Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
9

Instruções de Paulo em referência à grande coleta

91Ora, quanto à assistência a favor dos santos, é desnecessário escrever-vos, 2porque bem reconheço a vossa presteza, da qual me glorio junto aos macedônios, dizendo que a Acaia está preparada desde o ano passado; e o vosso zelo tem estimulado a muitíssimos. 3Contudo, enviei os irmãos, para que o nosso louvor a vosso respeito, neste particular, não se desminta, a fim de que, como venho dizendo, estivésseis preparados, 4para que, caso alguns macedônios forem comigo e vos encontrem desapercebidos, não fiquemos nós envergonhados (para não dizer, vós) quanto a esta confiança. 5Portanto, julguei conveniente recomendar aos irmãos que me precedessem entre vós e preparassem de antemão a vossa dádiva já anunciada, para que esteja pronta como expressão de generosidade e não de avareza.

A sementeira e a colheita

6E isto afirmo: aquele que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará. 7Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria. 8Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra, 9como está escrito:

Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre.

9.9
Sl 112.9

10Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão

9.10
Is 55.10
para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça, 11enriquecendo-vos, em tudo, para toda generosidade, a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus. 12Porque o serviço desta assistência não só supre a necessidade dos santos, mas também redunda em muitas graças a Deus, 13visto como, na prova desta ministração, glorificam a Deus pela obediência da vossa confissão quanto ao evangelho de Cristo e pela liberalidade com que contribuís para eles e para todos, 14enquanto oram eles a vosso favor, com grande afeto, em virtude da superabundante graça de Deus que há em vós. 15Graças a Deus pelo seu dom inefável!

10

Paulo defende a sua autoridade apostólica

101E eu mesmo, Paulo, vos rogo, pela mansidão e benignidade de Cristo, eu que, na verdade, quando presente entre vós, sou humilde; mas, quando ausente, ousado para convosco, 2sim, eu vos rogo que não tenha de ser ousado, quando presente, servindo-me daquela firmeza com que penso devo tratar alguns que nos julgam como se andássemos em disposições de mundano proceder. 3Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. 4Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas 5e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, 6e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão.

7Observai o que está evidente. Se alguém confia em si que é de Cristo, pense outra vez consigo mesmo que, assim como ele é de Cristo, também nós o somos. 8Porque, se eu me gloriar um pouco mais a respeito da nossa autoridade, a qual o Senhor nos conferiu para edificação e não para destruição vossa, não me envergonharei, 9para que não pareça ser meu intuito intimidar-vos por meio de cartas. 10As cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes; mas a presença pessoal dele é fraca, e a palavra, desprezível. 11Considere o tal isto: que o que somos na palavra por cartas, estando ausentes, tal seremos em atos, quando presentes. 12Porque não ousamos classificar-nos ou comparar-nos com alguns que se louvam a si mesmos; mas eles, medindo-se consigo mesmos e comparando-se consigo mesmos, revelam insensatez.

A esfera da ação missionária de Paulo

13Nós, porém, não nos gloriaremos sem medida, mas respeitamos o limite da esfera de ação que Deus nos demarcou e que se estende até vós. 14Porque não ultrapassamos os nossos limites como se não devêssemos chegar até vós, posto que já chegamos até vós com o evangelho de Cristo; 15não nos gloriando fora de medida nos trabalhos alheios e tendo esperança de que, crescendo a vossa fé, seremos sobremaneira engrandecidos entre vós, dentro da nossa esfera de ação, 16a fim de anunciar o evangelho para além das vossas fronteiras, sem com isto nos gloriarmos de coisas já realizadas em campo alheio. 17Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor.

10.17
Jr 9.24
18Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, e sim aquele a quem o Senhor louva.

11

Paulo continua a sua defesa

111Quisera eu me suportásseis um pouco mais na minha loucura. Suportai-me, pois. 2Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo. 3Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva

11.3
Gn 3.4-13
com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo. 4Se, na verdade, vindo alguém, prega outro Jesus que não temos pregado, ou se aceitais espírito diferente que não tendes recebido, ou evangelho diferente que não tendes abraçado, a esse, de boa mente, o tolerais. 5Porque suponho em nada ter sido inferior a esses tais apóstolos. 6E, embora seja falto no falar, não o sou no conhecimento; mas, em tudo e por todos os modos, vos temos feito conhecer isto.

O desprendimento do apóstolo

7Cometi eu, porventura, algum pecado pelo fato de viver humildemente, para que fôsseis vós exaltados, visto que gratuitamente vos anunciei o evangelho de Deus? 8Despojei outras igrejas, recebendo salário, para vos poder servir, 9e, estando entre vós, ao passar privações, não me fiz pesado a ninguém; pois os irmãos, quando vieram da Macedônia, supriram o que me faltava;

11.9
Fp 4.15-18
e, em tudo, me guardei e me guardarei de vos ser pesado. 10A verdade de Cristo está em mim; por isso, não me será tirada esta glória nas regiões da Acaia. 11Por que razão? É porque não vos amo? Deus o sabe. 12Mas o que faço e farei é para cortar ocasião àqueles que a buscam com o intuito de serem considerados iguais a nós, naquilo em que se gloriam. 13Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo. 14E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. 15Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras.

Os sofrimentos de Paulo por amor do evangelho

16Outra vez digo: ninguém me considere insensato; todavia, se o pensais, recebei-me como insensato, para que também me glorie um pouco. 17O que falo, não o falo segundo o Senhor, e sim como por loucura, nesta confiança de gloriar-me. 18E, posto que muitos se gloriam segundo a carne, também eu me gloriarei. 19Porque, sendo vós sensatos, de boa mente tolerais os insensatos. 20Tolerais quem vos escravize, quem vos devore, quem vos detenha, quem se exalte, quem vos esbofeteie no rosto. 21Ingloriamente o confesso, como se fôramos fracos. Mas, naquilo em que qualquer tem ousadia (com insensatez o afirmo), também eu a tenho. 22São hebreus? Também eu. São israelitas? Também eu. São da descendência de Abraão? Também eu. 23São ministros de Cristo? (Falo como fora de mim.) Eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; muito mais em prisões;

11.23
At 16.23
em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes. 24Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um;
11.24
Dt 25.3
25fui três vezes fustigado com varas;
11.25
At 16.22
uma vez, apedrejado;
11.25
At 14.19
em naufrágio, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar; 26em jornadas, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios,
11.26
At 9.23
em perigos entre gentios,
11.26
At 14.5
em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; 27em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez. 28Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas. 29Quem enfraquece, que também eu não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu não me inflame?

30Se tenho de gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza. 31O Deus e Pai do Senhor Jesus, que é eternamente bendito, sabe que não minto. 32Em Damasco, o governador preposto do rei Aretas montou guarda na cidade dos damascenos, para me prender; 33mas, num grande cesto, me desceram por uma janela da muralha abaixo, e assim me livrei das suas mãos.

11.32-33
At 9.23-25

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