Será que Deus tem algo a nos ensinar por meio dessa experiência de pandemia?

Rev. Dr. Erní W. Seibert

Quando, na metade de março deste ano, a Organização Mundial de Saúde anunciou que estavam em curso uma pandemia mundial, ninguém tinha ideia exata do que iria ocorrer no Brasil e no mundo. Mais de três meses depois, vemos que a vida de praticamente todas as pessoas, em muitos sentidos, mudou. E não é preciso nem ser profeta para dizer que a realidade nos próximos meses não será a mesma daquela que foi planejada para este ano.

Mas será que há alguma coisa que podemos aprender dessa dura experiência? Quando pergunto isso, não penso nas lições de economia, de saúde pública e de higiene. Será que Deus tem algo a nos ensinar por meio dessa experiência de pandemia? A resposta certamente virá da Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus. Eis algumas lições que aprendemos na pandemia e que a Bíblia Sagrada já havia nos ensinado.

  1. A vida humana é frágil e curta – Até a pandemia chegar, se falava muito que a expectativa de vida das pessoas estava crescendo. Mencionar a morte era quase tema proibido. No entanto, descobriu-se que a Bíblia estava certa em dizer que: “Os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta; neste caso, o melhor deles é canseira e enfado, porque tudo passa rapidamente, e nós voamos.” (Salmos 90.10). E em outro Salmo aprendemos: “Senhor, dá-me a conhecer o meu fim e qual é a soma dos meus dias, para que eu reconheça a minha fragilidade. Deste aos meus dias o comprimento de alguns palmos; à tua presença, o prazo da minha vida é nada. Na verdade, todo ser humano, por mais firme que esteja, é pura vaidade. De fato, o ser humano passa como uma sombra. Em vão se inquieta; amontoa tesouros e não sabe quem ficará com eles.” (Salmos 39.4-6)
  2. A morte voltou para a agenda – Em muitos lugares havia palavras quase proibidas de serem pronunciadas, como pecado, morte, sofrimento. Pois com a pandemia a morte voltou a constar na agenda. Todos os dias estamos sendo lembrados que as pessoas morrem. Fala-se em morte e comorbidades. Sobre a morte, entre outras coisas, a Bíblia lembra que temos, em Cristo, a vitória: “O último inimigo a ser destruído é a morte.” (1Coríntios 15.26). “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam.” (Salmos 23.4).
  3. Viver num país agrícola é uma bênção – Durante a pandemia, todos aprenderam que um dos artigos de primeira necessidade que não podia faltar era o alimento. Os mercados permaneceram abertos para que todos tivessem acesso à alimentação. Nem sempre as pessoas falavam com orgulho do fato do nosso país ter uma grande produção agrícola. Mas graça a Deus, em nosso país, não faltaram alimentos. Devemos ser gratos. O salmista diz: “Todos esperam de ti que lhes dês de comer a seu tempo. Se lhes dás, eles o recolhem; se abres a mão, eles se fartam de bens. Se escondes o rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem e voltam ao pó. Envias o teu Espírito, eles são criados, e assim renovas a face da terra.” (Salmos 104.27-30).
  4. O trabalho é um dom precioso – Durante a pandemia, muitos foram proibidos de trabalhar. Para manter o distanciamento social, muitos locais de trabalho foram fechados. Alguns puderam trabalhar de casa, mas para a maioria dos que tiveram seus postos de trabalho fechados, isso não foi possível. De uma maneira até traumática, se aprendeu o valor do trabalho. O trabalho é precioso e faz bem para o ser humano. O salmista diz: “Bem-aventurado aquele que teme o Senhor e anda nos seus caminhos! Você comerá do fruto do seu trabalho, será feliz, e tudo irá bem com você.” (Salmos 128.1-2).
  5. A vida em comunhão é importante – A obrigação de manter o isolamento social mostrou como faz falta para o ser humano a vida em comunhão com o seu semelhante. Por melhor que seja ficar em casa com a família, também é importante o contato com os colegas de trabalho e, de forma bem especial, a comunhão com os irmãos de na Igreja. O mundo virtual ajudou a suprir algumas necessidades, mas não consegue substituir a comunhão com os irmãos. A Palavra de Deus nos lembra: “Aleluia! De todo o coração louvarei o Senhor, na companhia dos justos e na assembleia.” (Salmos 111.1). E o apóstolo Paulo escreve: “Isto para que, pela vontade de Deus, eu chegue à presença de vocês com alegria e possa ter algum descanso na companhia de vocês.” (Romanos 15.32).

Deus nos ensina lições preciosas, até em momentos que podem nos parecer complicados. Louvado seja sempre o nome do Senhor.

Erní Walter Seibert é diretor-executivo da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), formado em Teologia pelo Seminário Concórdia, em Porto Alegre (RS), mestre em Teologia, pelo Seminário Concórdia de São Leopoldo (RS), doutor em Ciências da Religião, pela Universidade Metodista de São Bernardo do Campo (SP), e MBA em Marketing de Serviços, pela Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (USP). 

Publicado na revista Comunhão em 29 de junho de 2020.

🗓 Publicado em Quinta-feira 2 julho 2020