Atitude e credibilidade

Ao ser colocado à prova por um intérprete da lei —que queria saber o que fazer para herdar a vida eterna —, Jesus conta a conhecida parábola do Bom Samaritano (Lucas 10.25-37).

À pergunta inicial do intérprete, Jesus responde com outra pergunta: “O que está escrito na Lei? Como você a entende?” Citando um resumo dos mandamentos, o intérprete da lei responde: “Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, com todas as suas forças e todo o seu entendimento.” E: “Ame o seu próximo como você ama a si mesmo” (Lucas 10.27). A conversa poderia ter terminado aí, pois Jesus confirma que o homem respondeu corretamente e dá uma orientação muito clara: “Faça isto e você viverá.”

O homem, porém, queria se justificar e, por isso, faz uma nova pergunta: “Quem é o meu próximo?” Diante dessa pergunta, Jesus conta uma parábola, uma ilustração com várias personagens, para sanar de vez qualquer dúvida sobre quem é o nosso próximo. A lição foi muito importante para aquele intérprete e também é muito importante para nós nos dias de hoje.

Na parábola, percebemos quem são os atores em cena, quais são suas atitudes, de quais recursos dispõem e como os administram, como prestam contas, a confiança que constroem e a credibilidade que cultivam.

O relato começa com um homem que descia de Jerusalém para Jericó. Ele foi roubado e agredido por ladrões, que o deixaram praticamente morto, precisando de acolhimento e atendimento médico urgente para salvar sua vida. Esse homem precisava que o primeiro que passasse pelo local agisse de acordo com a necessidade urgente daquela cena.

Da mesma maneira vemos situações parecidas aqui no Brasil, onde há muitas carências sociais, fruto da violência, da falta de recursos, da corrupção, da desigualdade na distribuição de renda e da falta de políticas públicas. As atitudes tomadas por diversos agentes em vários âmbitos da sociedade, por vezes, se parecem comas do sacerdote e do levita, que tinham obrigação moral de ir em direção ao necessitado, mas preferiram passar ao lado, como se o sofrimento do próximo não fosse problema deles.

No entanto, as equipes da SBB e seus parceiros, como aquele samaritano, agem em locais do Brasil que enfrentam essas demandas sociais. A SBB diante da necessidade vai em direção à urgência, se movimenta e trabalha com programas e projetos sociais que auxiliam as pessoas que precisam.

Na parábola, o menos previsível aconteceu: o estrangeiro samaritano prestou os primeiros socorros ao homem que sofreu violência e ainda arcou com todos os custos financeiros de seu tratamento. Ele chegou ao ponto de firmar sua palavra de que, se a prestação de contas do tratamento ficasse maior que os dois denários pagos por ele, ele mesmo arcaria com a diferença na sua volta. Não sabemos se esse samaritano era conhecido do hospedeiro, mas, certamente, sua atitude, seu comprometimento e a ação tomada por ele despertaram confiança e conferiram credibilidade à sua palavra.

É assim que enxergamos a captação de recursos. Diante de necessidades sociais urgentes que demandam investimentos com os quais a SBB nem sempre pode arcar, não nos falta a atitude. Acionamos os diversos públicos parceiros, levantamos os recursos financeiros, além do serviço voluntário, e vamos em direção aos que necessitam. Porque, ao final, só estamos aqui porque fomos resgatados da morte por Cristo, o estrangeiro que veio em nossa direção.

Assim como o samaritano planejou os gastos necessários para cuidar do homem ferido, a SBB procura as melhores práticas administrativas para lidar com os valores financeiros que geram sua sustentabilidade. Nossos recursos, oriundos de ofertas ou da distribuição da Bíblia, são contabilizados com zelo para atender as demandas das várias frentes que são desenvolvidas na organização. E Deus tem provido – não sem desafios –para a manutenção da obra, dos colaboradores, dos processos produtivos e sua distribuição, dos fornecedores, das ações institucionais e da ação social. Damos graças a Deus pela provisão!

A credibilidade que o samaritano conquistou por meio de sua palavra diante do dono da hospedagem é a que queremos ter com nossos parceiros. Para isso, apresentamos nossos relatórios contábeis e nossas prestações de contas dos programas sociais, e estamos sempre abertos para dialogar com aqueles que queiram somar forças. Porque não nos faltará a atitude diante da necessidade. Não nos faltará a atitude para mobilizar os recursos com a credibilidade que cultivamos para cumprirmos a nossa missão de “Semear a Palavra que Transforma Vidas”.

Humberto Joaquim Marchi, secretário de Administração Geral da SBB

🗓 Publicado em Sexta-feira 1 julho 2022