Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
13

131Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. 2Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé,

13.2
Mt 17.20
21.21
Mc 11.23
a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. 3E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.

4O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, 5não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; 6não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; 7tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; 9porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos. 10Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado. 11Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino. 12Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido. 13Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.

14

O dom de profecia é superior ao de línguas

141Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis. 2Pois quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito fala mistérios. 3Mas o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando. 4O que fala em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que profetiza edifica a igreja. 5Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas; muito mais, porém, que profetizásseis; pois quem profetiza é superior ao que fala em outras línguas, salvo se as interpretar, para que a igreja receba edificação.

6Agora, porém, irmãos, se eu for ter convosco falando em outras línguas, em que vos aproveitarei, se vos não falar por meio de revelação, ou de ciência, ou de profecia, ou de doutrina? 7É assim que instrumentos inanimados, como a flauta ou a cítara, quando emitem sons, se não os derem bem distintos, como se reconhecerá o que se toca na flauta ou cítara? 8Pois também se a trombeta der som incerto, quem se preparará para a batalha? 9Assim, vós, se, com a língua, não disserdes palavra compreensível, como se entenderá o que dizeis? Porque estareis como se falásseis ao ar. 10Há, sem dúvida, muitos tipos de vozes no mundo; nenhum deles, contudo, sem sentido. 11Se eu, pois, ignorar a significação da voz, serei estrangeiro para aquele que fala; e ele, estrangeiro para mim. 12Assim, também vós, visto que desejais dons espirituais, procurai progredir, para a edificação da igreja.

13Pelo que, o que fala em outra língua deve orar para que a possa interpretar. 14Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera. 15Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente. 16E, se tu bendisseres apenas em espírito, como dirá o indouto o amém depois da tua ação de graças? Visto que não entende o que dizes; 17porque tu, de fato, dás bem as graças, mas o outro não é edificado. 18Dou graças a Deus, porque falo em outras línguas mais do que todos vós. 19Contudo, prefiro falar na igreja cinco palavras com o meu entendimento, para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua.

Os dons em face dos visitantes na igreja

20Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens amadurecidos. 21Na lei está escrito:

Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos, e nem assim me ouvirão, diz o Senhor.

14.21
Is 28.11-12

22De sorte que as línguas constituem um sinal não para os crentes, mas para os incrédulos; mas a profecia não é para os incrédulos, e sim para os que creem. 23Se, pois, toda a igreja se reunir no mesmo lugar, e todos se puserem a falar em outras línguas, no caso de entrarem indoutos ou incrédulos, não dirão, porventura, que estais loucos? 24Porém, se todos profetizarem, e entrar algum incrédulo ou indouto, é ele por todos convencido e por todos julgado; 25tornam-se-lhe manifestos os segredos do coração, e, assim, prostrando-se com a face em terra, adorará a Deus, testemunhando que Deus está, de fato, no meio de vós.

A necessidade de ordem no culto

26Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro, doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua, e ainda outro, interpretação. Seja tudo feito para edificação. 27No caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete. 28Mas, não havendo intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus. 29Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem. 30Se, porém, vier revelação a outrem que esteja assentado, cale-se o primeiro. 31Porque todos podereis profetizar, um após outro, para todos aprenderem e serem consolados. 32Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos próprios profetas; 33porque Deus não é de confusão, e sim de paz. Como em todas as igrejas dos santos, 34conservem-se as mulheres caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar; mas estejam submissas como também a lei o determina. 35Se, porém, querem aprender alguma coisa, interroguem, em casa, a seu próprio marido; porque para a mulher é vergonhoso falar na igreja. 36Porventura, a palavra de Deus se originou no meio de vós ou veio ela exclusivamente para vós outros?

37Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça ser mandamento do Senhor o que vos escrevo. 38E, se alguém o ignorar, será ignorado.

39Portanto, meus irmãos, procurai com zelo o dom de profetizar e não proibais o falar em outras línguas. 40Tudo, porém, seja feito com decência e ordem.

15

A ressurreição de Cristo, penhor da nossa ressurreição

151Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; 2por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão.

3Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras,

15.3
Is 53.5-12
4e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.
15.4
Sl 16.8-10
Os 6.2
5E apareceu a Cefas
15.5
Lc 24.34
e, depois, aos doze.
15.5
Mt 28.16-17
Mc 16.14
Lc 24.36
Jo 20.19
6Depois, foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora; porém alguns já dormem. 7Depois, foi visto por Tiago, mais tarde, por todos os apóstolos 8e, afinal, depois de todos, foi visto também por mim,
15.8
At 9.3-6
como por um nascido fora de tempo. 9Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus.
15.9
At 8.3
10Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo. 11Portanto, seja eu ou sejam eles, assim pregamos e assim crestes.

12Ora, se é corrente pregar-se que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como, pois, afirmam alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? 13E, se não há ressurreição de mortos, então, Cristo não ressuscitou. 14E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé; 15e somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam. 16Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. 17E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. 18E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. 19Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.

Cristo, as primícias dos que dormem

20Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem. 21Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. 22Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo. 23Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda. 24E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. 25Porque convém que ele reine

15.25
Sl 110.1
até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. 26O último inimigo a ser destruído é a morte. 27Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés.
15.27
Sl 8.6
E, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, certamente, exclui aquele que tudo lhe subordinou. 28Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.

A ressurreição em relação à vida prática

29Doutra maneira, que farão os que se batizam por causa dos mortos? Se, absolutamente, os mortos não ressuscitam, por que se batizam por causa deles? 30E por que também nós nos expomos a perigos a toda hora? 31Dia após dia, morro! Eu o protesto, irmãos, pela glória que tenho em vós outros, em Cristo Jesus, nosso Senhor. 32Se, como homem, lutei em Éfeso com feras, que me aproveita isso? Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos, que amanhã morreremos.

15.32
Is 22.13
33Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes. 34Tornai-vos à sobriedade, como é justo, e não pequeis; porque alguns ainda não têm conhecimento de Deus; isto digo para vergonha vossa.

Os ressuscitados terão corpo

35Mas alguém dirá: Como ressuscitam os mortos? E em que corpo vêm? 36Insensato! O que semeias não nasce, se primeiro não morrer; 37e, quando semeias, não semeias o corpo que há de ser, mas o simples grão, como de trigo ou de qualquer outra semente. 38Mas Deus lhe dá corpo como lhe aprouve dar e a cada uma das sementes, o seu corpo apropriado. 39Nem toda carne é a mesma; porém uma é a carne dos homens, outra, a dos animais, outra, a das aves, e outra, a dos peixes. 40Também há corpos celestiais e corpos terrestres; e, sem dúvida, uma é a glória dos celestiais, e outra, a dos terrestres. 41Uma é a glória do sol, outra, a glória da lua, e outra, a das estrelas; porque até entre estrela e estrela há diferenças de esplendor. 42Pois assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo na corrupção, ressuscita na incorrupção. Semeia-se em desonra, ressuscita em glória. 43Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder. 44Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual. 45Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante.

15.45
Gn 2.7
46Mas não é primeiro o espiritual, e sim o natural; depois, o espiritual. 47O primeiro homem, formado da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. 48Como foi o primeiro homem, o terreno, tais são também os demais homens terrenos; e, como é o homem celestial, tais também os celestiais. 49E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial.

Os vivos serão transformados

50Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. 51Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, 52num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. 53Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. 54E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita:

Tragada foi a morte pela vitória.

15.54
Is 25.8

55Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?

15.55
Os 13.14

56O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. 57Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo. 58Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.
15.51-58
1Ts 4.13-18