Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
3

Deus fala com Samuel numa visão

31O jovem Samuel servia ao Senhor, perante Eli. Naqueles dias, a palavra do Senhor era mui rara; as visões não eram frequentes. 2Certo dia, estando deitado no lugar costumado o sacerdote Eli, cujos olhos já começavam a escurecer-se, a ponto de não poder ver, 3e tendo-se deitado também Samuel, no templo do Senhor, em que estava a arca, antes que a lâmpada de Deus se apagasse, 4o Senhor chamou o menino: Samuel, Samuel! Este respondeu: Eis-me aqui! 5Correu a Eli e disse: Eis-me aqui, pois tu me chamaste. Mas ele disse: Não te chamei; torna a deitar-te. Ele se foi e se deitou. 6Tornou o Senhor a chamar: Samuel! Este se levantou, foi a Eli e disse: Eis-me aqui, pois tu me chamaste. Mas ele disse: Não te chamei, meu filho, torna a deitar-te. 7Porém Samuel ainda não conhecia o Senhor, e ainda não lhe tinha sido manifestada a palavra do Senhor. 8O Senhor, pois, tornou a chamar a Samuel, terceira vez, e ele se levantou, e foi a Eli, e disse: Eis-me aqui, pois tu me chamaste. Então, entendeu Eli que era o Senhor quem chamava o jovem. 9Por isso, Eli disse a Samuel: Vai deitar-te; se alguém te chamar, dirás: Fala, Senhor, porque o teu servo ouve. E foi Samuel para o seu lugar e se deitou.

10Então, veio o Senhor, e ali esteve, e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel! Este respondeu: Fala, porque o teu servo ouve. 11Disse o Senhor a Samuel: Eis que vou fazer uma coisa em Israel, a qual todo o que a ouvir lhe tinirão ambos os ouvidos. 12Naquele dia, suscitarei contra Eli tudo quanto tenho falado com respeito à sua casa; começarei e o cumprirei. 13Porque já lhe disse que julgarei a sua casa para sempre, pela iniquidade que ele bem conhecia, porque seus filhos se fizeram execráveis, e ele os não repreendeu. 14Portanto, jurei à casa de Eli que nunca lhe será expiada a iniquidade, nem com sacrifício, nem com oferta de manjares.

Samuel conta a visão a Eli

15Ficou Samuel deitado até pela manhã e, então, abriu as portas da Casa do Senhor; porém temia relatar a visão a Eli. 16Chamou Eli a Samuel e disse: Samuel, meu filho! Ele respondeu: Eis-me aqui! 17Então, ele disse: Que é que o Senhor te falou? Peço-te que mo não encubras; assim Deus te faça o que bem lhe aprouver se me encobrires alguma coisa de tudo o que te falou. 18Então, Samuel lhe referiu tudo e nada lhe encobriu. E disse Eli: É o Senhor; faça o que bem lhe aprouver.

19Crescia Samuel, e o Senhor era com ele, e nenhuma de todas as suas palavras deixou cair em terra. 20Todo o Israel, desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel estava confirmado como profeta do Senhor. 21Continuou o Senhor a aparecer em Siló, enquanto por sua palavra o Senhor se manifestava ali a Samuel.

4

Os filisteus vencem os israelitas

41Veio a palavra de Samuel a todo o Israel. Israel saiu à peleja contra os filisteus e se acampou junto a Ebenézer; e os filisteus se acamparam junto a Afeca. 2Dispuseram-se os filisteus em ordem de batalha, para sair de encontro a Israel; e, travada a peleja, Israel foi derrotado pelos filisteus; e estes mataram, no campo aberto, cerca de quatro mil homens. 3Voltando o povo ao arraial, disseram os anciãos de Israel: Por que nos feriu o Senhor, hoje, diante dos filisteus? Tragamos de Siló a arca da Aliança do Senhor, para que venha no meio de nós e nos livre das mãos de nossos inimigos. 4Mandou, pois, o povo trazer de Siló a arca do Senhor dos Exércitos, entronizado entre os querubins;

4.4
Êx 25.22
os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias, estavam ali com a arca da Aliança de Deus.

A arca é tomada. Hofni e Fineias são mortos

5Sucedeu que, vindo a arca da Aliança do Senhor ao arraial, rompeu todo o Israel em grandes brados, e ressoou a terra. 6Ouvindo os filisteus a voz do júbilo, disseram: Que voz de grande júbilo é esta no arraial dos hebreus? Então, souberam que a arca do Senhor era vinda ao arraial. 7E se atemorizaram os filisteus e disseram: Os deuses vieram ao arraial. E diziam mais: Ai de nós! Que tal jamais sucedeu antes. 8Ai de nós! Quem nos livrará das mãos destes grandiosos deuses? São os deuses que feriram aos egípcios com toda sorte de pragas no deserto. 9Sede fortes, ó filisteus! Portai-vos varonilmente, para que não venhais a ser escravos dos hebreus, como eles serviram a vós outros! Portai-vos varonilmente e pelejai! 10Então, pelejaram os filisteus; Israel foi derrotado, e cada um fugiu para a sua tenda; foi grande a derrota, pois foram mortos de Israel trinta mil homens de pé. 11Foi tomada a arca de Deus, e mortos os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias.

A morte de Eli

12Então, correu um homem de Benjamim, saído das fileiras, e, no mesmo dia, chegou a Siló; trazia rasgadas as vestes e terra sobre a cabeça. 13Quando chegou, Eli estava assentado numa cadeira, ao pé do caminho, olhando como quem espera, porque o seu coração estava tremendo pela arca de Deus. Depois de entrar o homem na cidade e dar as novas, toda a cidade prorrompeu em gritos. 14Eli, ouvindo os gritos, perguntou: Que alvoroço é esse? Então, se apressou o homem e, vindo, deu as notícias a Eli. 15Era Eli da idade de noventa e oito anos; os seus olhos tinham cegado, e já não podia ver. 16Disse o homem a Eli: Eu sou o que saí das fileiras e delas fugi hoje mesmo. Perguntou-lhe Eli: Que sucedeu, meu filho? 17Então, respondeu o que trazia as novas e disse: Israel fugiu de diante dos filisteus, houve grande morticínio entre o povo, e também os teus dois filhos, Hofni e Fineias, foram mortos, e a arca de Deus foi tomada. 18Ao fazer ele menção da arca de Deus, caiu Eli da cadeira para trás, junto ao portão, e quebrou-se-lhe o pescoço, e morreu, porque era já homem velho e pesado; e havia ele julgado a Israel quarenta anos.

19Estando sua nora, a mulher de Fineias, grávida, e próximo o parto, ouvindo estas novas, de que a arca de Deus fora tomada e de que seu sogro e seu marido morreram, encurvou-se e deu à luz; porquanto as dores lhe sobrevieram. 20Ao expirar, disseram as mulheres que a assistiam: Não temas, pois tiveste um filho. Ela, porém, não respondeu, nem fez caso disso. 21Mas chamou ao menino Icabô, dizendo: Foi-se a glória de Israel. Isto ela disse, porque a arca de Deus fora tomada e por causa de seu sogro e de seu marido. 22E falou mais: Foi-se a glória de Israel, pois foi tomada a arca de Deus.

5

A arca na casa de Dagom

51Os filisteus tomaram a arca de Deus e a levaram de Ebenézer a Asdode. 2Tomaram os filisteus a arca de Deus e a meteram na casa de Dagom, junto a este. 3Levantando-se, porém, de madrugada os de Asdode, no dia seguinte, eis que estava caído Dagom com o rosto em terra, diante da arca do Senhor; tomaram-no e tornaram a pô-lo no seu lugar. 4Levantando-se de madrugada no dia seguinte, pela manhã, eis que Dagom jazia caído de bruços diante da arca do Senhor; a cabeça de Dagom e as duas mãos estavam cortadas sobre o limiar; dele ficara apenas o tronco. 5Por isso, os sacerdotes de Dagom e todos os que entram no seu templo não lhe pisam o limiar em Asdode, até ao dia de hoje.

6Porém a mão do Senhor castigou duramente os de Asdode, e os assolou, e os feriu de tumores, tanto em Asdode como no seu território. 7Vendo os homens de Asdode que assim era, disseram: Não fique conosco a arca do Deus de Israel; pois a sua mão é dura sobre nós e sobre Dagom, nosso deus. 8Pelo que enviaram mensageiros, e congregaram a si todos os príncipes dos filisteus, e disseram: Que faremos da arca do Deus de Israel? Responderam: Seja levada a arca do Deus de Israel até Gate e, depois, de cidade em cidade. E a levaram até Gate. 9Depois de a terem levado, a mão do Senhor foi contra aquela cidade, com mui grande terror; pois feriu os homens daquela cidade, desde o pequeno até ao grande; e lhes nasceram tumores. 10Então, enviaram a arca de Deus a Ecrom. Sucedeu, porém, que, em lá chegando, os ecronitas exclamaram, dizendo: Transportaram até nós a arca do Deus de Israel, para nos matarem, a nós e ao nosso povo. 11Então, enviaram mensageiros, e congregaram a todos os príncipes dos filisteus, e disseram: Devolvei a arca do Deus de Israel, e torne para o seu lugar, para que não mate nem a nós nem ao nosso povo. Porque havia terror de morte em toda a cidade, e a mão de Deus castigara duramente ali. 12Os homens que não morriam eram atingidos com os tumores; e o clamor da cidade subiu até ao céu.