Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
10

Paulo defende a sua autoridade apostólica

101E eu mesmo, Paulo, vos rogo, pela mansidão e benignidade de Cristo, eu que, na verdade, quando presente entre vós, sou humilde; mas, quando ausente, ousado para convosco, 2sim, eu vos rogo que não tenha de ser ousado, quando presente, servindo-me daquela firmeza com que penso devo tratar alguns que nos julgam como se andássemos em disposições de mundano proceder. 3Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. 4Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas 5e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, 6e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão.

7Observai o que está evidente. Se alguém confia em si que é de Cristo, pense outra vez consigo mesmo que, assim como ele é de Cristo, também nós o somos. 8Porque, se eu me gloriar um pouco mais a respeito da nossa autoridade, a qual o Senhor nos conferiu para edificação e não para destruição vossa, não me envergonharei, 9para que não pareça ser meu intuito intimidar-vos por meio de cartas. 10As cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes; mas a presença pessoal dele é fraca, e a palavra, desprezível. 11Considere o tal isto: que o que somos na palavra por cartas, estando ausentes, tal seremos em atos, quando presentes. 12Porque não ousamos classificar-nos ou comparar-nos com alguns que se louvam a si mesmos; mas eles, medindo-se consigo mesmos e comparando-se consigo mesmos, revelam insensatez.

A esfera da ação missionária de Paulo

13Nós, porém, não nos gloriaremos sem medida, mas respeitamos o limite da esfera de ação que Deus nos demarcou e que se estende até vós. 14Porque não ultrapassamos os nossos limites como se não devêssemos chegar até vós, posto que já chegamos até vós com o evangelho de Cristo; 15não nos gloriando fora de medida nos trabalhos alheios e tendo esperança de que, crescendo a vossa fé, seremos sobremaneira engrandecidos entre vós, dentro da nossa esfera de ação, 16a fim de anunciar o evangelho para além das vossas fronteiras, sem com isto nos gloriarmos de coisas já realizadas em campo alheio. 17Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor.

10.17
Jr 9.24
18Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, e sim aquele a quem o Senhor louva.

11

Paulo continua a sua defesa

111Quisera eu me suportásseis um pouco mais na minha loucura. Suportai-me, pois. 2Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo. 3Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva

11.3
Gn 3.4-13
com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo. 4Se, na verdade, vindo alguém, prega outro Jesus que não temos pregado, ou se aceitais espírito diferente que não tendes recebido, ou evangelho diferente que não tendes abraçado, a esse, de boa mente, o tolerais. 5Porque suponho em nada ter sido inferior a esses tais apóstolos. 6E, embora seja falto no falar, não o sou no conhecimento; mas, em tudo e por todos os modos, vos temos feito conhecer isto.

O desprendimento do apóstolo

7Cometi eu, porventura, algum pecado pelo fato de viver humildemente, para que fôsseis vós exaltados, visto que gratuitamente vos anunciei o evangelho de Deus? 8Despojei outras igrejas, recebendo salário, para vos poder servir, 9e, estando entre vós, ao passar privações, não me fiz pesado a ninguém; pois os irmãos, quando vieram da Macedônia, supriram o que me faltava;

11.9
Fp 4.15-18
e, em tudo, me guardei e me guardarei de vos ser pesado. 10A verdade de Cristo está em mim; por isso, não me será tirada esta glória nas regiões da Acaia. 11Por que razão? É porque não vos amo? Deus o sabe. 12Mas o que faço e farei é para cortar ocasião àqueles que a buscam com o intuito de serem considerados iguais a nós, naquilo em que se gloriam. 13Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo. 14E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. 15Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras.

Os sofrimentos de Paulo por amor do evangelho

16Outra vez digo: ninguém me considere insensato; todavia, se o pensais, recebei-me como insensato, para que também me glorie um pouco. 17O que falo, não o falo segundo o Senhor, e sim como por loucura, nesta confiança de gloriar-me. 18E, posto que muitos se gloriam segundo a carne, também eu me gloriarei. 19Porque, sendo vós sensatos, de boa mente tolerais os insensatos. 20Tolerais quem vos escravize, quem vos devore, quem vos detenha, quem se exalte, quem vos esbofeteie no rosto. 21Ingloriamente o confesso, como se fôramos fracos. Mas, naquilo em que qualquer tem ousadia (com insensatez o afirmo), também eu a tenho. 22São hebreus? Também eu. São israelitas? Também eu. São da descendência de Abraão? Também eu. 23São ministros de Cristo? (Falo como fora de mim.) Eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; muito mais em prisões;

11.23
At 16.23
em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes. 24Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um;
11.24
Dt 25.3
25fui três vezes fustigado com varas;
11.25
At 16.22
uma vez, apedrejado;
11.25
At 14.19
em naufrágio, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar; 26em jornadas, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios,
11.26
At 9.23
em perigos entre gentios,
11.26
At 14.5
em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; 27em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez. 28Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas. 29Quem enfraquece, que também eu não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu não me inflame?

30Se tenho de gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza. 31O Deus e Pai do Senhor Jesus, que é eternamente bendito, sabe que não minto. 32Em Damasco, o governador preposto do rei Aretas montou guarda na cidade dos damascenos, para me prender; 33mas, num grande cesto, me desceram por uma janela da muralha abaixo, e assim me livrei das suas mãos.

11.32-33
At 9.23-25

12

As visões e revelações do Senhor

121Se é necessário que me glorie, ainda que não convém, passarei às visões e revelações do Senhor. 2Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado até ao terceiro céu (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) 3e sei que o tal homem (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) 4foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir. 5De tal coisa me gloriarei; não, porém, de mim mesmo, salvo nas minhas fraquezas. 6Pois, se eu vier a gloriar-me, não serei néscio, porque direi a verdade; mas abstenho-me para que ninguém se preocupe comigo mais do que em mim vê ou de mim ouve.

O espinho na carne

7E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. 8Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. 9Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. 10Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.

As credenciais de um apóstolo

11Tenho-me tornado insensato; a isto me constrangestes. Eu devia ter sido louvado por vós; porquanto em nada fui inferior a esses tais apóstolos, ainda que nada sou. 12Pois as credenciais do apostolado foram apresentadas no meio de vós, com toda a persistência, por sinais, prodígios e poderes miraculosos. 13Porque, em que tendes vós sido inferiores às demais igrejas, senão neste fato de não vos ter sido pesado? Perdoai-me esta injustiça.

Paulo deseja visitá-los

14Eis que, pela terceira vez, estou pronto a ir ter convosco e não vos serei pesado; pois não vou atrás dos vossos bens, mas procuro a vós outros. Não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais, para os filhos. 15Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma. Se mais vos amo, serei menos amado? 16Pois seja assim, eu não vos fui pesado; porém, sendo astuto, vos prendi com dolo. 17Porventura, vos explorei por intermédio de algum daqueles que vos enviei? 18Roguei a Tito e enviei com ele outro irmão; porventura, Tito vos explorou? Acaso, não temos andado no mesmo espírito? Não seguimos nas mesmas pisadas?

Paulo apela para o juiz de todos

19Há muito, pensais que nos estamos desculpando convosco. Falamos em Cristo perante Deus, e tudo, ó amados, para vossa edificação. 20Temo, pois, que, indo ter convosco, não vos encontre na forma em que vos quero, e que também vós me acheis diferente do que esperáveis, e que haja entre vós contendas, invejas, iras, porfias, detrações, intrigas, orgulho e tumultos. 21Receio que, indo outra vez, o meu Deus me humilhe no meio de vós, e eu venha a chorar por muitos que, outrora, pecaram e não se arrependeram da impureza, prostituição e lascívia que cometeram.