Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
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O centurião Cornélio

101Morava em Cesareia um homem de nome Cornélio, centurião da coorte chamada Italiana, 2piedoso e temente a Deus com toda a sua casa e que fazia muitas esmolas ao povo e, de contínuo, orava a Deus. 3Esse homem observou claramente durante uma visão, cerca da hora nona do dia, um anjo de Deus que se aproximou dele e lhe disse: 4Cornélio! Este, fixando nele os olhos e possuído de temor, perguntou: Que é, Senhor? E o anjo lhe disse: As tuas orações e as tuas esmolas subiram para memória diante de Deus. 5Agora, envia mensageiros a Jope e manda chamar Simão, que tem por sobrenome Pedro. 6Ele está hospedado com Simão, curtidor, cuja residência está situada à beira-mar. 7Logo que se retirou o anjo que lhe falava, chamou dois dos seus domésticos e um soldado piedoso dos que estavam a seu serviço 8e, havendo-lhes contado tudo, enviou-os a Jope.

Pedro tem uma visão

9No dia seguinte, indo eles de caminho e estando já perto da cidade, subiu Pedro ao eirado, por volta da hora sexta, a fim de orar. 10Estando com fome, quis comer; mas, enquanto lhe preparavam a comida, sobreveio-lhe um êxtase; 11então, viu o céu aberto e descendo um objeto como se fosse um grande lençol, o qual era baixado à terra pelas quatro pontas, 12contendo toda sorte de quadrúpedes, répteis da terra e aves do céu. 13E ouviu-se uma voz que se dirigia a ele: Levanta-te, Pedro! Mata e come. 14Mas Pedro replicou: De modo nenhum, Senhor! Porque jamais comi coisa alguma comum e imunda. 15Segunda vez, a voz lhe falou: Ao que Deus purificou não consideres comum. 16Sucedeu isto por três vezes, e, logo, aquele objeto foi recolhido ao céu.

Os enviados de Cornélio chegam a Jope

17Enquanto Pedro estava perplexo sobre qual seria o significado da visão, eis que os homens enviados da parte de Cornélio, tendo perguntado pela casa de Simão, pararam junto à porta; 18e, chamando, indagavam se estava ali hospedado Simão, por sobrenome Pedro. 19Enquanto meditava Pedro acerca da visão, disse-lhe o Espírito: Estão aí dois homens que te procuram; 20levanta-te, pois, desce e vai com eles, nada duvidando; porque eu os enviei. 21E, descendo Pedro para junto dos homens, disse: Aqui me tendes; sou eu a quem buscais? A que viestes? 22Então, disseram: O centurião Cornélio, homem reto e temente a Deus e tendo bom testemunho de toda a nação judaica, foi instruído por um santo anjo para chamar-te a sua casa e ouvir as tuas palavras.

Pedro vai com eles

23Pedro, pois, convidando-os a entrar, hospedou-os. No dia seguinte, levantou-se e partiu com eles; também alguns irmãos dos que habitavam em Jope foram em sua companhia. 24No dia imediato, entrou em Cesareia. Cornélio estava esperando por eles, tendo reunido seus parentes e amigos íntimos. 25Aconteceu que, indo Pedro a entrar, lhe saiu Cornélio ao encontro e, prostrando-se-lhe aos pés, o adorou. 26Mas Pedro o levantou, dizendo: Ergue-te, que eu também sou homem. 27Falando com ele, entrou, encontrando muitos reunidos ali, 28a quem se dirigiu, dizendo: Vós bem sabeis que é proibido a um judeu ajuntar-se ou mesmo aproximar-se a alguém de outra raça; mas Deus me demonstrou que a nenhum homem considerasse comum ou imundo; 29por isso, uma vez chamado, vim sem vacilar. Pergunto, pois: por que razão me mandastes chamar? 30Respondeu-lhe Cornélio: Faz, hoje, quatro dias que, por volta desta hora, estava eu observando em minha casa a hora nona de oração, e eis que se apresentou diante de mim um varão de vestes resplandecentes 31e disse: Cornélio, a tua oração foi ouvida, e as tuas esmolas, lembradas na presença de Deus. 32Manda, pois, alguém a Jope a chamar Simão, por sobrenome Pedro; acha-se este hospedado em casa de Simão, curtidor, à beira-mar. 33Portanto, sem demora, mandei chamar-te, e fizeste bem em vir. Agora, pois, estamos todos aqui, na presença de Deus, prontos para ouvir tudo o que te foi ordenado da parte do Senhor. 34Então, falou Pedro, dizendo: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas;

10.34
Dt 10.17
35pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável. 36Esta é a palavra que Deus enviou aos filhos de Israel, anunciando-lhes o evangelho da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos. 37Vós conheceis a palavra que se divulgou por toda a Judeia, tendo começado desde a Galileia, depois do batismo que João pregou, 38como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele; 39e nós somos testemunhas de tudo o que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém; ao qual também tiraram a vida, pendurando-o no madeiro. 40A este ressuscitou Deus no terceiro dia e concedeu que fosse manifesto, 41não a todo o povo, mas às testemunhas que foram anteriormente escolhidas por Deus, isto é, a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressurgiu dentre os mortos; 42e nos mandou pregar ao povo e testificar que ele é quem foi constituído por Deus Juiz de vivos e de mortos. 43Dele todos os profetas dão testemunho de que, por meio de seu nome, todo aquele que nele crê recebe remissão de pecados.

O Espírito Santo desce sobre os gentios

44Ainda Pedro falava estas coisas quando caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. 45E os fiéis que eram da circuncisão, que vieram com Pedro, admiraram-se, porque também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo; 46pois os ouviam falando em línguas e engrandecendo a Deus. Então, perguntou Pedro: 47Porventura, pode alguém recusar a água, para que não sejam batizados estes que, assim como nós, receberam o Espírito Santo? 48E ordenou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Então, lhe pediram que permanecesse com eles por alguns dias.