Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
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Acerca de dons espirituais

121A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. 2Sabeis que, outrora, quando éreis gentios, deixáveis conduzir-vos aos ídolos mudos, segundo éreis guiados. 3Por isso, vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema, Jesus! Por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo.

4Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. 5E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. 6E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos. 7A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso. 8Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; 9a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; 10a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las. 11Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente.

A unidade orgânica da igreja

12Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo. 13Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito. 14Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. 15Se disser o pé: Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixa de ser do corpo. 16Se o ouvido disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; nem por isso deixa de o ser. 17Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde, o olfato? 18Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve. 19Se todos, porém, fossem um só membro, onde estaria o corpo? 20O certo é que há muitos membros, mas um só corpo. 21Não podem os olhos dizer à mão: Não precisamos de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não preciso de vós. 22Pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários; 23e os que nos parecem menos dignos no corpo, a estes damos muito maior honra; também os que em nós não são decorosos revestimos de especial honra. 24Mas os nossos membros nobres não têm necessidade disso. Contudo, Deus coordenou o corpo, concedendo muito mais honra àquilo que menos tinha, 25para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. 26De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam.

27Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo. 28A uns estabeleceu Deus na igreja,

12.28
Ef 4.11
primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. 29Porventura, são todos apóstolos? Ou, todos profetas? São todos mestres? Ou, operadores de milagres? 30Têm todos dons de curar? Falam todos em outras línguas?12.30 em outras línguas; no original, em línguas Interpretam-nas todos? 31Entretanto, procurai, com zelo, os melhores dons.
12.1-31
Rm 12.3-8

O amor é o dom supremo

E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente.

13

131Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. 2Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé,

13.2
Mt 17.20
21.21
Mc 11.23
a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. 3E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.

4O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, 5não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; 6não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; 7tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; 9porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos. 10Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado. 11Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino. 12Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido. 13Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.

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O dom de profecia é superior ao de línguas

141Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis. 2Pois quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito fala mistérios. 3Mas o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando. 4O que fala em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que profetiza edifica a igreja. 5Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas; muito mais, porém, que profetizásseis; pois quem profetiza é superior ao que fala em outras línguas, salvo se as interpretar, para que a igreja receba edificação.

6Agora, porém, irmãos, se eu for ter convosco falando em outras línguas, em que vos aproveitarei, se vos não falar por meio de revelação, ou de ciência, ou de profecia, ou de doutrina? 7É assim que instrumentos inanimados, como a flauta ou a cítara, quando emitem sons, se não os derem bem distintos, como se reconhecerá o que se toca na flauta ou cítara? 8Pois também se a trombeta der som incerto, quem se preparará para a batalha? 9Assim, vós, se, com a língua, não disserdes palavra compreensível, como se entenderá o que dizeis? Porque estareis como se falásseis ao ar. 10Há, sem dúvida, muitos tipos de vozes no mundo; nenhum deles, contudo, sem sentido. 11Se eu, pois, ignorar a significação da voz, serei estrangeiro para aquele que fala; e ele, estrangeiro para mim. 12Assim, também vós, visto que desejais dons espirituais, procurai progredir, para a edificação da igreja.

13Pelo que, o que fala em outra língua deve orar para que a possa interpretar. 14Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera. 15Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente. 16E, se tu bendisseres apenas em espírito, como dirá o indouto o amém depois da tua ação de graças? Visto que não entende o que dizes; 17porque tu, de fato, dás bem as graças, mas o outro não é edificado. 18Dou graças a Deus, porque falo em outras línguas mais do que todos vós. 19Contudo, prefiro falar na igreja cinco palavras com o meu entendimento, para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua.

Os dons em face dos visitantes na igreja

20Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens amadurecidos. 21Na lei está escrito:

Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos, e nem assim me ouvirão, diz o Senhor.

14.21
Is 28.11-12

22De sorte que as línguas constituem um sinal não para os crentes, mas para os incrédulos; mas a profecia não é para os incrédulos, e sim para os que creem. 23Se, pois, toda a igreja se reunir no mesmo lugar, e todos se puserem a falar em outras línguas, no caso de entrarem indoutos ou incrédulos, não dirão, porventura, que estais loucos? 24Porém, se todos profetizarem, e entrar algum incrédulo ou indouto, é ele por todos convencido e por todos julgado; 25tornam-se-lhe manifestos os segredos do coração, e, assim, prostrando-se com a face em terra, adorará a Deus, testemunhando que Deus está, de fato, no meio de vós.

A necessidade de ordem no culto

26Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro, doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua, e ainda outro, interpretação. Seja tudo feito para edificação. 27No caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete. 28Mas, não havendo intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus. 29Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem. 30Se, porém, vier revelação a outrem que esteja assentado, cale-se o primeiro. 31Porque todos podereis profetizar, um após outro, para todos aprenderem e serem consolados. 32Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos próprios profetas; 33porque Deus não é de confusão, e sim de paz. Como em todas as igrejas dos santos, 34conservem-se as mulheres caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar; mas estejam submissas como também a lei o determina. 35Se, porém, querem aprender alguma coisa, interroguem, em casa, a seu próprio marido; porque para a mulher é vergonhoso falar na igreja. 36Porventura, a palavra de Deus se originou no meio de vós ou veio ela exclusivamente para vós outros?

37Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça ser mandamento do Senhor o que vos escrevo. 38E, se alguém o ignorar, será ignorado.

39Portanto, meus irmãos, procurai com zelo o dom de profetizar e não proibais o falar em outras línguas. 40Tudo, porém, seja feito com decência e ordem.

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