantar-se-á toda como o Nilo, será agitada e abaixará como o rio do Egito. 9Sucederá que, naquele dia, diz o Senhor Deus, farei que o sol se ponha ao meio-dia e entenebrecerei a terra em dia claro. 10Converterei as vossas festas em luto e todos os vossos cânticos em lamentações; porei pano de saco sobre todos os lombos e calva sobre toda cabeça; e farei que isso seja como luto por filho único, luto cujo fim será como dia de amarguras.

11Eis que vêm dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra, não de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor. 12Andarão de mar a mar e do Norte até ao Oriente; correrão por toda parte, procurando a palavra do Senhor, e não a acharão. 13Naquele dia, as virgens formosas e os jovens desmaiarão de sede, 14os que, agora, juram pelo ídolo de Samaria e dizem: Como é certo viver o teu deus, ó Dã! E: Como é certo viver o culto de Berseba! Esses mesmos cairão e não se levantarão jamais.