Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
5

Buscai a Deus e vivei

51Ouvi esta palavra que levanto como lamentação sobre vós, ó casa de Israel: 2Caiu a virgem de Israel, nunca mais tornará a levantar-se; estendida está na sua terra, e não há quem a levante. 3Porque assim diz o Senhor Deus: A cidade da qual saem mil conservará cem, e aquela da qual saem cem conservará dez à casa de Israel.

4Pois assim diz o Senhor à casa de Israel: Buscai-me e vivei. 5Porém não busqueis a Betel, nem venhais a Gilgal, nem passeis a Berseba, porque Gilgal, certamente, será levada cativa, e Betel será desfeita em nada. 6Buscai ao Senhor e vivei, para que não irrompa na casa de José como um fogo que a consuma, e não haja em Betel quem o apague. 7Vós que converteis o juízo em alosna e deitais por terra a justiça, 8procurai o que faz o Sete-estrelo e o Órion,

5.8
Jó 9.9
38.31
e torna a densa treva em manhã, e muda o dia em noite; o que chama as águas do mar e as derrama sobre a terra; Senhor é o seu nome. 9É ele que faz vir súbita destruição sobre o forte e ruína contra a fortaleza.

10Aborreceis na porta ao que vos repreende e abominais o que fala sinceramente. 11Portanto, visto que pisais o pobre e dele exigis tributo de trigo, não habitareis nas casas de pedras lavradas que tendes edificado; nem bebereis do vinho das vides desejáveis que tendes plantado. 12Porque sei serem muitas as vossas transgressões e graves os vossos pecados; afligis o justo, tomais suborno e rejeitais os necessitados na porta. 13Portanto, o que for prudente guardará, então, silêncio, porque é tempo mau.

14Buscai o bem e não o mal, para que vivais; e, assim, o Senhor, o Deus dos Exércitos, estará convosco, como dizeis. 15Aborrecei o mal, e amai o bem, e estabelecei na porta o juízo; talvez o Senhor, o Deus dos Exércitos, se compadeça do restante de José.

16Portanto, assim diz o Senhor, o Senhor, Deus dos Exércitos: Em todas as praças haverá pranto; e em todas as ruas dirão: Ai! Ai! E ao lavrador chamarão para o pranto e, para o choro, os que sabem prantear. 17Em todas as vinhas haverá pranto, porque passarei pelo meio de ti, diz o Senhor.

18Ai de vós que desejais o Dia do Senhor! Para que desejais vós o Dia do Senhor? É dia de trevas e não de luz. 19Como se um homem fugisse de diante do leão, e se encontrasse com ele o urso; ou como se, entrando em casa, encostando a mão à parede, fosse mordido de uma cobra. 20Não será, pois, o Dia do Senhor trevas e não luz? Não será completa escuridão, sem nenhuma claridade?

Deus exige justiça e não sacrifícios

21Aborreço, desprezo as vossas festas e com as vossas assembleias solenes não tenho nenhum prazer. 22E, ainda que me ofereçais holocaustos e vossas ofertas de manjares, não me agradarei deles, nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados.

5.21-22
Is 1.11-14
23Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras. 24Antes, corra o juízo como as águas; e a justiça, como ribeiro perene. 25Apresentastes-me, vós, sacrifícios e ofertas de manjares no deserto por quarenta anos, ó casa de Israel? 26Sim, levastes Sicute, vosso rei, Quium, vossa imagem, e o vosso deus-estrela, que fizestes para vós mesmos. 27Por isso, vos desterrarei para além de Damasco, diz o Senhor, cujo nome é Deus dos Exércitos.
5.25-27
At 7.42-43

6

A corrupção e a destruição de Israel

61Ai dos que andam à vontade em Sião e dos que vivem sem receio no monte de Samaria, homens notáveis da principal das nações, aos quais vem a casa de Israel! 2Passai a Calné e vede; e, dali, ide à grande Hamate; depois, descei a Gate dos filisteus; sois melhores que estes reinos? Ou será maior o seu território do que o vosso território? 3Vós que imaginais estar longe o dia mau e fazeis chegar o trono da violência; 4que dormis em camas de marfim, e vos espreguiçais sobre o vosso leito, e comeis os cordeiros do rebanho e os bezerros do cevadouro; 5que cantais à toa ao som da lira e inventais, como Davi, instrumentos músicos para vós mesmos; 6que bebeis vinho em taças e vos ungis com o mais excelente óleo, mas não vos afligis com a ruína de José. 7Portanto, agora, ireis em cativeiro entre os primeiros que forem levados cativos, e cessarão as pândegas dos espreguiçadores.

8Jurou o Senhor Deus por si mesmo, o Senhor, Deus dos Exércitos, e disse: Abomino a soberba de Jacó e odeio os seus castelos; e abandonarei a cidade e tudo o que nela há. 9Se numa casa ficarem dez homens, também esses morrerão. 10Se, porém, um parente chegado, o qual os há de queimar, toma os cadáveres para os levar fora da casa e diz ao que estiver no seu mais interior: Haverá outro contigo? E este responder: Não há; então, lhe dirá: Cala-te, não menciones o nome do Senhor. 11Pois eis que o Senhor ordena, e será destroçada em ruínas a casa grande, e a pequena, feita em pedaços.

12Poderão correr cavalos na rocha? E lavrá-la com bois? No entanto, haveis tornado o juízo em veneno e o fruto da justiça, em alosna. 13Vós vos alegrais com Lo-Debar e dizeis: Não é assim que, por nossas próprias forças, nos apoderamos de Carnaim? 14Pois eis que levantarei sobre vós, ó casa de Israel, uma nação, diz o Senhor, Deus dos Exércitos, a qual vos oprimirá, desde a entrada de Hamate até ao ribeiro da Arabá.

7

A visão do gafanhoto, do fogo e do prumo

71Isto me fez ver o Senhor Deus: eis que ele formava gafanhotos ao surgir o rebento da erva serôdia; e era a erva serôdia depois de findas as ceifas do rei. 2Tendo eles comido de todo a erva da terra, disse eu: Senhor Deus, perdoa, rogo-te; como subsistirá Jacó? Pois ele é pequeno. 3Então, o Senhor se arrependeu disso. Não acontecerá, disse o Senhor.

4Isto me mostrou o Senhor Deus: eis que o Senhor Deus chamou o fogo para exercer a sua justiça; este consumiu o grande abismo e devorava a herança do Senhor. 5Então, disse eu: Senhor Deus, cessa agora; como subsistirá Jacó? Pois ele é pequeno. 6E o Senhor se arrependeu disso. Também não acontecerá, disse o Senhor Deus.

7Mostrou-me também isto: eis que o Senhor estava sobre um muro levantado a prumo; e tinha um prumo na mão. 8O Senhor me disse: Que vês tu, Amós? Respondi: Um prumo. Então, me disse o Senhor: Eis que eu porei o prumo no meio do meu povo de Israel; e jamais passarei por ele. 9Mas os altos de Isaque serão assolados, e destruídos, os santuários de Israel; e levantar-me-ei com a espada contra a casa de Jeroboão.

Amós acusado como conspirador

10Então, Amazias, o sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: Amós tem conspirado contra ti, no meio da casa de Israel; a terra não pode sofrer todas as suas palavras. 11Porque assim diz Amós: Jeroboão morrerá à espada, e Israel, certamente, será levado para fora de sua terra, em cativeiro. 12Então, Amazias disse a Amós: Vai-te, ó vidente, foge para a terra de Judá, e ali come o teu pão, e ali profetiza; 13mas em Betel, daqui por diante, já não profetizarás, porque é o santuário do rei e o templo do reino.

14Respondeu Amós e disse a Amazias: Eu não sou profeta, nem discípulo de profeta, mas boieiro e colhedor de sicômoros. 15Mas o Senhor me tirou de após o gado e o Senhor me disse: Vai e profetiza ao meu povo de Israel. 16Ora, pois, ouve a palavra do Senhor. Tu dizes: Não profetizarás contra Israel, nem falarás contra a casa de Isaque. 17Portanto, assim diz o Senhor: Tua mulher se prostituirá na cidade, e teus filhos e tuas filhas cairão à espada, e a tua terra será repartida a cordel, e tu morrerás na terra imunda, e Israel, certamente, será levado cativo para fora da sua terra.