Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
2

Os crentes são a casa espiritual edificada em Cristo

21Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências, 2desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação, 3se é que já tendes a experiência de que o Senhor é bondoso.

2.3
Sl 34.8
4Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, 5também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. 6Pois isso está na Escritura:

Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo algum, envergonhado.

2.6
Is 28.16

7Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade; mas, para os descrentes,

A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular

2.7
Sl 118.22

8e:

Pedra de tropeço e rocha de ofensa.

2.8
Is 8.14-15

São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos.

9Vós, porém, sois raça eleita,

2.9
Êx 19.5-6
sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus,
2.9
Dt 7.6
14.2
a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; 10vós, sim, que, antes, não éreis povo,
2.10
Os 2.23
mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.

A vida exemplar cristã: deveres para com os não crentes e para com as autoridades

11Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma, 12mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação.

13Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, 14quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem. 15Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; 16como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus. 17Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei.

A vida exemplar cristã: deveres dos que prestam serviços a outrem

18Servos, sede submissos, com todo o temor ao vosso senhor, não somente se for bom e cordato, mas também ao perverso; 19porque isto é grato, que alguém suporte tristezas, sofrendo injustamente, por motivo de sua consciência para com Deus. 20Pois que glória há, se, pecando e sendo esbofeteados por isso, o suportais com paciência? Se, entretanto, quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e o suportais com paciência, isto é grato a Deus. 21Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, 22o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca;

2.22
Is 53.9
23pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente, 24carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados. 25Porque estáveis desgarrados como ovelhas; agora, porém, vos convertestes ao Pastor e Bispo da vossa alma.
2.24-25
Is 53.5-6

3

A vida exemplar cristã: deveres dos casados

31Mulheres,

3.1
Ef 5.22
Cl 3.18
sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa, 2ao observar o vosso honesto comportamento cheio de temor. 3Não seja o adorno
3.3
1Tm 2.9
da esposa o que é exterior, como frisado de cabelos, adereços de ouro, aparato de vestuário; 4seja, porém, o homem interior do coração, unido ao incorruptível trajo de um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus. 5Pois foi assim também que a si mesmas se ataviaram, outrora, as santas mulheres que esperavam em Deus, estando submissas a seu próprio marido, 6como fazia Sara, que obedeceu a Abraão, chamando-lhe senhor,
3.6
Gn 18.12
da qual vós vos tornastes filhas, praticando o bem e não temendo perturbação alguma.

7Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações.

A vida exemplar cristã: o amor fraternal

8Finalmente, sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes, 9não pagando mal por mal ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo, pois para isto mesmo fostes chamados, a fim de receberdes bênção por herança. 10Pois

quem quer amar a vida e ver dias felizes refreie a língua do mal e evite que os seus lábios falem dolosamente;

11aparte-se do mal, pratique o que é bom, busque a paz e empenhe-se por alcançá-la.

12Porque os olhos do Senhor repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos às suas súplicas, mas o rosto do Senhor está contra aqueles que praticam males.

3.10-12
Sl 34.12-16

A prática do bem. A longanimidade segundo o exemplo de Cristo

13Ora, quem é que vos há de maltratar, se fordes zelosos do que é bom? 14Mas, ainda que venhais a sofrer por causa da justiça,

3.14
Mt 5.10
bem-aventurados sois. Não vos amedronteis, portanto, com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados; 15antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós,
3.14-15
Is 8.12-13
16fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo, 17porque, se for da vontade de Deus, é melhor que sofrais por praticardes o que é bom do que praticando o mal. 18Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, 19no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, 20os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé,
3.20
Gn 6.1—7.24
enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água, 21a qual, figurando o batismo, agora também vos salva, não sendo a remoção da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus, por meio da ressurreição de Jesus Cristo; 22o qual, depois de ir para o céu, está à destra de Deus, ficando-lhe subordinados anjos, e potestades, e poderes.

4

A morte para o pecado e a pureza de vida

41Ora, tendo Cristo sofrido na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamento; pois aquele que sofreu na carne deixou o pecado, 2para que, no tempo que vos resta na carne, já não vivais de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus. 3Porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias. 4Por isso, difamando-vos, estranham que não concorrais com eles ao mesmo excesso de devassidão, 5os quais hão de prestar contas àquele que é competente para julgar vivos e mortos; 6pois, para este fim, foi o evangelho pregado também a mortos, para que, mesmo julgados na carne segundo os homens, vivam no espírito segundo Deus.

Alguns deveres dos crentes uns para com os outros

7Ora, o fim de todas as coisas está próximo; sede, portanto, criteriosos e sóbrios a bem das vossas orações. 8Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados.

4.8
Pv 10.12
9Sede, mutuamente, hospitaleiros, sem murmuração. 10Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. 11Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!

O sofrermos por Cristo é privilégio glorioso

12Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; 13pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois coparticipantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando. 14Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus. 15Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; 16mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome. 17Porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus? 18E, se é com dificuldade que o justo é salvo, onde vai comparecer o ímpio, sim, o pecador?

4.18
Pv 11.31
19Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem.

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