Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
5

Ananias e Safira

51Entretanto, certo homem, chamado Ananias, com sua mulher Safira, vendeu uma propriedade, 2mas, em acordo com sua mulher, reteve parte do preço e, levando o restante, depositou-o aos pés dos apóstolos.

3Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo? 4Conservando-o, porventura, não seria teu? E, vendido, não estaria em teu poder? Como, pois, assentaste no coração este desígnio? Não mentiste aos homens, mas a Deus. 5Ouvindo estas palavras, Ananias caiu e expirou, sobrevindo grande temor a todos os ouvintes. 6Levantando-se os moços, cobriram-lhe o corpo e, levando-o, o sepultaram. 7Quase três horas depois, entrou a mulher de Ananias, não sabendo o que ocorrera. 8Então, Pedro, dirigindo-se a ela, perguntou-lhe: Dize-me, vendestes por tanto aquela terra? Ela respondeu: Sim, por tanto. 9Tornou-lhe Pedro: Por que entrastes em acordo para tentar o Espírito do Senhor? Eis aí à porta os pés dos que sepultaram o teu marido, e eles também te levarão. 10No mesmo instante, caiu ela aos pés de Pedro e expirou. Entrando os moços, acharam-na morta e, levando-a, sepultaram-na junto do marido. 11E sobreveio grande temor a toda a igreja e a todos quantos ouviram a notícia destes acontecimentos.

Os apóstolos fazem muitos milagres

12Muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos. E costumavam todos reunir-se, de comum acordo, no Pórtico de Salomão. 13Mas, dos restantes, ninguém ousava ajuntar-se a eles; porém o povo lhes tributava grande admiração. 14E crescia mais e mais a multidão de crentes, tanto homens como mulheres, agregados ao Senhor, 15a ponto de levarem os enfermos até pelas ruas e os colocarem sobre leitos e macas, para que, ao passar Pedro, ao menos a sua sombra se projetasse nalguns deles. 16Afluía também muita gente das cidades vizinhas a Jerusalém, levando doentes e atormentados de espíritos imundos, e todos eram curados.

A prisão dos apóstolos

17Levantando-se, porém, o sumo sacerdote e todos os que estavam com ele, isto é, a seita dos saduceus, tomaram-se de inveja, 18prenderam os apóstolos e os recolheram à prisão pública. 19Mas, de noite, um anjo do Senhor abriu as portas do cárcere e, conduzindo-os para fora, lhes disse: 20Ide e, apresentando-vos no templo, dizei ao povo todas as palavras desta Vida. 21Tendo ouvido isto, logo ao romper do dia, entraram no templo e ensinavam.

Chegando, porém, o sumo sacerdote e os que com ele estavam, convocaram o Sinédrio e todo o senado dos filhos de Israel e mandaram buscá-los no cárcere. 22Mas os guardas, indo, não os acharam no cárcere; e, tendo voltado, relataram, 23dizendo: Achamos o cárcere fechado com toda a segurança e as sentinelas nos seus postos junto às portas; mas, abrindo-as, a ninguém encontramos dentro. 24Quando o capitão do templo e os principais sacerdotes ouviram estas informações, ficaram perplexos a respeito deles e do que viria a ser isto. 25Nesse ínterim, alguém chegou e lhes comunicou: Eis que os homens que recolhestes no cárcere, estão no templo ensinando o povo. 26Nisto, indo o capitão e os guardas, os trouxeram sem violência, porque temiam ser apedrejados pelo povo. 27Trouxeram-nos, apresentando-os ao Sinédrio. E o sumo sacerdote interrogou-os, 28dizendo: Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome; contudo, enchestes Jerusalém de vossa doutrina; e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem.

5.28
Mt 27.25
29Então, Pedro e os demais apóstolos afirmaram: Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens. 30O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, a quem vós matastes, pendurando-o num madeiro. 31Deus, porém, com a sua destra, o exaltou a Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados. 32Ora, nós somos testemunhas destes fatos, e bem assim o Espírito Santo, que Deus outorgou aos que lhe obedecem.

O parecer de Gamaliel

33Eles, porém, ouvindo, se enfureceram e queriam matá-los. 34Mas, levantando-se no Sinédrio um fariseu, chamado Gamaliel, mestre da lei, acatado por todo o povo, mandou retirar os homens, por um pouco, 35e lhes disse: Israelitas, atentai bem no que ides fazer a estes homens. 36Porque, antes destes dias, se levantou Teudas, insinuando ser ele alguma coisa, ao qual se agregaram cerca de quatrocentos homens; mas ele foi morto, e todos quantos lhe prestavam obediência se dispersaram e deram em nada. 37Depois desse, levantou-se Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e levou muitos consigo; também este pereceu, e todos quantos lhe obedeciam foram dispersos. 38Agora, vos digo: dai de mão a estes homens, deixai-os; porque, se este conselho ou esta obra vem de homens, perecerá; 39mas, se é de Deus, não podereis destruí-los, para que não sejais, porventura, achados lutando contra Deus. E concordaram com ele.

40Chamando os apóstolos, açoitaram-nos e, ordenando-lhes que não falassem em o nome de Jesus, os soltaram. 41E eles se retiraram do Sinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome. 42E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo.

6

A instituição dos diáconos

61Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número dos discípulos, houve murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária. 2Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. 3Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço; 4e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra. 5O parecer agradou a toda a comunidade; e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. 6Apresentaram-nos perante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos.

7Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé.

Estêvão perante o Sinédrio

8Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. 9Levantaram-se, porém, alguns dos que eram da sinagoga chamada dos Libertos, dos cireneus, dos alexandrinos e dos da Cilícia e Ásia, e discutiam com Estêvão; 10e não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito, pelo qual ele falava. 11Então, subornaram homens que dissessem: Temos ouvido este homem proferir blasfêmias contra Moisés e contra Deus. 12Sublevaram o povo, os anciãos e os escribas e, investindo, o arrebataram, levando-o ao Sinédrio. 13Apresentaram testemunhas falsas, que depuseram: Este homem não cessa de falar contra o lugar santo e contra a lei; 14porque o temos ouvido dizer que esse Jesus, o Nazareno, destruirá este lugar e mudará os costumes que Moisés nos deu. 15Todos os que estavam assentados no Sinédrio, fitando os olhos em Estêvão, viram o seu rosto como se fosse rosto de anjo.

7

A defesa de Estêvão

71Então, lhe perguntou o sumo sacerdote: Porventura, é isto assim? 2Estêvão respondeu: Varões irmãos e pais, ouvi. O Deus da glória apareceu a Abraão, nosso pai, quando estava na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã, 3e lhe disse: Sai da tua terra e da tua parentela e vem para a terra que eu te mostrarei.

7.2-3
Gn 12.1
4Então, saiu da terra
7.4
Gn 11.31
dos caldeus e foi habitar em Harã. E dali, com a morte de seu pai, Deus o trouxe
7.4
Gn 12.4
para esta terra em que vós agora habitais. 5Nela, não lhe deu herança, nem sequer o espaço de um pé; mas prometeu dar-lhe a posse dela
7.5
Gn 12.7
13.15
15.18
17.8
e, depois dele, à sua descendência, não tendo ele filho. 6E falou Deus que a sua descendência seria peregrina em terra estrangeira, onde seriam escravizados e maltratados por quatrocentos anos; 7eu, disse Deus, julgarei a nação da qual forem escravos; e, depois disto, sairão daí e me servirão neste lugar.
7.6-7
Gn 15.13-14
8Então, lhe deu a aliança da circuncisão;
7.8
Gn 17.10-14
assim, nasceu Isaque,
7.8
Gn 21.2-4
e Abraão o circuncidou ao oitavo dia; de Isaque procedeu Jacó,
7.8
Gn 25.26
e deste, os doze patriarcas.
7.8
Gn 29.31—35.18
9Os patriarcas, invejosos
7.9
Gn 37.11
de José, venderam-no para o Egito;
7.9
Gn 37.28
mas Deus estava com ele
7.9
Gn 39.2,21
10e livrou-o de todas as suas aflições, concedendo-lhe também graça e sabedoria perante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador daquela nação
7.10
Gn 41.39-41
e de toda a casa real. 11Sobreveio, porém, fome
7.11
Gn 41.54-57
em todo o Egito; e, em Canaã, houve grande tribulação, e nossos pais não achavam mantimentos. 12Mas, tendo ouvido Jacó
7.12
Gn 42.1-2
que no Egito havia trigo, enviou, pela primeira vez, os nossos pais. 13Na segunda vez, José se fez reconhecer
7.13
Gn 45.1
por seus irmãos, e se tornou conhecida de Faraó a família de José. 14Então, José mandou chamar a Jacó,
7.14
Gn 45.9-10
seu pai, e toda a sua parentela, isto é, setenta e cinco pessoas.
7.14
Gn 46.27
15Jacó desceu ao Egito,
7.15
Gn 46.1-7
e ali morreu
7.15
Gn 49.33
ele e também nossos pais; 16e foram transportados para Siquém
7.16
Gn 50.7-13
Js 24.32
e postos no sepulcro que Abraão ali comprara
7.16
Gn 23.3-16
33.19
a dinheiro aos filhos de Hamor.

17Como, porém, se aproximasse o tempo da promessa que Deus jurou a Abraão, o povo cresceu e se multiplicou no Egito, 18até que se levantou ali outro rei, que não conhecia a José.

7.17-18
Êx 1.7-8
19Este outro rei tratou com astúcia
7.19
Êx 1.10-11
a nossa raça e torturou os nossos pais, a ponto de forçá-los a enjeitar
7.19
Êx 1.22
seus filhos, para que não sobrevivessem. 20Por esse tempo, nasceu Moisés, que era formoso aos olhos de Deus. Por três meses, foi ele mantido na casa de seu pai; 21quando foi exposto, a filha de Faraó o recolheu e criou como seu próprio filho.
7.20-21
Êx 2.2-10
22E Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em palavras e obras.

23Quando completou quarenta anos, veio-lhe a ideia de visitar seus irmãos, os filhos de Israel. 24Vendo um homem tratado injustamente, tomou-lhe a defesa e vingou o oprimido, matando o egípcio. 25Ora, Moisés cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus os queria salvar por intermédio dele; eles, porém, não compreenderam. 26No dia seguinte, aproximou-se de uns que brigavam e procurou reconduzi-los à paz, dizendo: Homens, vós sois irmãos; por que vos ofendeis uns aos outros? 27Mas o que agredia o próximo o repeliu, dizendo: Quem te constituiu autoridade e juiz sobre nós? 28Acaso, queres matar-me, como fizeste ontem ao egípcio? 29A estas palavras Moisés fugiu e tornou-se peregrino na terra de Midiã, onde lhe nasceram dois filhos.

7.29
Êx 18.3-4
7.23-29
Êx 2.11-22

30Decorridos quarenta anos, apareceu-lhe, no deserto do monte Sinai, um anjo, por entre as chamas de uma sarça que ardia. 31Moisés, porém, diante daquela visão, ficou maravilhado e, aproximando-se para observar, ouviu-se a voz do Senhor: 32Eu sou o Deus dos teus pais, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Moisés, tremendo de medo, não ousava contemplá-la. 33Disse-lhe o Senhor: Tira a sandália dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa. 34Vi, com efeito, o sofrimento do meu povo no Egito, ouvi o seu gemido e desci para libertá-lo. Vem agora, e eu te enviarei ao Egito.

7.30-34
Êx 3.1-10

35A este Moisés, a quem negaram reconhecer, dizendo: Quem te constituiu autoridade e juiz? A este enviou Deus como chefe e libertador, com a assistência do anjo que lhe apareceu na sarça. 36Este os tirou, fazendo prodígios e sinais na terra do Egito,

7.36
Êx 7.3
assim como no mar Vermelho
7.36
Êx 14.21
e no deserto, durante quarenta anos.
7.36
Nm 14.33
37Foi Moisés quem disse aos filhos de Israel: Deus vos suscitará dentre vossos irmãos um profeta semelhante a mim.
7.37
Dt 18.15-18
38É este Moisés quem esteve na congregação no deserto, com o anjo que lhe falava
7.38
Êx 19.1—20.17
Dt 5.1-33
no monte Sinai e com os nossos pais; o qual recebeu palavras vivas para no-las transmitir. 39A quem nossos pais não quiseram obedecer; antes, o repeliram e, no seu coração, voltaram para o Egito, 40dizendo a Arão: Faze-nos deuses que vão adiante de nós; porque, quanto a este Moisés, que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu. 41Naqueles dias, fizeram um bezerro e ofereceram sacrifício ao ídolo, alegrando-se com as obras das suas mãos.
7.39-41
Êx 32.1-6
42Mas Deus se afastou e os entregou ao culto da milícia celestial, como está escrito no Livro dos Profetas:

Ó casa de Israel, porventura, me oferecestes vítimas e sacrifícios no deserto, pelo espaço de quarenta anos,

43e, acaso, não levantastes o tabernáculo de Moloque e a estrela do deus Renfã, figuras que fizestes para as adorar? Por isso, vos desterrarei para além da Babilônia.

7.42-43
Am 5.25-27

44O tabernáculo do Testemunho estava entre nossos pais no deserto, como determinara aquele que disse a Moisés que o fizesse segundo o modelo que tinha visto.

7.44
Êx 25.9-40
45O qual também nossos pais, com Josué,
7.45
Js 3.14-17
tendo-o recebido, o levaram, quando tomaram posse das nações que Deus expulsou da presença deles, até aos dias de Davi. 46Este achou graça diante de Deus e lhe suplicou a faculdade de prover morada para o Deus de Jacó.
7.45-46
2Sm 7.1-16
1Cr 17.1-14
47Mas foi Salomão
7.47
1Rs 6.1-38
2Cr 3.1-17
quem lhe edificou a casa. 48Entretanto, não habita o Altíssimo em casas feitas por mãos humanas; como diz o profeta:

49O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso?

50Não foi, porventura, a minha mão que fez todas estas coisas?

7.49-50
Is 66.1-2

51Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo;

7.51
Is 63.10
assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis. 52Qual dos profetas vossos pais não perseguiram? Eles mataram os que anteriormente anunciavam a vinda do Justo, do qual vós agora vos tornastes traidores e assassinos, 53vós que recebestes a lei por ministério de anjos e não a guardastes.

A morte de Estêvão

54Ouvindo eles isto, enfureciam-se no seu coração e rilhavam os dentes contra ele. 55Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita, 56e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus. 57Eles, porém, clamando em alta voz, taparam os ouvidos e, unânimes, arremeteram contra ele. 58E, lançando-o fora da cidade, o apedrejaram. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo. 59E apedrejavam Estêvão, que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito! 60Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado! Com estas palavras, adormeceu.

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