Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
22

Cântico de Davi em ações de graças

Sl 18.1-50

221Falou Davi ao Senhor as palavras deste cântico, no dia em que o Senhor o livrou das mãos de todos os seus inimigos e das mãos de Saul. 2E disse:

O Senhor é a minha rocha,

a minha cidadela, o meu libertador;

3o meu Deus, o meu rochedo em que me refugio;

o meu escudo, a força da minha salvação,

o meu baluarte e o meu refúgio.

Ó Deus, da violência tu me salvas.

4Invoco o Senhor, digno de ser louvado,

e serei salvo dos meus inimigos.

5Porque ondas de morte me cercaram,

torrentes de impiedade me impuseram terror;

6cadeias infernais me cingiram,

e tramas de morte me surpreenderam.

7Na minha angústia, invoquei o Senhor,

clamei a meu Deus;

ele, do seu templo, ouviu a minha voz,

e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.

8Então, a terra se abalou e tremeu,

vacilaram também os fundamentos dos céus

e se estremeceram, porque ele se indignou.

9Das suas narinas, subiu fumaça,

e, da sua boca, fogo devorador;

dele saíram carvões, em chama.

10Baixou ele os céus, e desceu,

e teve sob os pés densa escuridão.

11Cavalgava um querubim e voou;

e foi visto sobre as asas do vento.

12Por pavilhão pôs, ao redor de si,

trevas, ajuntamento de águas, nuvens dos céus.

13Do resplendor que diante dele havia,

brasas de fogo se acenderam.

14Trovejou o Senhor desde os céus;

o Altíssimo levantou a sua voz.

15Despediu setas, e espalhou os meus inimigos,

e raios, e os desbaratou.

16Então, se viu o leito das águas,

e se descobriram os fundamentos do mundo,

pela repreensão do Senhor,

pelo iroso resfolgar das suas narinas.

17Do alto, me estendeu ele a mão e me tomou;

tirou-me das muitas águas.

18Livrou-me do forte inimigo,

dos que me aborreciam,

porque eram mais poderosos do que eu.

19Assaltaram-me no dia da minha calamidade,

mas o Senhor me serviu de amparo.

20Trouxe-me para um lugar espaçoso;

livrou-me, porque ele se agradou de mim.

21Retribuiu-me o Senhor segundo a minha justiça,

recompensou-me conforme a pureza das minhas mãos.

22Pois tenho guardado os caminhos do Senhor

e não me apartei perversamente do meu Deus.

23Porque todos os seus juízos me estão presentes,

e dos seus estatutos não me desviei.

24Também fui inculpável para com ele

e me guardei da iniquidade.

25Daí, retribuir-me o Senhor segundo a minha justiça,

segundo a minha pureza diante dos seus olhos.

26Para com o benigno, benigno te mostras;

com o íntegro, também íntegro.

27Com o puro, puro te mostras;

com o perverso, inflexível.

28Tu salvas o povo humilde,

mas, com um lance de vista, abates os altivos.

29Tu, Senhor, és a minha lâmpada;

o Senhor derrama luz nas minhas trevas.

30Pois contigo desbarato exércitos,

com o meu Deus, salto muralhas.

31O caminho de Deus é perfeito;

a palavra do Senhor é provada;

ele é escudo para todos os que nele se refugiam.

32Pois quem é Deus, senão o Senhor?

E quem é rochedo, senão o nosso Deus?

33Deus é a minha fortaleza e a minha força

e ele perfeitamente desembaraça o meu caminho.

34Ele deu a meus pés a ligeireza das corças

22.34
Hc 3.19

e me firmou nas minhas alturas.

35Ele adestrou as minhas mãos para o combate,

de sorte que os meus braços vergaram um arco de bronze.

36Também me deste o escudo do teu salvamento,

e a tua clemência me engrandeceu.

37Alongaste sob meus passos o caminho,

e os meus pés não vacilaram.

38Persegui os meus inimigos, e os derrotei,

e só voltei depois de haver dado cabo deles.

39Acabei com eles, esmagando-os a tal ponto, que não puderam levantar-se;

caíram sob meus pés.

40Pois de força me cingiste para o combate

e me submeteste os que se levantaram contra mim.

41Também puseste em fuga os meus inimigos,

e os que me odiaram, eu os exterminei.

42Olharam, mas ninguém lhes acudiu,

sim, para o Senhor, mas ele não respondeu.

43Então, os moí como o pó da terra;

esmaguei-os e, como a lama das ruas, os amassei.

44Das contendas do meu povo me livraste

e me fizeste cabeça das nações;

povo que não conheci me serviu.

45Os estrangeiros se me sujeitaram;

ouvindo a minha voz, me obedeceram.

46Sumiram-se os estrangeiros

e das suas fortificações saíram espavoridos.

47Vive o Senhor, e bendita seja a minha Rocha!

Exaltado seja o meu Deus, a Rocha da minha salvação!

48O Deus que por mim tomou vingança

e me submeteu povos;

49o Deus que me tirou dentre os meus inimigos;

sim, tu que me exaltaste acima dos meus adversários

e me livraste do homem violento.

50Celebrar-te-ei,

22.50
Rm 15.9
pois, entre as nações, ó Senhor,

e cantarei louvores ao teu nome.

51É ele quem dá grandes vitórias ao seu rei

e usa de benignidade para com o seu ungido,

com Davi e sua posteridade, para sempre.

23

As últimas palavras de Davi

231São estas as últimas palavras de Davi:

Palavra de Davi, filho de Jessé,

palavra do homem que foi exaltado,

do ungido do Deus de Jacó,

do mavioso salmista de Israel.

2O Espírito do Senhor fala por meu intermédio,

e a sua palavra está na minha língua.

3Disse o Deus de Israel,

a Rocha de Israel a mim me falou:

Aquele que domina com justiça sobre os homens,

que domina no temor de Deus,

4é como a luz da manhã, quando sai o sol,

como manhã sem nuvens,

cujo esplendor, depois da chuva, faz brotar da terra a erva.

5Não está assim com Deus a minha casa?

Pois estabeleceu comigo uma aliança eterna,

em tudo bem-definida e segura.

Não me fará ele prosperar toda a minha salvação

e toda a minha esperança?

6Porém os filhos de Belial serão todos lançados fora como os espinhos,

pois não podem ser tocados com as mãos,

7mas qualquer, para os tocar,

se armará de ferro e da haste de uma lança;

e a fogo serão totalmente queimados no seu lugar.

Os valentes de Davi

1Cr 11.10-47

8São estes os nomes dos valentes de Davi: Josebe-Bassebete, filho de Taquemoni, o principal de três; este brandiu a sua lança contra oitocentos e os feriu de uma vez. 9Depois dele, Eleazar, filho de Dodô, filho de Aoí, entre os três valentes que estavam com Davi, quando desafiaram os filisteus ali reunidos para a peleja. Quando já se haviam retirado os filhos de Israel, 10ele se levantou e feriu os filisteus, até lhe cansar a mão e ficar pegada à espada; naquele dia, o Senhor efetuou grande livramento; e o povo voltou para onde Eleazar estava somente para tomar os despojos. 11Depois dele, Sama, filho de Agé, o hararita, quando os filisteus se ajuntaram em Leí, onde havia um pedaço de terra cheio de lentilhas; e o povo fugia de diante dos filisteus. 12Pôs-se Sama no meio daquele terreno, e o defendeu, e feriu os filisteus; e o Senhor efetuou grande livramento.

13Também três dos trinta cabeças desceram e, no tempo da sega, foram ter com Davi, à caverna de Adulão; e uma tropa de filisteus se acampara no vale dos Refains. 14Davi estava na fortaleza, e a guarnição dos filisteus, em Belém. 15Suspirou Davi e disse: Quem me dera beber água do poço que está junto à porta de Belém! 16Então, aqueles três valentes romperam pelo acampamento dos filisteus, e tiraram água do poço junto à porta de Belém, e tomaram-na, e a levaram a Davi; ele não a quis beber, porém a derramou como libação ao Senhor. 17E disse: Longe de mim, ó Senhor, fazer tal coisa; beberia eu o sangue dos homens que lá foram com perigo de sua vida? De maneira que não a quis beber. São estas as coisas que fizeram os três valentes.

18Também Abisai, irmão de Joabe, filho de Zeruia, era cabeça de trinta; e alçou a sua lança contra trezentos e os feriu. E tinha nome entre os primeiros três. 19Era ele mais nobre do que os trinta e era o primeiro deles; contudo, aos primeiros três não chegou.

20Também Benaia, filho de Joiada, era homem valente de Cabzeel e grande em obras; feriu ele dois heróis de Moabe. Desceu numa cova e nela matou um leão no tempo da neve. 21Matou também um egípcio, homem de grande estatura; o egípcio trazia uma lança, mas Benaia o atacou com um cajado, arrancou-lhe da mão a lança e com ela o matou. 22Estas coisas fez Benaia, filho de Joiada, pelo que teve nome entre os primeiros três valentes. 23Era mais nobre do que os trinta, porém aos três primeiros não chegou, e Davi o pôs sobre a sua guarda.

24Entre os trinta figuravam: Asael, irmão de Joabe; Elanã, filho de Dodô, de Belém; 25Sama, harodita; Elica, harodita; 26Heles, paltita; Ira, filho de Iques, tecoíta; 27Abiezer, anatotita; Mebunai, husatita; 28Zalmom, aoíta; Maarai, netofatita; 29Helebe, filho de Baaná, netofatita; Itai, filho de Ribai, de Gibeá, dos filhos de Benjamim; 30Benaia, piratonita; Hidai, do ribeiro de Gaás; 31Abi-Albom, arbatita; Azmavete, barumita; 32Eliaba, saalbonita; os filhos de Jasém; Jônatas; 33Sama, hararita; Aião, filho de Sarar, ararita; 34Elifelete, filho de Aasbai, filho de um maacatita; Eliã, filho de Aitofel, gilonita; 35Hezrai, carmelita; Paarai, arbita; 36Igal, filho de Natã, de Zobá; Bani, gadita; 37Zeleque, amonita; Naarai, beerotita, o que trazia as armas de Joabe, filho de Zeruia; 38Ira, itrita; Garebe, itrita; 39Urias, heteu; ao todo, trinta e sete.

24

O levantamento do censo

1Cr 21.1-6

241Tornou a ira do Senhor a acender-se contra os israelitas, e ele incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, levanta o censo de Israel e de Judá. 2Disse, pois, o rei a Joabe, comandante do seu exército: Percorre todas as tribos de Israel, de Dã até Berseba, e levanta o censo do povo, para que eu saiba o seu número. 3Então, disse Joabe ao rei: Ora, multiplique o Senhor, teu Deus, a este povo cem vezes mais, e o rei, meu senhor, o veja; mas por que tem prazer nisto o rei, meu senhor? 4Porém a palavra do rei prevaleceu contra Joabe e contra os chefes do exército; saiu, pois, Joabe com os chefes do exército da presença do rei, a levantar o censo do povo de Israel. 5Tendo eles passado o Jordão, acamparam-se em Aroer, à direita da cidade que está no meio do vale de Gade, e foram a Jazer. 6Daqui foram a Gileade e chegaram até Cades, na terra dos heteus; seguiram a Dã-Jaã e viraram-se para Sidom; 7chegaram à fortaleza de Tiro e a todas as cidades dos heveus e dos cananeus, donde saíram para o Neguebe de Judá, a Berseba. 8Assim, percorreram toda a terra e, ao cabo de nove meses e vinte dias, chegaram a Jerusalém. 9Deu Joabe ao rei o recenseamento do povo: havia em Israel oitocentos mil homens de guerra, que puxavam da espada; e em Judá eram quinhentos mil.

Davi escolhe o castigo

1Cr 21.7-17

10Sentiu Davi bater-lhe o coração, depois de haver recenseado o povo, e disse ao Senhor: Muito pequei no que fiz; porém, agora, ó Senhor, peço-te que perdoes a iniquidade do teu servo; porque procedi mui loucamente. 11Ao levantar-se Davi pela manhã, veio a palavra do Senhor ao profeta Gade, vidente de Davi, dizendo: 12Vai e dize a Davi: Assim diz o Senhor: Três coisas te ofereço; escolhe uma delas, para que ta faça. 13Veio, pois, Gade a Davi e lho fez saber, dizendo: Queres que sete anos de fome te venham à tua terra? Ou que, por três meses, fujas diante de teus inimigos, e eles te persigam? Ou que, por três dias, haja peste na tua terra? Delibera, agora, e vê que resposta hei de dar ao que me enviou. 14Então, disse Davi a Gade: Estou em grande angústia; porém caiamos nas mãos do Senhor, porque muitas são as suas misericórdias; mas, nas mãos dos homens, não caia eu.

15Então, enviou o Senhor a peste a Israel, desde a manhã até ao tempo que determinou; e, de Dã até Berseba, morreram setenta mil homens do povo. 16Estendendo, pois, o Anjo do Senhor a mão sobre Jerusalém, para a destruir, arrependeu-se o Senhor do mal e disse ao Anjo que fazia a destruição entre o povo: Basta, retira a mão. O Anjo estava junto à eira de Araúna, o jebuseu. 17Vendo Davi ao Anjo que feria o povo, falou ao Senhor e disse: Eu é que pequei, eu é que procedi perversamente; porém estas ovelhas que fizeram? Seja, pois, a tua mão contra mim e contra a casa de meu pai.

Davi erige um altar na eira de Araúna

1Cr 21.18-27

18Naquele mesmo dia, veio Gade ter com Davi e lhe disse: Sobe, levanta ao Senhor um altar na eira de Araúna, o jebuseu. 19Davi subiu segundo a palavra de Gade, como o Senhor lhe havia ordenado. 20Olhou Araúna do alto e, vendo que vinham para ele o rei e os seus homens, saiu e se inclinou diante do rei, com o rosto em terra. 21E perguntou: Por que vem o rei, meu senhor, ao seu servo? Respondeu Davi: Para comprar de ti esta eira, a fim de edificar nela um altar ao Senhor, para que cesse a praga de sobre o povo. 22Então, disse Araúna a Davi: Tome e ofereça o rei, meu senhor, o que bem lhe parecer; eis aí os bois para o holocausto, e os trilhos, e a apeiragem dos bois para a lenha. 23Tudo isto, ó rei, Araúna oferece ao rei; e ajuntou: Que o Senhor, teu Deus, te seja propício. 24Porém o rei disse a Araúna: Não, mas eu to comprarei pelo devido preço, porque não oferecerei ao Senhor, meu Deus, holocaustos que não me custem nada. Assim, Davi comprou a eira e pelos bois pagou cinquenta siclos de prata. 25Edificou ali Davi ao Senhor um altar e apresentou holocaustos e ofertas pacíficas. Assim, o Senhor se tornou favorável para com a terra, e a praga cessou de sobre Israel.

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