Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
3

A excelência do ministério da nova aliança

31Começamos, porventura, outra vez a recomendar-nos a nós mesmos? Ou temos necessidade, como alguns, de cartas de recomendação para vós outros ou de vós? 2Vós sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens, 3estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra,

3.3
Êx 24.12
mas em tábuas de carne, isto é, nos corações. 4E é por intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus; 5não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus, 6o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança,
3.6
Jr 31.31-34
não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.

7E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés,

3.7
Êx 34.29
por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente, 8como não será de maior glória o ministério do Espírito! 9Porque, se o ministério da condenação foi glória, em muito maior proporção será glorioso o ministério da justiça. 10Porquanto, na verdade, o que, outrora, foi glorificado, neste respeito, já não resplandece, diante da atual sobre-excelente glória. 11Porque, se o que se desvanecia teve sua glória, muito mais glória tem o que é permanente.

Onde há o Espírito do Senhor, aí há liberdade

12Tendo, pois, tal esperança, servimo-nos de muita ousadia no falar. 13E não somos como Moisés, que punha véu sobre a face,

3.13
Êx 34.33-35
para que os filhos de Israel não atentassem na terminação do que se desvanecia. 14Mas os sentidos deles se embotaram. Pois até ao dia de hoje, quando fazem a leitura da antiga aliança, o mesmo véu permanece, não lhes sendo revelado que, em Cristo, é removido. 15Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. 16Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado. 17Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. 18E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.

4

Paulo cumpre o seu ministério com fidelidade

41Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos; 2pelo contrário, rejeitamos as coisas que, por vergonhosas, se ocultam, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; antes, nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade. 3Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, 4nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. 5Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus. 6Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz,

4.6
Gn 1.3
ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.

O poder de Paulo vem só de Deus

7Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. 8Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; 9perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos; 10levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. 11Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal. 12De modo que, em nós, opera a morte, mas, em vós, a vida. 13Tendo, porém, o mesmo espírito da fé, como está escrito:

Eu cri; por isso, é que falei.

4.13
Sl 116.10

Também nós cremos; por isso, também falamos, 14sabendo que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos apresentará convosco. 15Porque todas as coisas existem por amor de vós, para que a graça, multiplicando-se, torne abundantes as ações de graças por meio de muitos, para glória de Deus.

O desígnio e efeito das aflições

16Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. 17Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, 18não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.

5

Ausentes do corpo e presentes com o Senhor

51Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus. 2E, por isso, neste tabernáculo, gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial; 3se, todavia, formos encontrados vestidos e não nus. 4Pois, na verdade, os que estamos neste tabernáculo gememos angustiados, não por querermos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida. 5Ora, foi o próprio Deus quem nos preparou para isto, outorgando-nos o penhor do Espírito.

6Temos, portanto, sempre bom ânimo, sabendo que, enquanto no corpo, estamos ausentes do Senhor; 7visto que andamos por fé e não pelo que vemos. 8Entretanto, estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor. 9É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausentes, para lhe sermos agradáveis. 10Porque importa que todos nós compareçamos

5.10
Rm 14.10
perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.

O zelo apostólico de Paulo

11E assim, conhecendo o temor do Senhor, persuadimos os homens e somos cabalmente conhecidos por Deus; e espero que também a vossa consciência nos reconheça. 12Não nos recomendamos novamente a vós outros; pelo contrário, damo-vos ensejo de vos gloriardes por nossa causa, para que tenhais o que responder aos que se gloriam na aparência e não no coração. 13Porque, se enlouquecemos, é para Deus; e, se conservamos o juízo, é para vós outros. 14Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. 15E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. 16Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo. 17E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura;5.17 criatura; ou criação as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.

O ministério da reconciliação

18Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, 19a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. 20De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. 21Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.